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Estudantes de escola pública lançam livro de poesia

Professor de filosofia trabalhou dilemas típicos da adolescência e o resultado foi um compilado de pensamentos resumidos em um livro

| ACidadeON/Araraquara


Estudantes de escola pública lançam livro de poesia (Foto: Amanda Rocha)
"Eu sai para estudar, quando senti a bala entrar, o sangue começou a jorrar, minha voz começou a falhar, do fundo minha mãe gritou e aos poucos o olho fechou. Era apenas um garoto pobre querendo, mas não estudou".  

O estudante Iago Cardamoni, de 16 anos, escreveu este poema, 'Só queria estudar', em um dia triste. Quando um garoto foi morto pela polícia, no Rio de Janeiro, a caminho da escola. "A escrita é uma forma de expressar os nossos sentimentos" , resume.  

Iago é um dos 19 estudantes da Escola Estadual Angelina Lia Rofsen, que participaram de um projeto de composição de poemas, que resultou no livro "I Antologia Poética", que será lançado neste sábado (19).  

Tristeza, alegria, angústia, depressão são assuntos que foram tratados em sala de aula, pelo professor de filosofia Tadeu Marcato durante o segundo semestre de 2018. A partir daí, os alunos foram convidados a escrever e o resultado foi um compilado com 75 poemas.  

"A proposta vinha em primeiro momento transformar o aluno em autor, depois veio a ideia de trazer para a sala de aula a prevenção de dependência química e através de pensadores como o Sartre [Jean-Paul Charles Aymard Sartre ] e o Camus [Albert Camus] tratar a angústia existencial. A ideia é o que te angustia, o que te dá medo e como você pode colocar isso pra fora de você. Toda essa reflexão está no livro", explica o professor.  

"Mostrar que na periferia existe muito mais do que a violência, empoderar e trazer a reflexão sobre as angustias típicas dos adolescentes são essências", reforça Marcato.    



Expressão
Até que ponto um projeto como este pode mudar a realidade de jovens da periferia? A estudante Gabrieli Luany, de 15 anos, responde. "Me expressar através de papéis me fez reviver momentos dolorosos, mas foi muito bom. A reflexão é importante e eu adoro escrever".

A escola Angelina Lia Rofsen fica no bairro Cecap, na Zona Leste de Araraquara. São 783 alunos divididos entre ensino fundamental, médio e alfabetização de adultos.  

"A arte convida as pessoas a enxergarem a periferia com um olhar menos preconceituoso, um ambiente tradicionalmente conhecido pela violência, hoje traz poetas", reforça Marcato.  

"Eu aprendi a expressar meus sentimentos em papel, o que eu não conseguiria fazer com pessoas. Agora, ter o livro em nossas mãos é algo inacreditável", diz Carolina Aparecida.  
 

A jovem Gabriele Luany vibra com a produção do livro (Foto: Amanda Rocha)
A estudante Samira Ferreira, de 16 anos, ressalta. "Nunca tinha escrito poema na minha vida, até que o professor Tadeu me deu essa oportunidade, posso me expressar e desabafar".  

"O que um poeta pode dizer, em uma folha não cabe, falar de amor ou falsidade? O que expressar, medo ou felicidade? Em quem confiar, no amor ou na amizade? O que dizer e não dizer? O que pensar em não fazer? Em quem confiar? Em mim mesma ou em você?".  

"O livro foi a nossa oportunidade de expor nossos sentimentos através das palavras", resume Gabriele Câmara, de 16 anos.    

 "Menina risonha, que chora e que sonha, menina risonha, por dentro morreu, por fora sobreviveu [...]"

"É legal ver eles [os estudantes] se empoderamento, criando autonomia e autoridade para assumir a vida deles. Esse livro foi fundamental para isso. agora, é só orgulho", afirma a diretora da escola Daniela Josiane Fabri Dolce.   

Turma reunida na escola Angelina Lia Rofsen (Foto: Amanda Rocha)
"A publicação de um livro com alunos da periferia é a poesia maior desta história toda", reforça Marcato.  

O livro será lançado neste sábado (18), na sala Jean-Paul Sartre, na casa da Cultura, às 19h30.  

"Noites longas mal dormidas. dias curtos não vividos. uma sombra de pensamentos, do passado que deixou dúvidas [...]".  

"No meu poema 'Invisível grade´ eu busco mostrar que a periferia está viva e que temos sentimentos", finaliza Vinicius Franklin, de 17 anos.  
 




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