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Novas pesquisas da Unesp avançam sobre dois tipos de câncer

Em duas frentes, cientistas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas trabalham com o entendimento celular e molecular da doença

| ACidadeON/Araraquara

Pesquisadores da UNESP fazem descoberta sobre câncer raro (Renato Herlani/Divulgação)
Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara conseguiram identificar uma proteína que age na formação de um tipo raro de tumor cerebral - cientificamente chamado de astrocitoma -, que provoca o crescimento desenfreado de células cancerígenas no cérebro. A descoberta dá um passo importante para o desenvolvimento de medicamentos, capazes de reagir à doença. 

Os estudos que começaram em 2011 com orientação da professora de biologia celular Valéria Valente identificaram que a proteína torna o tumor resistente a tratamentos tradicionais, como a radioterapia, por exemplo. 

"A gente tem alterações no material genético ocorrendo o tempo todo, por conta de exposição aos agentes externos, radiação e o próprio metabolismo celular. E o corpo tem proteínas capazes de reparar esses danos. Porém a gente identificou que essas proteínas introduzem novos danos, em vez de repará-los", explica Valéria. 

Ao longo do estudo, 60 pacientes do Hospital das Clínicas da USP de Ribeirão Preto foram acompanhados pelos pesquisadores. O objetivo dos cientistas era entender quais alterações ocorrem na célula tumoral que permitem o aparecimento do câncer.  

Hoje a sobrevida para pacientes diagnosticados com grau 1 e 2 deste tipo raro de câncer é de 5 a 10 anos. Porém, pode ser ainda mais agressivo, com sobrevida de 1 ano e seis meses em um estágio mais avançado.  

A professora de biologia celular explica que a partir desta descoberta será possível criar protocolos e definir se há ou não algum tratamento indicado. "A intenção é tornar isso público para possivelmente gerar interesse de desenvolvimento de drogas para esse alvo específico. Outro ponto é saber se o paciente vai reagir aos medicamentos antes de ser exposto a um tratamento agressivo que pode não dar resultado", explica Valéria. 

A descoberta deve ser divulgada em breve para comunidade científica. Um segundo passo é o desenvolvimento de drogas, capazes de impedir o avançar da doença. 

Vírus HPV
No mesmo laboratório de Análises Clínicas da Unesp de Araraquara, também é desenvolvido uma pesquisa sobre a associação do vírus HPV com cânceres cervicais e orais. 

Desde 1993, a professora de citologia e biologia celular Christiane Pienna Soares estuda esta relação. De acordo com ela, o vírus se aloja em pequenos ferimentos na região intima, durante ato sexual, e pode se hospedar no corpo do paciente, desencadeando o câncer. 

A partir desta associação, os pesquisadores estão empenhados, agora, em um trabalho de copartipação entre Brasil, Portugal, Itália e Argentina no desenvolvimento de medicamentos, com uso de moléculas extraídas de plantas brasileiras. 

"São plantas do Cerrado, da Mata Atlântica da Caatinga; o pessoal do Instituto de Química extrai, isola quimicamente, analisa a pureza e nos entrega o que a gente chama de composto puro. São produtos naturais buscando um potencial novo medicamento", professora. 

O câncer provocado pelo vírus HPV não tem cura, mas é possível ser prevenido com vacina, oferecida gratuitamente na rede pública de saúde. 

"Onde a vacina atua tem alto risco de malignidade, que são aqueles que têm grande potência de fazer a célula normal mudar e formar um câncer, que progride porque o vírus tem a capacidade de se colocar dentro do material genético da célula que está infectada.", finaliza professora.

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