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Lojas familiares da Rua Nove de Julho se mantém atuantes em meio à crise no comércio

Setor alcançou em 2018 seu pior cenário desde 2014, com 232 lojas; mesmo assim, empresas tradicionais seguem em atividade

| ACidadeON/Araraquara

Lojas familiares da Rua Nove de Julho se mantém atuantes em meio à crise no comércio (Foto: Milton Filho/CBN Araraquara)
O número de lojas na Rua Nove de Julho, principal corredor comercial de Araraquara, já é o menor dos últimos cinco anos. Em 2014, eram 240 lojas, hoje, são 232. Diante de tantas empresas que abrem e fecham suas portas, quais são os lojistas que se mantem atuantes?  

Em comum, são lojas familiares, com os donos sempre presentes, e que conhecem muito bem o seu público, não abrindo mão de suas raízes.  

De segunda a sábado, há 40 anos, a família Marçola administra uma loja de roupas, próxima a Avenida Espanha. A empresária Maderli Marçola Tito conta que a intimidade com o cliente é uma das receitas da longevidade da empresa.  

"Você consegue ter uma leitura do andamento do consumidor, então, você busca sempre trazer o que ele quer, direcionando preço, qualidade. A gente acaba se tornando da família, criamos vínculos", explica a empresária. 

Ademir de Souza Filho está há quatro décadas no ramo de peças intimas. A empresa que começou com o pai cresceu junto com os clientes e mantém uma proximidade que permanece até hoje. 

"Nós temos aqui avós que vinham trazer as filhas, que depois trouxeram as netas e, hoje, eu vejo as bisnetas vindo comprar. O que eu tenho percebido é que muitas lojas vem de fora e não conhecem o mercado local. Outro exemplo é que nossas funcionárias também têm 15, 16, 17 anos de casa e conhecem muito bem os nossos clientes", lembra.   

Lojas familiares da Rua Nove de Julho se mantém atuantes em meio à crise no comércio (Foto: Milton Filho/CBN Araraquara)
Embora, esteja apostando nas novas plataformas digitais, Maderli defende que a loja física é uma realidade que não vai mudar. "É muito importante você ter um lugar aonde você tem o próprio dono para falar, onde você tem a pessoa responsável para responde", conta ela.  

A loja de peças íntimas do Ademir Filho também tem investido em outros ferramentas, como o uso do whatsApp, por exemplo.
Queda no comércio 

Além da mudança no perfil do consumidor, o próprio comércio está se transformando. Em 2014, eram 240 lojas na Rua 9 de julho. No seguinte caiu para 239, mas voltou a subir em 2016, com 262 empresas. Em 2017, atingiu sua maior marca com 303 empresas. No entanto, despencou no ano passado, chegando a 232. 

O presidente do sindicato do Comércio Varejista de Araraquara, Antônio Deliza Neto, afirma que o centro histórico da cidade passa por uma fase de degradação, que impulsiona os corredores comerciais dos bairros.  

Para Deliza, o Centro vai sofrer, caso um planejamento de revitalização não seja feito. "Se nos próximos dez anos, algo de contundente com relação a isso não for feito, infelizmente, veremos uma degradação muito grande no nosso centro histórico", finaliza.

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