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Laços de pai pra filho e uma eternidade de cuidados

Conheça duas histórias de amor onde a dedicação é a palavra chave

| ACidadeON/Araraquara

 

ESPECIAL DIA DOS PAIS 

Um pai não possui cordão umbilical, mas cria, por meio de braços e afagos, laços inquebráveis ao longo da vida.
Para a criança, o pai é um herói sem capa, que cuida e protege sem medir esforços.  

Heróis como o fisioterapeuta Fabiano Pereira, de 46 anos, pai do pequeno Augusto de Emílio Pereira, 11, que nasceu com paralisia cerebral. Fabiano nadou contra corrente e passou a correr atrás do melhor método de tratamento para seu filho.
Quando encontrou, ele fez o curso e criou uma clinica exclusiva para o pequeno Augusto. 

AMOR DE PAI PRA FILHO
Fabiano e Fabiana aguardavam felizes a chegada de gêmeos, mas o atraso no parto causou a morte de um filho e a deficiência em Augusto. Naquele momento, os pais sabiam que teriam um filho especial, mas, talvez não tivessem noção de como ele seria especial e o quanto iriam aprender com ele.  

"Num primeiro momento foi uma tristeza enorme, parece que nos tiraram o chão. Depois que tudo passou, buscamos uma maneira de tratar o Augusto. Recorremos a fisioterapia, pelo método Bobath, mas vimos que a evolução era muito pequena, então buscamos um método que pudesse agregar", conta o pai.  

Fabiano e seu filho: superação e amor (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)

Augusto começou a realizar paralelamente a hidroterapia e equoterapia, mas para os pais, ainda faltava algo. Foi nessa busca implacável de permitir que o filho se desenvolvesse, que eles encontraram o método Thetasuit, que não existia em Araraquara, apenas em Campinas.  

"Foram realizados quatro módulos, mas logo no primeiro já era possível observar uma grande evolução. Algo começou a martelar na minha cabeça. Eu já era fisioterapeuta, por que não fazer algo para ajudar meu filho? Muitas pessoas me desencorajavam de tratar o Augusto, pois falavam que não daria certo o pai tratar do próprio filho. Mas, ainda bem que fui teimoso e fiz o curso do método Thetasuit, pois além de uma ótima interação fisioterapeuta-paciente, temos hoje uma enorme cumplicidade. Fazer fisioterapia no meu filho só fez nossos laços se fortalecerem ainda mais", relata Fabiano. 

Ele explica que foi pensando na evolução do pequeno Augusto que começou a montar uma clínica no fundo de sua casa. A ideia era tratar o filho, mas as pessoas acabaram se interessando pelo método.  

"A clínica foi toda pensada para o Augusto, para a evolução dele. Fui registrando tudo nas redes sociais e por fim, outras pessoas acabaram pedindo para fazer o método também. Augusto teve uma evolução fantástica, consegue transitar bem com sua cadeira de rodas. Isso me emociona demais como pai", ressalta.  

AMOR DE FILHO PRA PAI
Pais são heróis até mesmo quando a velhice chega e a memória já não é mais a mesma. Gustavo Freitas, de 38 anos, abriu mão de viver a própria vida para se dedicar ao pai, o aposentado Moacyr Freitas, 86. 

"Meu pai é meu maior orgulho, é um exemplo de homem. Trabalhou a vida inteira, foi uma pessoa muito querida e reconhecida em Araraquara. Quando falo que sou filho do seu Moacyr do Dom Manoel as pessoas me tratam com muito carinho", conta.  

Moacyr de Freitas e seu filho Gustavo lembram os pratos cardápio do restaurante "Dom Manoel" (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)

Gustavo conta que viveu uma infância maravilhosa e que os laços com seu pai foi firmado quando seus irmãos casaram e ele ficou morando sozinho com o pai.  

"Passamos por momentos difíceis, principalmente quando perdemos o restaurante da família e que muitos acabaram virando as costas para o meu pai. Depois encaramos uma suspeita de câncer, mas graças a Deus não era. Quando a cabeça que começou a enfraquecer e esquecer das coisas, imediatamente eu assumi o controle da cozinha em casa e passei a me dedicar 100% a ele. Eu abri mão de um grande amor que tive, por não querer sair de casa e deixar ele sozinho, mas meu pai em primeiro lugar sempre", ressalta.  

Gustavo explica ainda que nunca gostou de dirigir, mas quando viu seu maior herói envelhecer, não teve jeito. Tirou carta e comprou um carro, para que pudesse ser levado para médico e onde mais fosse preciso. "Eu faria quase tudo de novo se fosse preciso. Digo quase, pois tem coisas que eu errei e não cometeria o mesmo erro. Mas, são coisas da vida e serviu para minha evolução", relata.

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