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Mães sociais transformam abrigo em um lar repleto de amor

"Hoje considero que sou mãe de 11 filhos, são cinco lá fora e seis aqui dentro", afirma

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Mães sociais transformam abrigo em um lar repleto de amor (Foto: Amanda Rocha - A Cidade ON)
Passar dias longe da família para educar e amar crianças que não nasceram do seu ventre ou fizeram parte da sua vida. Essa é a grande missão das mães sociais, que não visam substituir a mãe biológica, mas transformar um abrigo de crianças em um verdadeiro lar.  

"Quando a gente chega é um impacto muito grande. Você não sabe nada delas, mas aos poucos você consegue trazê-las para perto de você e as lapidar com carinho e amor.  
Quando menos se espera, você já está tratando como uma filha. Eu cuido delas como se fossem minhas mesmo. Cada uma acaba se tornando um pedacinho de mim. Hoje considero que sou mãe de 11 filhos, são cinco lá fora e seis aqui dentro", conta a cuidadora Rita de Cássia Siqueira.  

O Lar Renascer é dividido em casas, onde oito mulheres se revezam para cuidar de 15 crianças e adolescentes que aguardam processo judicial. As mães sociais trabalham três dias e folgam três, arrumam a casa, lavam a roupa, ajudam as crianças com a tarefa escolar, brincam e dormem junto delas. O lugar não conta com a figura paterna, mas é igual a qualquer outra casa.   

 
Rita cuida de seis meninas com idades entre cinco e 16 anos. Um desafio imenso, mas encarado com muito amor e carinho. "Quando elas estão todas juntas é uma verdadeira bagunça, mas é gostoso, pois a gente aprende. A gente se torna uma família, elas conseguem se entender e se ajudam. A pior parte para mim é quando elas vão embora, é como se um pedaço meu estivesse indo também. Não tem como você não amar ou não pegar afeto por essas minhas meninas", ressalta.  

Para Elaine Jesus de Carvalho, mãe social responsável pelo berçário do Renascer, o trabalho lhe trouxe um enorme aprendizado. "Faz um ano e meio que estou aqui e jamais esperava passar por isso. É muito gratificante e eu aprendo muito a cada dia. Quando eles chegam é uma alegria, e quando vão embora nós sentimos muito. Você ama e é um amor verdadeiro. Você sente que eles também te amam e isso é muito bom", conta Elaine, que hoje cuida de três bebês.  

A cuidadora destaca ainda que é perceptível a diferença de como era sua vida antes e após entrar no Renascer. "Você tem seu filho e você sabe que é seu. Aí você vem pra cá e passa a cuidar dos filhos dos outros, mas com um amor enorme. Você cuida, sofre quando fica doente e fica feliz quando ele sorri", destaca.   

 
Ser mãe de maneira temporária não gera apenas admiração entre as crianças, que tem essas mulheres como referência, como um porto seguro, mas também são admiradas por aqueles que trabalham ao lado delas.  

Para a psicóloga do Renascer, Érika Razui Massom, proporcionar um lar para as crianças e adolescentes que hoje moram no Renascer é de extrema importância.
Segundo ela, a criança precisa se sentir segura e amada. Para que isso aconteça, as cuidadoras respeitam toda a bagagem que ela traz de sua vida em família e proporcionam todo o apoio necessário, enquanto aguarda todo o processo judicial.  

"A figura das cuidadoras é importantíssima, pois é uma referência para limites, que lá fora a criança pode ter perdido ou nunca ter tido. As cuidadoras são verdadeiras artistas. Elas têm o dom de dar amor àqueles que nunca viram isso na vida e amar como se fossem da sua família. Isso é uma dádiva", finaliza.

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