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Miguel Vicente, de 77 anos, realiza o sonho de lançar um livro

'Memórias de um Caipira' conta causos da vida de Miguel, que sempre quis ser escritor

| ACidadeON/Araraquara

Miguel Vicente, de 77 anos, conta sua memórias em um livro (Foto: Amanda Rocha)
Entrar na casa de seu Miguel é voltar no tempo. Um pequeno museu intitulado Cantinho da Saudade foi construído por ele em um quartinho no fundo do quintal de sua casa, no bairro Vila Xavier, em Araraquara. Lá, objetos de toda sua trajetória ajudam a contar suas memórias, "Memórias de um Caipira", livro que será lançado por Miguel Vicente, de 77 anos, no próximo sábado (10).  

Seu Miguel nasceu em Itápolis, em uma fazenda. Lá foi criado junto com sete irmãos. Aprendeu plantar e colher. "Era uma vida simples, mas com muito amor. Tive o primeiro sapato aos 10 anos, mas se fosse voltar para a infância eu voltaria com todo prazer", diz.  

Em seu museu particular, para ilustrar suas histórias, tem enxada, rastelo, vários utensílios da roça, além de panelas e do fogão e forno a lenha, como os utilizados por sua mãe.  

Mas saudade Miguel tem mesmo da escola, que frequentou por um ano e oito meses, quando tinha entre 10 e 11 anos. "Fui semialfabetizado. Não aprendi a ler e a escrever com clareza, mas me lembro como se fosse hoje da professora dizendo A de Amor", conta com lágrimas nos olhos.  

Quando saiu da roça, aos 50 anos, já casado e com um filho, Miguel se mudou para Taquaritinga e logo depois, na década de 80, para Araraquara. Foi vendendo algodão doce que sustentou a família. "Minha vida sempre foi muito simples, mas com muita dignidade".  
 
Miguel ainda guarda lápis e borracha da época de escola (Foto: Amanda Rocha)
Paixão
A grande paixão de seu Miguel sempre foi escrever. Aos oito anos, quando juntava as palavras nos jornais velhos que encontrava pela granja onde trabalhava, pensou que seria escritor. "Mesmo sem saber escrever as palavras se formavam na minha cabeça e fui me esforçando pra aprender cada dia mais", afirma.  

Durante toda sua vida foi juntando os causos. Escrevia, reescrevia, pedia para amigos lerem. "Todo mundo sempre gostou das minhas histórias".  

Há dois anos, estimulado pela família e também pelos amigos começou a tirar o sonho do papel. "Um amigo meu me indicou uma gráfica aqui em Araraquara. Fui até lá com os meus escritos e a moça riu na minha cara, disse que eu estava louco e precisava de um médico. Fiquei triste, mas não desisti, até que meu sobrinho conseguiu uma entrevista com uma editora em São Paulo e, agora, meu sonho está se realizando", reforça.  
 

 

 

Causos do Caipira
Entre as histórias contadas no livro está a de quando seu Miguel apanhou do pai de uma namorada, em Itápolis. Tem também a história da mãe, que foi dada para adoção, quando criança e acabou trabalhando para um ladrão de cavalos.  

"Conto ainda quando encontrei meu pai caído no meio da roça. Ele morreu trabalhando e eu pequeno e sozinho fui atrás de socorro".  

Milagres, como seu Miguel chama, também são relatados no livro. "Estava com uma doença que nenhum médico encontrava a cura, eram escaras pelo corpo. Um pastor amigo veio em minha casa e fez uma oração e eu melhorei", conta.

 


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