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ONG de Araraquara ajudou a encontrar dez mil pessoas desaparecidas

No Dia Internacional da Criança Desaparecida, conheça da história de Zinho Uirapuru, da ONG Areia, que pede ajuda para continuar

| ACidadeON/Araraquara

Zinho Uirapuru já ajudou a encontrar cerca de dez mil pessoas desaparecidas (Foto: Milton Filho/CBN Araraquara)
Há 33 anos ajudando a encontrar pessoas desaparecidas no mundo todo, a ONG Areia (Agrupamento de Rádio Emissão Independente Araraquara) ajudou a encontrar cerca de dez mil pessoas desaparecidas e pede ajuda para continuar realizando o trabalho voluntário. 

Nesta terça-feira (25), Dia Internacional da Criança Desaparecida, o fundador da ONG Areia, José Aparecido Pessetti, de 60 anos, mais conhecido como Zinho Uirapuru, relembra sua trajetória até aqui e pede ajuda da população para continuar ajudando a encontrar pessoas desaparecidas e realizando trabalho social no Jardim Alberto Roxo, onde mora. 

Zinho diz que ajudar as pessoas é o motivo para fazer o trabalho voluntário há tantos anos. "Deus me deu esse dom para solidariedade e cada pessoa que ajudamos ou encontramos, fico mais motivado a ajudar. Mesmo não conhecendo as pessoas, a cada história a gente chora, a adrenalina vem a mil", conta. 

Para continuar ajudando as pessoas, Zinho também precisa de ajuda. "Estamos passando por dificuldades, precisando de um computador e uma HD para poder continuar divulgando as fotos e vídeos das pessoas desaparecidas. Também precisamos de folha sulfite, folha de papel fotográfico e fitas adesivas para fixar os cartazes pela cidade", explica. 

Quem puder ajudar a ONG Areia pode entrar em contato com Zinho pelo telefone (16) 9-8848-8301. "Hoje temos 4 mil pessoas no mundo todo que são voluntárias e ajudam a encontrar pessoas desaparecidas. Temos também parceria com a Polícia Militar, Civil, Conselho Tutelar e com o Fórum, que sempre ajudam em situações mais difíceis e que envolvem crianças. A história mais recente é de uma menina de 13 anos que morava no Indaiá, desapareceu e um caminhoneiro entrou em contato comigo porque achou ela na rodovia", recorda. 

SOLIDARIEDADE
A ONG Areia foi fundada em 1988, quando virou febre em Araraquara usarem o rádio amador para brincar de encontrar alguém. Com informações transmitidas das residências ou veículos, as pessoas disputavam para ver quem achava o "tesouro" primeiro para ganhar o troféu. Zinho, porém, viu que a ferramenta poderia ser mais útil. 

Na dúvida, comprou o rádio para testar e logo de cara já teve sua primeira missão: achar o cachorrinho de uma menina, que não comia há dias com saudade do animal de estimação. "Peguei uma foto e colei em vários postes da cidade. Rapidinho encontrei o cachorro", recorda. 

A segunda missão de Zinho foi encontrar um medicamento caro e raro que não existia no Brasil para um rapaz com problemas cardíacos. "Conversei com tanta gente pelo rádio, que um médico na França ajudou e mandou várias caixas cheias pelo aeroporto", conta. 

Depois, foi a vez de encontrar o cavalo de um morador do Santana, "que andou tanto e foi parar em Santa Lúcia". "Aí eu pensei: se consigo encontrar cachorro, medicamento e até um cavalo que saiu da cidade, acho que posso ir além e ajudar a encontrar pessoas desaparecidas", explica. 

Desde então, Zinho se dedica dia e noite para ajudar famílias não só de Araraquara, mas de todo o Brasil. Ele nunca deixou de trabalhar e nem recebe por prestar esse serviço de utilidade pública, muito pelo contrário, usa o que tem e o que não tem para ajudar o próximo. Atualmente, ele também realiza um trabalho social, ajudando na impressão de currículos e fazendo a ponte entre quem precisa de ajuda e quem pode ajudar, encontrando andadores e cadeiras de roda, por exemplo.  

ONG Areia precisa de ajuda para continuar fazendo trabalho voluntário (Foto: Milton Filho/CBN Araraquara)


RÁDIO E INTERNET
Nesses 33 anos de trabalho voluntário, Zinho foi se modernizando. Ele costuma filmar o depoimento da família para divulgar o pedido de ajuda na internet. Além disso, filma os reencontros, pois acredita que o final feliz é importante também. 

Com a demanda crescendo e as contas também, em 2016 ele precisou vender seu rádio, aquele mesmo, comprado em 1988. "Uso muito o telefone para ligar para outros estados, buscar pistas, procurar. Veio 800 reais de conta, cortaram minha linha, não tinha mais jeito", conta. 

Normalmente, é Zinho quem faz o meio de campo para encontrar os desaparecidos. "Não gosto de colocar o telefone da famílias no cartaz, porque às vezes tem gente que passa trote e ilude as pessoas, então prefiro eu ir atrás e só avisar quando dá certo", explica. Com um computador antigo e sem ajuda, porém, fica cada vez mais difícil continuar ajudando as pessoas.


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