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cotidiano

Mulheres se reúnem para a leitura de obras femininas

Clube de Leitoras Nossas Vozes funciona há um ano em Araraquara e tem o objetivo de estimular a leitura e divulgar o trabalho das mulheres na literatura

| ACidadeON/Araraquara

Clube de leitoras "Nossas Vozes" se reúne há um ano em Araraquara (Fotos: Amanda Rocha)
 
Com o objetivo de estimular a leitura - principalmente de livros escritos por mulheres - nasceu há um ano em Araraquara o Clube de Leitoras "Nossas Vozes". Encabeçado por Rebeca Buendia, hoje o grupo reúne 15 mulheres uma vez por mês para discutir um título diferente.  

O clube começou da uma vontade de discutir determinados livros com outras leitoras. "Uma amiga minha tinha ido para Portugal e viu lá um grupo de leitoras e propôs trazer a ideia para cá", explica Rebeca.  

O principal objetivo é criar o hábito de leitura todo mês. Outra proposta é divulgar obras de autorias femininas. "A maioria das leitoras lia uma carga grande de livros escritos por homens e para mudar essa realidade propomos ler o que é escrito por outras mulheres", relata.  

Já foram contempladas no clube nomes como Carolina de Jesus, Ligia Fagundes Teles, Alice Munro, Eliane Brum, Virginia Woolf, entre outras.  

Divulgação das obras
A doutoranda em literatura Gabriela Bruschini Grecca, de 26 anos, diz que o grupo é importantíssimo para a divulgação do trabalho literário das mulheres. "Dentro da universidade sempre discutimos a questão dos livros mais vendidos terem sido escritos por homens brancos. Há muitas mulheres contemporâneas, que escrevem maravilhosamente e nós não conhecemos. Minha tristeza foi que somente após 10 anos na universidade descobri que o primeiro romance brasileiro foi escrito por uma mulher [Úrsula, de Maria Firmina Reis]. Falta divulgar isso, mostrar as obras delas", diz.  

Por estas e outras questões, Gabriela reforça a importância do Clube de Leitoras. "Não se muda uma realidade sozinha, precisamos de muitas vozes", destaca Gabriela que é uma das participantes do grupo.  

Também fiel ao "Nossas Vozes" é a estudante de medicina Letícia Baumann, 22. "Gosto muito de ler e conheci a Rebeca junto com o seu sebo itinerante. Ela me apresentou muitas coisas na cidade e o clube foi uma coisa que conheci e gosto muito de participar", reforça.  
 
 
Lugar de fala
Não precisa ser um grande observador para notar que a quantidade de publicações de livros escritos por mulheres está crescendo cada vez mais. Embora não haja no Brasil, segundo a Câmara Brasileira do Livro, um sistema de pesquisa que separe por gênero os autores das obras, basta entrar em uma livraria para ver que livros feministas ou de ficção escritos por mulheres estão ganhando espaço crescente nas prateleiras.  

Angela Davis, Djamila Ribeiro, Bell Hooks, Silvia Federici e Jarid Arraes são algumas das autoras que têm destaque nesse boom editorial, segundo Elisa Ventura, dona e fundadora da livraria Blooks, que investe no recorte de gênero e raça desde a sua fundação.  

"O Clube de Leitoras é um espaço onde as mulheres são as vozes. São a escrita e também a discussão", reforça Rebeca Buendia.  

Participe
O grupo é aberto para qualquer mulher que queria participar, não precisa fazer inscrição. É só ir no dia do encontro para discutir determinado livro. A data e hora são divulgadas no facebook. O livro do mês de outubro é "A vida que ninguém vê", da Eliane Brum; a discussão será no próximo sábado, dia 19 de outubro, na Praça do Daae, às 15h.


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