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Chega ao fim a greve dos funcionários da Santa Casa

Sindicato da categoria entrou em acordo com o hospital, decisão foi tomada na última quinta-feira (08)

| ACidadeON/Araraquara

Santa Casa de Araraquara (Foto: Amanda Rocha)

Uma semana antes da greve anunciada pelos funcionários da Santa Casa, o Hospital e o Sindicato que representa a categoria chegaram em um acordo e colocaram um ponto final no movimento grevista.

A decisão foi tomada na tarde da última quinta-feira (08) mas só ganhou publicidade agora. O Sindicato dos Trabalhadores nos Estabelecimentos de Saúde (Sinsaúde), aceitou a proposta de reajuste de 2.05%
nos salários, a partir de novembro, e de aumento de R$ 10 reais no ticket alimentação, retroativo a setembro.

A proposta é inferior ao que era reivindicado pela categoria, como 2,05% de reajuste nos salários, retroativo a junho, R$50 reais a mais no benefício, além de 10% de abono sobre a folha de pagamento bruta.

A presidente da subsede do Sindicato em Araraquara, Claudete Defavere, afirma que não sai satisfeita da negociação e que pesou o medo dos funcionários. Ela se emocionou ao falar sobre a situação e que estavam pedindo o justo para a categoria.

"Fomos até onde dava, só que na segunda conversa com funcionários eles se sentiram muito acuados, com medo e eles decidiram não ir pra guerra. Nós estávamos pedindo o justo. Eu me emociono porque também sou trabalhadora da Santa Casa, estou lá há 33 anos e não somos valorizados", contou em meio a lágrimas.

Desde maio, o Sindicato que representa 900 trabalhadores tentava um acordo e, no início deste mês aprovaram a greve, caso as reivindicações não fossem atendidas.

Segundo o diretor do hospital, Rogério Bartkevicius, a Santa Casa buscava atender às exigências da categoria, porém, dentro das condições financeiras da instituição. Atendendo a proposta, o movimento grevista chega ao fim dias antes de começar.

"Movimento esse que a gente entendia que não fosse oportuno, porque a Santa Casa apresentou as propostas, não se furtou a apresentar e a renegociar com o sindicato, e principalmente pela importância a regional que a Santa Casa tem para 24 munícipios, e atendimento as emergências e urgências, e no atendimento a covid dos casos mais graves", frisa.

Na avaliação de Claudete Defavere, foi uma derrota dos funcionários. Segundo ela, somando o reajuste, referente ao índice de preços ao consumidor (INPC), que é utilizado na data base, e o aumento do benefício, a categoria deixa a negociação com um ganho de cerca de R$ 40 reais.

"A gente não trabalha pura e simplesmente pelo dinheiro, lógico que todo mundo precisa sobreviver, mas poucos conseguem estar dentro do hospital e não falo só da área de enfermagem, somos várias áreas de apoio, manutenção, recepção, lavanderia. Não é fácil estar dentro do hospital, mexer com a vida e com a morte a cada piscar de olho", enfatiza.

Para Rogério Bartkevicius, este foi um ano atípico, inclusive, com a falta de repasses de serviços prestados aos SUS e particulares, que impactaram na receita do hospital.  

"A Santa Casa se manteve firme cumprindo com a sua obrigação e missão com o pagamento do salários dos colaboradores, em momento algum utilizamos dos dispositivos da medida provisória, que seja redução de jornada de trabalho, de salário, ou afastamento dos funcionários sem remuneração. Não tivemos atraso no pagamento dos colaboradores e nem deveríamos, embora a gente não tenha adimplência por parte do serviço que a gente prestou", conclui.

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