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Filipa Brunelli é a primeira travesti a entrar 'pela porta da frente' da Penitenciária de Araraquara

Ela participou da Jornada da Cidadania e Empregabilidade e fez palestra dentro da unidade prisional

| ACidadeON/Araraquara

Filipa Brunelli, assessora de Políticas Públicas LGBT em Araraquara (Foto: Amanda Rocha)
O céu é o limite para Filipa Brunelli, assessora de Políticas Públicas LGBT em Araraquara. Ela foi a primeira travesti a entrar pela porta da frente da Penitenciária semana passada, onde participou da Jornada da Cidadania e Empregabilidade e falou sobre vários assuntos com os travestis que estão encarcerados.  

"Foi uma experiência muito importante, onde pudemos falar sobre saúde e outros assuntos. Foram três dias de atendimentos, penso que é um avanço perto da realidade que estas pessoas enfrentam no sistema penitenciário", diz ela.  

Dentro de um universo de aproximadamente 1,6 mil detentos, Felipa calcula que na Penitenciária de Araraquara existem 10 travestis e incontáveis homens gays.  

"Fizemos um primeiro contato, falamos sobre saúde e ouvimos as histórias", diz.  

A partir de agora, será desenvolvido um projeto para dialogar constantemente com este público sobre temas como relacionamento abusivo e saúde mental.
 
"Vamos fazer um projeto e apresentar para diretoria da penitenciária, que se apresentou muito solicita a este estreitamento de laços", afirma ela.  

Quem são
Segundo levantamento feito pela assessoria de Políticas Públicas LGBT , as travestis em geral estão presas por tráfico de drogas e mantêm relacionamentos dentro da própria prisão. Fora das celas, a maioria não tem familiar. "Não há vínculos fora da prisão, mas todas querem sair de lá o mais rápido possível", diz.  

O que Filipa afirma também é que muitas detentas desconhecem seus direitos, como o de escolher ir para uma penitenciária feminina. "Esta escolha foi dada à elas, mas não explicada com clareza e talvez por isso, elas escolheram ficar no presídio masculino", afirma.  

Entenda
A Secretaria de Direitos Humanos há cinco anos estabeleceu regras para o recebimento de presos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros em presídios do País. Entre as normas está que os presos travestis podem optar por serem transferidos para presídios femininos.  

Entre os direitos está também que o preso LGBT tem o direito, se preferir, de ser chamado pelo nome social. Também é facultativo o uso de roupas femininas ou masculinas, conforme o gênero, e a manutenção de cabelos compridos - se o tiver-, garantindo seus caracteres secundários de acordo com sua identidade de gênero.  

Jornada da cidadania
Durante a Jornada da Cidadania e Empregabilidade, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) ofereceu aos presos atendimentos psicológicos, jurídicos e médicos, como exames odontológicos e teste rápido de hipertensão e glicemia, além de regularização de documentos. Além disso, há palestras motivacionais e educativas sobre os mais diversos temas. Em Araraquara a jornada aconteceu durante toda a semana passada atendendo 1,5 mil detentos.  
 
Veja vídeo: 


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