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Pacientes ficam sem diagnóstico médico durante a pandemia

O atendimento de especialidades está suspenso por causa do coronavírus

| ACidadeON/Araraquara

Pacientes ficam sem diagnóstico médico durante a pandemia
 Pacientes ficam sem diagnóstico durante pandemia (Foto: Arquivo/ON)

No primeiro quadrimestre deste ano, a Unidade de Métodos Diagnósticos de Araraquara realizou 1,7 mil menos atendimentos, no comparativo com o mesmo período do ano passado. Uma queda de 36% de um ano para outro.

A unidade é responsável pelo diagnóstico médico em seis especialidades e em todas houve redução em 2020. 

A queda mais acentuada foi sentida nos atendimentos de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. De um quadrimestre para outro, foram 1,2 mil atendimentos a menos uma redução de 95%. Esta especialidade é a responsável por diagnosticar e dimensionar doenças neurológicas e tumores, por exemplo.

Redução também nos atendimentos do ambulatório de saúde da mulher: 29% menos consultas de mastologistas, e 16% menos consultas em oncologia clínica.

Todos os atendimentos foram suspensos por conta da pandemia. A secretária Municipal de Saúde, Eliana Honain, diz que a explicação está na determinação do Ministério da Saúde para a paralisação dos atendimentos. Ainda não há data pra que as especialidades voltem totalmente a normalidade.  

"Todos os serviços foram suspensos por conta da pandemia e ainda ninguém autorizou o retorno destes procedimentos, que são os atendimentos de especialidades e exames e cirurgias eletivas, mas nós, de forma organizada vamos retornando aos poucos", explica.  

A médica oncologista da Santa Casa, Raquel Pedro Moreira, destaca que o diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento e, principalmente, pra sobrevida do paciente. "A paralisação preocupa porque o diagnóstico precoce é importante para o sucesso em vencer a doença", afirma.

Estimativa da Sociedade Brasileira de Patologia e Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica indica que entre 50 e 90 mil pessoas podem ter deixado de receber a confirmação de câncer nos dois primeiros meses de pandemia. A estimativa leva em consideração os cancelamentos de procedimentos não urgentes e até mesmo a recusa de pacientes em procurar ajuda médica.

DIAGNÓSTICO TARDIO
A repositora Prescila de Souza Teixeira, de 43 anos, sabe exatamente o que um diagnóstico tardio representa para o início do tratamento. O exame que descobriu o câncer de mama levou nove meses.  

"Quando consegui fazer biopsia no meu caso já era tarde, estava com metástase e com muitas lesões. O diagnóstico tardio é sinal que não há cura", afirma.  

Segundo a secretária de Saúde, Eliana Honain, alguns atendimentos voltam de maneira gradual a partir desta semana, mas o cenário indica que não será possível rever o quadro de tantos pacientes sem diagnóstico.  

BATALHA
Foi justamente o rápido resultado que fez com que a administradora de empresas Tatiane Arena Soares, de 35 anos, descobrisse três cânceres em estágio inicial. "A importância do tratamento e do diagnóstico inicial é muito importante".  

A médica oncologista Cristiane Alves Mendes Parisi do Instituto de Oncologia de Ribeirão Preto alerta que quando o corpo dá sinais e um exame não é feito para diagnosticar a doença, a sobrevida do paciente fica risco.  

"O corpo dá sinais de onde começou a neoplasia. Se a pessoa notar que algo mudou no corpo é preciso procurar um médico", diz ela.

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