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cotidiano

Cheiro de infância e o gosto de pipoca da Praça do Daae

Local é ponto de encontro para araraquarenses de todas as idades

| ACidadeON/Araraquara


Praça do Daae é ponto de encontro de crianças, jovens e adultos (Foto: Amanda Rocha)
Quem passa pela Avenida Bento de Abreu sente de longe aquele cheirinho de pipoca e ouve aquelas risadas típicas de uma infância feliz. A Praça da Fonte Luminosa, também conhecida como Praça do Daae, foi fundada na década de 40, e é um dos patrimônios históricos de Araraquara. 

É difícil encontrar uma criança que nunca brincou no balanço, quis colocar a mão na água do chafariz ou correu atrás das bexigas, pipocas e churros que ficam no portão de entrada.
O bebedouro é quase que uma parada obrigatória para aqueles que estão pedalando ou correndo próximo dali.  

Mas, para alguns, a praça não é simplesmente um local que chama a atenção ou que lhe proporciona bons momentos, mas é a segunda casa. "Desde pequeno ajudando meu pai, aprendemos essa profissão de pipoqueiro. Meu pai vinha trabalhar e a gente sempre vinha com ele. Além disso, crescemos próximo daqui, a praça é uma segunda casa. É um lugar que trouxe e ainda traz muitas alegrias", afirma Paulo Cesar Alves de Morais, 56 anos, que tem um carrinho de pipoca em frente ao Daae.   

 

 



 
Assim como Paulo, seu irmão Renato Alves de Moraes, 64 anos, sempre acompanhou o pai em sua profissão. "Nossa família sempre foi da pipoca e estamos aqui há mais de 40 anos. Isso sempre foi minha vida, já tive outros serviços, mas sempre mantive a pipoca. Eu trabalhava durante o dia e vendia pipoca a noite. Meu pai tem quase 90 anos e só não está trabalhando por conta do coronavírus. Ainda assim, as vezes ele vem aqui e fica dentro do carro, olhando o movimento. Foi assim que sustentou seus dez filhos, que sustentou a casa. Acredito que se ele parar ele morre", destaca Paulo, que hoje também vende churros em frente a praça.   

Local recebe iluminação especial durante períodos de festa como a do Natal

Para ele, a Fonte Luminosa sempre foi um dos principais cartões postais da cidade, cartão que hoje necessita de cuidados. "O Daae está pouco valorizado, mas aqui sempre foi um lugar muito bom para a família, que não tem perigo. As crianças brincam e a família fica tranquila. Antigamente os carros entravam e estacionavam lá dentro, com o tempo, eles proibiram essa entrada e mesmo assim ainda tínhamos movimento. Agora, com a construção de bares e outros estabelecimentos ao redor, caiu em torno de 70% o nosso movimento. Pois muita gente que vem no Daae, acaba não tendo lugar para estacionar", ressalta.   

Na foto, João Lucas e Mariah, filho e sobrinha de Marcos, brincam no palco do Daae  (Foto: Arquivo Pessoal)
ROMANCES
A Praça do Daae também é um cenário de bons romances, como é o caso do analista de negócios em TI, Marcos Teixeira dos Santos, de 39 anos. Desde de adolescente, o local é quase que uma parada obrigatória, seja nas pedaladas da adolescência, para fazer um passeio romântico ou brincar com os filhos.   

"Frequento lá há mais de 30 anos. Durante meu namoro e casamento sempre passeava por lá. Foram três anos de namoro, um ano de noivado e 12 anos de casamento. Há um ano estamos separados, mas foi uma linda história que começou ali e hoje a história continua de um outro jeito, levo meus filhos Maria Eduarda e João Lucas para brincar, além dos sobrinhos. Para mim, essa praça significa muito, é um lugar para passar bons momentos com a família", destaca.   


HISTÓRIA
A praça abrigava a Estação de Tratamento de Água da Fonte Luminosa (ETA) Fonte, inaugurada em 22 de agosto de 1948, na gestão do Prefeito José dos Santos.
O atual chafariz da praça do Daae era um aerador e fazia parte do sistema de tratamento da água. Ao ser desativado recebeu adequações. Além dele, o local conta ainda o prédio da estação, o poço profundo da Fonte, adutoras e reservatórios enterrados, elevado e apoiado. 

Seja para brincar, beber água após pedalar, descansar após uma caminhada, ouvir música ou namorar, o local é uma ótima opção.  

A praça é aberta a visitação e possui vasta arborização, brinquedos para crianças e abriga, há 16 anos, aos domingos, o projeto Choro das Águas, com mostra de artesanato, atividades culturais e shows musicais.

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