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Proposta de escolas cívico-militares divide opiniões em Araraquara

Tema foi discutido na Câmara, nesta segunda-feira (7), em audiência pública; cidade não deve aderir ao programa

| ACidadeON/Araraquara

Audiência na Câmara reuniu favoráveis e contrários a medida. (Foto: Divulgação/Câmara)
 

A implantação de escolas cívico-militares divide opiniões entre os araraquarenses. Ao menos é isso o que aponta levantamento informal feito nas ruas pelo ACidade ON e CBN Araraquara. O tema também foi discutido, nesta segunda-feira (7), na Câmara, em audiência pública. Porém, a cidade não deve aderir ao programa, ao menos nas escolas municipais.  

Segundo o Ministério da Educação, a proposta do governo é criar, até 2023, 216 unidades de ensino cívico-militares em todo o País. Somente no ano que vem, o objetivo seria 54 unidades. Para aderir, os municípios devem solicitar junto à secretaria Estadual de Educação, uma vez que inicialmente serão dois colégios por unidade da Federação.  

Proposta que agrada a cuidadora Irismary Maria da Silva, de 37 anos, uma vez que em sua opinião faltam autoridade e respeito dentro das salas de aula e essa poderia ser uma solução. "Não seria pra eles se incomodarem, mas mostrarem que tem respeito pelo próximo em sala de aula, com professores e colegas", afirma.  

Quem também compartilha dessa opinião é a vigilante Geiza Regina Rodrigues Correa, de 43 anos. Na análise dela, a rigidez no modo de ensino ajudaria a ter mais respeito nas escolas. "Além de aprenderem a educar eles próprios, futuramente vão ser pais ou mães e aprender a respeitar os próprios pais", defende.   

Tema foi discutido durante audiência pública na Câmara. (Foto: Divulgação/Câmara)

Mas, nem todos são favoráveis a essa proposta. O psicólogo Everton de Castro Resende, de 36 anos, diz que é contrário as escolas cívico-militares por elas não serem inclusivas. "Pelo contrário, ela segrega ainda mais a população mais pobre. Porque o atual modelo de escola de sucesso é a que os alunos entram através de concursos, ou seja, a população mais pobre não tem acesso e mais uma vez vão ficar de fora".  

A seletividade do ensino cívico militar também é um dos pontos levantados pela professora Vanize Pinelli, 38 anos. Ela também lembra que durante a campanha eleitoral muita fake news colocou em dúvida a formação e o papel dos professores. Pinelli também deixa questionamentos sobre a medida.  

"Um dos pontos que me fazem ser contra é a fala do ministro da educação de que esse projeto pretende levar educação moral e cívica aos estudantes. Me deixa em dúvida moral de quem? Baseada em que? Pois nós sabemos que a moral é algo subjetivo e cada um pensa e faz aquilo que quer. Então se você tiver um pensamento único, como contemplar os princípios da LDB? Que são de liberdade, respeito as diferenças, diversidade, então só neste aspecto já acho um contrassenso", finaliza.  

Secretária da Educação, Clélia Mara Santos, participou do encontro na Câmara. (Foto: Divulgação/Câmara)

Araraquara de fora
Araraquara continuará sem escola militar. Ao menos por enquanto, já que na última sexta-feira (4) o Governo de São Paulo pediu adesão ao programa federal e aguarda um posicionamento do Ministério da Educação (MEC) sobre o tema para definir quantas e quais unidades serão transformadas em cívico-militares no Estado.  

Mas, quando o assunto são as escolas municipais, a secretária responsável pela pasta, Clelia Mara Santos, disse, durante a audiência pública que a cidade não se enquadra nos critérios estabelecidos pelo Governo Federal. "Essa cidade, em que pese os cinturões em que a situação não é um mar de rosas, ainda assim, não somos um município qualificado em nenhuma estatística por nenhum órgão como de vulnerabilidade social. E não somos, no que tange as escolas pertencentes a rede municipal de educação avaliadas como indicador de baixo IDEB".  

Questionado sobre o tema, o prefeito Edinho Silva (PT) disse que muitos municípios não aderiram ao programa federal, em sua análise, pelo mesmo motivo que Araraquara. "A educação é regida pela LDB, que estabelece o Plano Municipal de Educação, aprovado em conferência e o nosso é de 2015, com revisão em 2018. Se nós vamos mudar o modelo pedagógico das escolas, isso deve passar por nova conferência, não é prefeito quem muda", disse durante o "Café com a Imprensa", na última quarta-feira (3).

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