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A trajetória de talento e trabalho de Roseli Gustavo

A araraquarense foi a camisa 10 da seleção de basquete feminina mais vitoriosa da história e hoje trabalha no desenvolvimento de novos talentos

| ACidadeON/Araraquara

Roseli Gustavo foi jogadora de basquete na época de ouro do esporte; hoje trabalha desenvolvendo novos taletos (Foto: Sesi/Araraquara)
 
ON MULHER - ESPECIAL  

Talento e trabalho podem resumir a vida da atleta araraquarense Roseli Carmo Gustavo, de 49 anos. Mas ela vai além e diz: "estar no lugar certo e na hora que as coisas aconteceram é coisa de Deus".  

Roseli foi uma das jogadoras de basquete mais importantes do País. Com a ajuda dela, a seleção brasileira conquistou inúmeros títulos na década de 1990, como o mundial em 1994, na Austrália. "O basquete é minha vida e trabalhei muito por cada conquista", diz.  

Ainda criança, Roseli inspirada pela irmã mais velha adorava jogar basquete. Treinava no Ginásio da Pista e lembra com carinho das tardes batendo bola.  

Quando tinha 12 anos foi em uma disputa do colégio Divino Salvador, em Jundiaí. Lá foi vista pela equipe técnica de um time tradicional e foi convidada a mudar para Piracicaba.  

"O diretor do time de Piracicaba veio conversar com os meus pais para que eu mudasse de cidade. E com 12 anos parti para um time muito bom, era quase uma seleção. Lá já estavam jogadoras como a Paula, Janete, Nádia. Cai no time certo, na hora certa", conta.  

Roseli lembra com suor do começo da carreira. "Era um treinamento pesado, todos os dias, sem parar. Tinha dias que eu ligava para casa na esperança que minha mãe fosse falar pra eu voltar, mas isso nunca aconteceu".
 
Roseli Gustavo fez parte da seleção medalha de prata nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996 - camisa 10 (Foto: Reprodução)

DIVISOR DE ÁGUAS
Então, aos 19 anos, no auge da carreira Roseli fica grávida e a notícia assusta a todos. "Todo mundo acreditava que seria o fim da minha vida no esporte, mas foi exatamente o contrário. Meu filho, o Felipe, nasceu em outubro de 1991, no início da década de ouro do basquete. Tive parto normal e em dois meses voltei aos treinos. Em menos de um ano estava na seleção novamente e vencemos o pan-americano", diz.

Na década da vitória teve o pan-americano, em Cuba, em 1991; um Mundial, em 1994 e um vice-campeonato nas Olimpíadas de 1996. "Voltei da maternidade ainda mais forte", brinca ela.

Roseli conheceu o mundo graças ao basquete, provou que mulher pode ser o que quiser. "No começo meu pai não acreditava muito que eu seria jogadora. Ele botou fé mesmo quando fui convocada para a seleção aos 16 anos. Mas mostrei para todo mundo que eu podia jogar basquete e joguei. Fui onde o esporte me levou e sou grata por isso", reforça.
 
Roseli Gustavo foi homenageada recentemente em um jogo com as estrelas do basquete feminino (Foto: Tetê Viviane)

A VOLTA PARA CASA
Araraquara sempre permeia as doces lembranças da infância de Roseli. Seja pelo Parque do Pinheirinho, onde fazia piquenique com a família ou ainda na Estação Ferroviária, onde o pai trabalhava como maquinista e ela e os irmãos esperavam o trem que os levava para São Paulo, durante as férias, na casa de parentes.  

E depois de 20 anos rodando o mundo, em 2005, Roseli retornou para Araraquara. "Voltei para jogar em um time que estava se formando, depois estudei, fui auxiliar técnica e agora trabalho no desenvolvimento do esporte", explica.  

"Estar na minha cidade, trabalhando com o esporte é o maior prazer que tenho na vida. Tive oportunidades de morar em outras cidades, em outro país, com meu filho e agora com meu neto, mas eu escolhi Araraquara e escolho todos os dias, porque acredito que podemos fazer sempre mais através do esporte", finaliza.


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