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Sismar denuncia falta de limpeza e condições de trabalho em USF

Unidade no Adalberto Roxo está sem profissional para fazer a limpeza; Prefeitura diz que é problema pontual e vai resolver

| ACidadeON/Araraquara

Denúncia é na Unidade de Saúde do Adalberto Roxo (Foto: Colaboração)
 

A falta de limpeza e condições de trabalho na Unidade de Saúde da Família (USF) do Jardim Adalberto Roxo é alvo de uma denúncia do Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região (Sismar) ao Ministério Público do Trabalho (MPT), nesta sexta-feira (19).  

É que durante uma visita na unidade de saúde, dirigentes da entidade sindical constataram a falta de profissionais para fazer a limpeza dos ambientes, depois que a Prefeitura encerrou o contrato com uma empresa terceirizada que era responsável pelo serviço.  

Além disso, outro ponto denunciado pelo sindicato é que o local não possui condições mínimas para oferecer segurança e distanciamento necessário aos cerca de 20 funcionários que atuam lá. Segundo a secretária-geral do Sismar, Isabel Cristina Dias, a USF precisa de intervenção urgente para garantir os direitos dos trabalhadores. 

"Esse problema não é só lá, mas em várias unidades. Os que vão [apoiadores] não atendem a necessidade do local, porque você acha que pode um funcionário da limpeza, por exemplo, lavar um pano de chão dentro de uma pia da sala de vacina? Não tem preparo nenhum e ele foi um dia, dois, no terceiro não foi mais", relata. 

Marcas no piso apontam para falta de limpeza em unidade de saúde (Foto: Colaboração)
 

Segundo a dirigente sindical, a USF possui uma sala lacrada desde que um paciente positivado para covid-19 recebeu atendimento e foi transferido para o hospital de campanha. Sem profissional para fazer a limpeza, segundo Isabel, os próprios trabalhadores estão se revezando nas tarefas de higienização do espaço físico. 

"Os funcionários da Prefeitura podem ficar doentes, mas o comércio tem que estar com higienização, tem que estar tudo certinho. Os da Prefeitura, que estão no combate tem que ficar nessa porquice?", desabafa.  

O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) foi procurado para comentar as denúncias, uma vez que também fizeram inspeção na unidade, porém, orientaram a reportagem a procurar a secretaria de Comunicação da Prefeitura, que também é responsável por responder quais ações que estão sendo feitas para minimizar os problemas relatados.  

Segundo Sismar, sala na USF está interditada após atendimento a paciente com covid-19 (Foto: Colaboração)

FALA, PREFEITURA!
Procurada, a secretaria da Saúde informa que o caso foi pontual e que vai realocar uma nova apoiadora de combate à covid-19 para prestar o serviço de limpeza na unidade de saúde mencionada na reportagem. A Prefeitura explica, por nota, que o contrato com a empresa Soluções foi suspenso pelo período de 60 dias no início deste mês como medida de gestão orçamentária e financeira. 

"Os serviços de limpeza da área da saúde estão sendo realizados por 52 apoiadores do combate à covid-19 da área de limpeza. Esses funcionários passaram por treinamento e muitos vêm do processo de suporte do hospital de campanha e das ações de combate ao coronavírus, e receberam os materiais de EPIs necessários para desenvolvimento da tarefa".  

Condições de trabalho também é uma reivindicação dos trabalhadores (Foto: Colaboração)

O documento enviado pela Prefeitura ressalta que a decisão de suspender o contrato com a empresa terceirizada é necessária junto com outras medidas de contenção de despesas. Segundo a administração municipal, somente no mês de abril houve queda de R$ 12 milhões na arrecadação, além da previsão de 23% de queda nos recursos advindos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). 

"O momento exige medidas de contenção de despesas com a finalidade de garantir recursos para a assistência necessária no combate ao Coronavírus para oferecer assistência às famílias vulneráveis com o agravamento da crise econômica, tudo isso sem prejuízo dos serviços públicos essenciais, mas priorizando o pagamento da folha dos servidores. Em breve, toda essa crise será superada e os contratos serão retomados, com as trabalhadoras e trabalhadores das empresas terceirizadas voltando aos seus postos e colaborando com a administração municipal". 

Por fim, a Prefeitura diz que em relação ao espaço utilizado pelos agentes comunitários de saúde, o local serve apenas de apoio para o trabalho, que é prioritariamente externo. Apesar disso, informa que, diante da denúncia, a enfermeira responsável técnica vai vistoriar o local para verificar se é necessário fazer alguma readequação do fluxo de funcionários ou até mesmo do espaço físico do local.

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