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Araraquara terá Casa Abrigo para LGBTs financiada pelo poder público

Ideia é abrigar pessoas que são expulsas de casa e sofrem rejeição da família; proposta foi aprovada no Orçamento Participativo

| ACidadeON/Araraquara

Erika Mateus, de 19 anos, foi expulsa de casa pela mãe (Foto: Amanda Rocha)
Erika Mateus, de 19 anos, é uma garota trans. Quando ela passou a se identificar como transexual foi expulsa de casa pela mãe, em Araraquara.

"Quando falei com meus pais teve uma briga, que envolveu até polícia. Minha mãe me expulsou de casa. Minha mãe tem aversão a pessoas trans, travesti, tem aversão a mim", relata.

Ao ser expulsa de casa, Erika não tinha para onde ir. Procurou abrigo na casa de amigos, depois disso, seu pai a acolheu, no assentamento Bela Vista.

"Meus pais são separados e a reação deles foi diferente. Ele me aceitou e acabou me convidando para morar com ele, que é onde eu estou hoje", afirma.

"O apoio da família é essencial, mas infelizmente não é todo mundo que tem", lamenta a jovem.

A história de Erika é uma entre muitas de pessoas que são expulsas de casa por rejeição da família. Para abrigar pessoas que enfrentam este problema Araraquara vai criar uma Casa Abrigo para acolhimento de pessoas LGBTQIA+. Será a primeira do Estado instituída como política pública, neste caso, financiada pela Prefeitura.

"Não há casas abrigo para a comunidade no Estado que sejam financiadas pelo poder público e essa será pioneira", reforça a assessora de Políticas LGBTQIA+ de Araraquara, Filipa Brunelli.   



A casa abrigo surge de uma demanda da sociedade, "desde quando Araraquara começa a trabalhar com afinco as questões LGBTs encontramos este tipo de problema, problema de aceitação. Procuramos sempre conversar, estreitar os laços com as famílias, mas em alguns casos não tem mais jeito e a pessoa acaba sendo expulsa, muitas vezes sem ter para onde ir".

"A Casa chega para abrigar estas pessoas em vulnerabilidade social, que se não tiver para onde ir, ficam na rua", reforça Filipa.

A demanda foi aprovada por unanimidade na plenária do Orçamento Participativo, na semana passada, com a participação de 70 pessoas. "O caso de pessoas expulsas de casa é muito grave e ocorre com muita frequência tanto em Araraquara como em todo mundo. Na votação do OP [Orçamento Participativo] outras demandas foram apresentadas, mas as pessoas abriram mão para apoiar a nossa proposta".

A Casa Abrigo de Araraquara vai além de dar uma moradia, capacitar para o mercado de trabalho, por exemplo, dando mais oportunidade de independência.

"Não vai ter um prazo pra pessoa deixar a Casa Abrigo. Queremos que as pessoas se reestruturem e busquem independência, mas isso, como todo o aparato psicossocial", afirma Filipa.

Casa Abrigo servirá de apoio para LGBTs que foram expulsos de casa (Foto: Amanda Rocha)

A demanda deverá integrar a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2020 e deve ser cumprida até o final do ano que vem. "É o prazo limite. A gente acredita que antes entregue ela, lá pelo primeiro semestre", afirma Brunelli.

Atualmente, Araraquara tem um Centro de Referência e Resistência que oferece atendimento psicológico gratuito, assessoria jurídica para retificação de nome e casos de violência e esclarecimento de dúvidas.

O local realizou 271 atendimentos psicológicos, 67 encaminhamentos e assessoramentos desde a inauguração, em dezembro de 2018, o que mostra a necessidade da casa abrigo que também irá oferecer capacitação para as pessoas atendidas.

Entenda
O Orçamento Participativo (OP) é formado por plenárias onde a comunidade é convidada a escolher onde serão investidos os recursos da Prefeitura nos seus bairros. As propostas aprovadas são incluídas na Lei Orçamentária Anual, que é enviada para a Câmara Municipal.

Em Araraquara, são realizadas 12 plenárias regionais, nas quais os bairros são divididos, além de sete plenárias temáticas: mulheres, juventude, idosos, deficientes, igualdade racial, LGBTQIA+ e cidade.


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