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Corte em bolsas de pesquisas podem afetar a economia de Araraquara e região

Professor do Departamento de Física da UFSCar aponta que 194 repasses injetam R$ 894 mil na cidade

| ACidadeON/Araraquara

Em Araraquara são 194 pessoas que recebem bolsas relacionadas a pequisa. (Foto: Geovana Alves/G1)

O recente corte de bolsas anunciado pelo Governo Federal vão impactar nas pesquisas e podem afetar a economia de Araraquara e região. Ao menos essa é a projeção do professor do Departamento de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Adilson de Oliveira, que aponta que os 194 repasses feitos na Morada do Sol injetam R$ 894 mil na cidade.  

De acordo com Oliveira, o Governo já deixou claro que a partir deste mês não terá mais dinheiro para bancar as pesquisas - através do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) -, afetando cerca de 80 mil pessoas em todo o Brasil. Na região Central, somando Araraquara e São Carlos, este número pode chegar a 1.769 pesquisadores.  

"Essas pessoas talvez a partir do mês de setembro não tenham mais o seu salário e isso vai gerar um impacto muito grande. Mas, se a gente pensar só na região de Araraquara e São Carlos, no qual temos muita pesquisa sendo desenvolvida, além do prejuízo enorme do ponto de vista científico, também haverá o prejuízo econômico", defende.  

As bolsas oferecidas são para pessoas que cursam graduação, pós-graduação, doutorado e pós-doutorado. Para isso, o pesquisador não pode possuir vínculos empregatícios, devendo se dedicar exclusivamente à pesquisa.   

Em Araraquara, atualmente, são 19 benefícios de iniciação científica, 47 bolsas de mestrado, 52 de doutorado, cinco de pós-doutorado e outras 71 bolsas de pesquisas, totalizando 194. Já em São Carlos, considerada a capital da tecnologia, 1,5 mil pessoas seriam afetadas.  

"Para ter uma ideia, essas bolsas tem valores que estão congelados há muitos anos, sem reajuste há mais de cinco anos. Temos uma bolsa de iniciação científica de R$ 400 por mês, uma bolsa de doutorado, veja só, para alguém fazer uma pesquisa inédita, de apenas R$ 2,2 mil ao mês. São valores irrisórios e embora sejam pequenos, afetam não somente os pesquisadores, mas também a economia", afirma.   

Professor da UFSCar Adilson Oliveira fez levantamento sobre impacto no corte de bolsas na região. (Foto: Reprodução EPTV)

Pelos cálculos de Oliveira, ao somar os valores que deixariam de serem repassados aos pesquisadores de Araraquara e São Carlos podem chegar aos R$ 7,1 milhões. Na análise do professor, dinheiro suficiente para impactar na economia, uma vez que as pessoas usam este recurso para consumir nas cidades.  

"Não é somente uma perda gigantesca por causa dessas pesquisas que vão estar paradas, mas também a economia vai sentir, porque essas pessoas pagam aluguel, compram em supermercados, vivem no seu dia a dia e consomem com esse dinheiro. Então o impacto será muito grande", disse.  

Outro ponto ressaltado por Adilson Oliveira é a perca do investimento feito nas universidades e pesquisas da região Central. Isso porque, segundo ele, uma pesquisa interrompida é sinônimo de dinheiro perdido. "É importante que toda a população tenha consciência de que é extremamente grave o não pagamento dessas bolsas, que elas não são privilégio e muito pelo contrário, tem valores muito pequenos para aqueles que se dedicam a muitas vezes encontrar soluções para os problemas do nosso dia a dia", finaliza.

(Com informações de CBN Araraquara e EPTV Central)

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