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Adolescente acusado de matar Yasmin tem distúrbio, segundo psicóloga

Frieza com que o rapaz relatou o que fez é um indicativo para o problema

| ACidadeON/Araraquara

Yasmin Nery, de 16 anos, foi morta em Araraquara (Foto: Redes Sociais)
O jovem de 17 anos acusado de assassinar e esquartejar Yasmin Nery, de 16 anos, no último domingo (9), tem algum tipo distúrbio. A afirmação é da psicóloga Naiara Mariotto, feita a partir da frieza com que ele relatou o acontecido e também porque, durante o depoimento para a polícia, não demostrou nenhum arrependimento.  

"Claro, que nem todas as pessoas que tem distúrbios psicológicos cometem crimes, mas do jeito que a história se apresenta, a frieza, o não arrependimento, é um indicativo que o rapaz tenha algum problema", diz ela.  

Inclusive a falta de empatia apresentada pelo acusado, diante de um crime tão bárbaro, surpreendeu até mesmo os delegados que acompanham o caso. "Em 30 anos trabalhando na região, nunca vi nada parecido.  
Um crime bárbaro, contado com riquezas de detalhes, onde o acusado não apresenta arrependimento", diz o delegado Edmar Piccolo.  

A psicóloga explica que tem uma área no cérebro das pessoas chamada córtex pré-frontal, que tem a função de planejar e executar as tomadas de decisões. É também nesta área que distinguimos certo e errado, bem e o mal. "Por apresentar este tipo de reação diante do crime é possível que este jovem tenha alguma deficiência nesta área. Mas é importante ressaltar que isso precisa de exames detalhados", diz Naiara.     

Suspeito de matar Yasmin fala com amigos que estavam procurando a jovem (Foto: Reprodução)
Também chama a atenção que, depois do crime, o suspeito fala através das redes sociais com familiares e amigos que estavam buscando Yasmin e despista. 
 
 
Entenda
Yasmin Nery saiu de sua casa no bairro do Selmi Dei, Zona Norte, na tarde de domingo ir ao Sesc. Lá teria encontrado o acusado, com quem já tinha tido contato pelas redes sociais. Eles seguiram de ônibus para a casa dele, no Jardim das Hortênsias e lá, ele teria planejado o crime.  

"Ele pediu para ela fechar os olhos e dizer o que sentia por ele. Ela, 'apaixonada', respondeu. Ele deu um golpe [por trás] conhecido como 'mata-leão' e depois a matou", conta o delegado Fernando Bravo.  

Com Yasmim morta, o rapaz desmembrou seu corpo e espalhou por alguns pontos da cidade. Jogou uma parte em uma lagoa, no próprio bairro. Outra guardou em casa, em um carrinho de lanche que estava no quintal. E uma terceira parte, no bairro do Quitandinha.  

Quando foi pego pela polícia, ele revelou como cometeu o crime e também onde havia desovado o corpo.
"Na delegacia ele falou que não tinha qualquer arrependimento e que matou para saber como era a sensação de matar uma pessoa", lembra o delegado Fernando Bravo.  

Corpo de Yasmin Nery foi encontrado no bairro Hortênsias (Foto: ACidadeOn/Araraquara)
Internet é arma de covardes
A internet é um mundo que requer cuidado, principalmente quando frequentada pelos adolescentes. A psicóloga Naiara Mariotto alerta que o uso indiscriminado da internet é muito perigoso. "Muitas vezes os pais imaginam que dentro de casa, no celular, os filhos estão seguros, mas não é isso que acontece. A pessoa está com o mundo nas mãos, correndo talvez mais perigo do que se estivesse nas ruas", explica.  

Neste caso, a psicóloga faz várias observações. Primeiro, no caso do rapaz, a polícia investiga a ligação dele com a deep web, nome dado para uma zona da internet que não pode ser detectada facilmente pelos tradicionais motores de busca, garantindo privacidade e anonimato para os seus navegantes. É formada por um conjunto de sites, fóruns e comunidades que costumam debater temas de caráter ilegal e imoral.  
 
Pelas redes sociais, Yasmin diz que irá se encontrar com um rapaz (Foto: Reprodução)
"Quando os pais não estão atentos, os adolescentes têm o mundo nas mãos e frequentam muitos sites, fóruns, além também destes desafios [momos e afins], que muitas vezes colocam em risco a própria vida", afirma.  

Outro ponto importante levantado pela psicóloga é o fato de a menina ter conhecido o rapaz pelas redes sociais e marcar um encontro sem ter nenhuma informação sobre ele. "Dentro de casa é preciso um diálogo aberto sobre os perigos de se, por exemplo, encontrar uma pessoa que se conheceu pela internet".  

Além disso, antes de se encontrar com o garoto, Yasmin teria relatado em uma rede social o encontro e, inclusive, que estava com medo de ir até a casa do rapaz pela primeira vez, sendo que eles nunca tinham se visto pessoalmente.   

"Os pais precisam estar atentos a tudo. A internet é a arma dos covardes", reforça.   



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