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Pais se unem em grupo virtual contra a volta às aulas

O objetivo é lutar para que os estudantes sigam com as aulas virtuais

| ACidadeON/Araraquara

Pais lutam contra as aulas presenciais em 2020 (Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo)
A notícia da criação de um comitê municipal para discutir a volta às aulas não agradou pais e mães, em Araraquara, que são contra o retorno das atividades nas escolas. Um grupo de discussão em uma rede social que leva o nome "Não a volta às aulas em Araraquara em 2020" já reúne mais de 3.100 participantes.

A ideia de criar o grupo partiu da confeitaria Mari Alves, que tem três filhos na rede pública de ensino. Embora ainda não haja nada definido sobre uma data de retorno, já que medida depende, também, do governo paulista. Mari acredita que retornar das atividades escolares ainda neste ano não reduzia o impacto e deixaria as mães mais preocupadas.

O objetivo é lutar para que os estudantes sigam com as aulas virtuais. "Eu sou totalmente contra, pois acho que esse não é o momento e não vamos reaver nada do que foi perdido até agora e acredito que tenha muita gente comigo. Acredito que eles devam voltar quando tiver uma vacina ou um tratamento que funcione, pois até agora não tem nada garantido. Acredito que as aulas teriam que permanecer online. O ideal, na verdade, seria cancelar o ano letivo de 2020, como se nem tivesse existido", afirma Mari.

A mesma opinião é compartilhada pela professora de educação física, Josi Sordan. Ela tem um filho em idade escolar no município e alerta para o risco do retorno das atividades escolares neste momento da pandemia. A segurança só viria com uma vacina contra a covid-19.

"Mesmo que o prefeito e as autoridades decretem a volta as aulas, o meu filho não volta para a escola e está decidido. Sou a favor de continuar com as aulas online até o final do ano, mas coloca-los em risco desnecessário não, pois estamos no pico da doença. Estamos tendo uma média de mil mortes por dia. Ninguém no mundo está seguro até que tenha uma vacina para que tudo esteja seguro", ressalta.

Josi perdeu um filho de 11 meses em 2007. Ela teme que crianças tenham que ser entubadas por causa da contaminação com o novo coronavírus. "Eu como mãe, independente de não ter sido dessa enfermidade, eu sei o que é ter um filho no respirador. Acho que as pessoas não tem noção do que é essa doença e o que ela pode causar. Mas como eu já passei por isso e vi meu filho no respirador. E eu fico indignada com tudo isso, pois muitas pessoas ficam no respirador por conta dessa doença", afirma.

A criadora do grupo, a confeiteira Mari Alves, afirmou que vai acompanhar as ofensivas da Comissão Intersetorial da Educação de Araraquara. Um protesto, não está descartado. "Vamos esperar. Eu vou ver o que será feito e vou integrar esse comitê sim e se for preciso vamos para as ruas. Vamos fazer algo sim", finaliza Mari.

RESPOSTA
De acordo com a prefeitura, o objetivo dessa comissão será discutir e apresentar sugestões de protocolos sanitários e medidas seguras para quando se der o retorno às aulas dos alunos da educação municipal.

Segundo o Plano São Paulo de Flexibilização, a previsão é que as aulas em todo Estado retornem em setembro, mas isso depende de como estará a região. É preciso, por exemplo, estar há quatro semanas na fase amarela. Também vai se levar em conta a taxa de ocupação de leitos e a letalidade de cada região.




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