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Estudantes criam aplicativo para ajudar vítimas da violência

No cinco primeiros meses do ano, Araraquara registrou 101 casos de lesão corporal

| ACidadeON/Araraquara

Estudantes criam aplicativo para ajudar vítimas da violência
Entre os meses de janeiro e abril deste ano, Araraquara registrou um total de 101 casos de lesão corporal na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), 2% a mais que o mesmo período do ano passado, com 99 casos. Os dados foram fornecidos pela delegada titular da unidade, Meirelene de Castro Rodrigues. 

E foi pensando nos casos de violência doméstica e na vulnerabilidade da vítima neste período de pandemia que quatro alunos do Sesi de Araraquara resolveram desenvolver o aplicativo Helping Women, que na tradução significa 'Ajudando Mulheres`. O projeto foi aprovado pelo programa ideias de futuro em parceria com a Google Startup in School edição em casa, e agora falta pouco para que seja uma realidade nos programas de App's. 

"Achamos que seria a maneira ideal de desenvolver um projeto, participar desse evento e ainda ajudar alguém. Vendo esse crescimento da violência contra a mulher, decidimos seguir nessa área e desenvolvemos o Helping Women", explica o estudante de 15 anos, Paulo César dos Santos Rodrigues. 

O último levantamento feito pela Secretaria de Segurança Pública apontou que em março, no interior do estado de São Paulo, foram registrados 11 feminicídios, 3.088 ameaças e 2.673 casos de lesão corporal dolosa. 

Rodrigues lamenta os números, mas, acredita que ainda faltam registros. já que muitas mulheres, assustadas com a situação e com medo do agressor, só fazem o boletim de ocorrência em último caso. 

Essa afirmativa foi comprovada pelas entrevistas com mulheres vítimas de violência realizadas pelos estudantes do grupo. Para Paulo, o aplicativo teve, principalmente, a contribuição delas. 

"Entrevistando algumas vítimas e especialistas da área, as vítimas afirmaram que muitas vezes elas sentem-se abandonadas, pois elas denunciam a violência e o agressor é preso, mas ficam com o sentimento de abandono e culpa", ressalta.   

Estudantes criam aplicativo para ajudar vítimas da violência
Paulo César dos Santos Rodrigues, Fabrício Kevin Donizete Cicone, Guilherme Eduardo Testae e Talita Nicole Freitas Duarte foram orientados no projeto por vários profissionais do Sesi, entre eles João Gilberto Veríssimo Barbosa Pereira, que é técnico de laboratório didático. Ele foi responsável em chamar a atenção dos estudantes para o programa. 

"Esse programa acontece anualmente na versão presencial. No ano passado realizou pela primeira vez a versão online e ela ocorre juntos as aulas presenciais. Os alunos frequentam a escola e treinariam no contraturno com um professor orientador, para fazer o projeto. Mas devido ao cenário que estamos vivendo, eles estão fazendo a edição em casa e lá os alunos estão trabalhando com os pais", conta.  

A plataforma do Helping Women funcionará com uma área de chat e conexão com o whatsapp para interação entre as vítimas de violência.  

O grupo de alunos quer colocar o projeto o mais rápido possível no mercado para ajudar o maior número de pessoas e, para isso, busca apoio de ONG's e instituições governamentais. Quem tiver interesse em participar e saber mais sobre o projeto, basta entrar em contato pelos telefones 16 - 98130-4160 (João) ou 16 - 99992-5268 (Paulo).

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