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Supermercado fecha e funcionários exigem direitos trabalhistas

Sindicato dos funcionários vai ingressar com ações individuais contra o supermercado; Sempre Vale disse que não vai se manifestar por enquanto

| ACidadeON/Araraquara

Supermercado fechou no mês passado e ainda precisa acertar as contas com os funcionários (Imagem Ilustrativa/Arquivo)
 
O desligamento de 100 funcionários do supermercado Sempre Vale, em Araraquara, deve terminar na Justiça. O local será fechado e os trabalhadores denunciam que as rescisões não foram pagas corretamente. 

No último dia 19 de maio, o sub-gerente Diego Nogueira foi informado que seria dispensado do supermercado Sempre Vale, após sete anos de serviços prestados. E tudo o que teria direito a receber depois de tanto tempo, não foi levado em conta pela empresa.  

"O FGTS [Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço] estão pagando só 20%. Não estão levando em conta o tempo correto que trabalhamos. Os últimos meses foram muito difíceis na empresa, mas honramos o nosso trabalho até o último dia e queremos o que é o nosso direito", diz ele.  

Situação semelhante é do atendente de açougue Thiago Dos Santos Lima. Além dos direitos trabalhistas, referentes a três anos de empresa, que não foram pagos, ele denuncia ainda outras irregularidades. "Nos últimos quatro meses meu FGTS não foi pago", diz.

Thiago ainda não homologou a demissão dele, assim como muitos funcionários que procuraram o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio. Ao longo desta semana, 30 pediram intervenção nas negociações.
O supermercado Sempre Vale foi procurado pela reportagem, mas não quis comentar o assunto.

IRREGULARIDADES
O presidente do sindicato, José De Matos, explica que existe evidências de irregularidades e que vai ingressar com ações individuais contra o supermercado.  

"Eles estão fazendo a homologação como se fosse um acordo, pagando tudo pela metade, mas não é acordo. Estão mandando embora realmente, então vamos sim checar cada caso e reclamar as diferenças". Diz ele.  

A expectativa do sindicato é que todos os funcionários sejam ouvidos até a próxima semana, já que por conta da pandemia, o número de atendimentos é reduzido.  

Para o advogado trabalhista Ricardo Monazi há indícios de irregularidades na rescisão dos contratos com os trabalhadores. "Numa dispensa como essa todos os diretos devem ser pagos, como FGTS e multa rescisória", diz ele.

O advogado também esclarece que quando a empresa realiza algum desconto na folha de pagamento, como o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), por exemplo, o repasse deve ser feito integralmente para o órgão competente. "Se fez o desconto e não fez o repasse isso é uma característica que se enquadra em crim,e por causa da apropriação indébita", acrescenta.  

OUTRA EMPRESA
No mesmo dia em que as demissões começaram, outra rede anunciou a aquisição do supermercado Sempre Vale, na Vila Xavier.

Ainda não há data para a mudança da bandeira. A nova rede deve investir R$ 30 milhões em duas lojas adquiridas da rede, uma em Araraquara e outra em Limeira.

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