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cotidiano

Bombeiros comentam como é o dia a dia em tempos de queimadas

Segundo a Defesa Civil, houve 70% de aumento nas queimadas neste ano

| ACidadeON/Araraquara -


Cabo Velosa, Sargento Portunelli e soldado Juliany da Silva (Foto: Amanda Rocha)
2021 é um dos anos mais assustadores em relação a incêndio e queimadas na região. No último levantamento da Defesa Civil, dados apontam um crescimento aproximado de 70% dessas ocorrências. 

O fogo nem sempre acontece por causas naturais, em muitos casos o homem é o culpado. Independente de quem seja a culpa, do local atingido ou da hora das ocorrências, surgem o que muita gente chama de heróis... os bombeiros. 

A reportagem do ACidadeON e da CBN estiveram no Nono Grupamento de Bombeiros, em Araraquara, pra ouvir e tentar sentir ao máximo como é enfrentar um incêndio de grandes proporções, como aconteceu no parque pinheirinho ou o que atingiu rincão em agosto.  

TAL PAI TAL FILHA 
Juliany da Silva, soldado, bombeira de prontidão e única mulher na corporação. Ela atua na linha de frente com as ocorrências. Foi com o pai, ex-bombeiro, que ela ganhou o exemplo e decidiu se arriscar pra salvar vidas. 

"Tenho o exemplo dentro de casa que é meu pai, foi bombeiro e no dia que ele aposentou eu assumi aqui. Ver meu pai fazer o serviço me conquistou, desde pequeninha ele me trazia no quartel", lembrou.  

A soldado Juliany da Silva em ocorrência (Foto: Amanda Rocha)

O trabalho começa ao sair de casa, é o exercício com a mente. Juliany contou que no caminho até chegar a corporação passa todas as possibilidades de ocorrência, principalmente de grandes incêndios. 

"Infelizmente já saímos de casa com pensamento que vai ocorrer incêndio, ainda mais nessa época do ano que é fatal ocorrer queimadas. Ficamos tristes, porque é a natureza , os bichinhos, e pensamos em tudo, é uma coisa bem difícil depois para tudo se recuperar", contou. 

E assim como qualquer um, os bombeiros sangram, tem ansiedade, preocupação. Agora imagina ir pra uma ocorrência sem saber com o que vai se deparar. 

"A ocorrência que mais me tocou foi a queimada de Rincão, que foi de grande proporção, atingiu muito bichos e é o quem deixa mais triste. Não sinto medo mas tristeza, o medo é do que pode vir , o que podemos encontrar", disse.  

QUEIMADAS SEM FIM 
O Adilson André Portunelli é sargento e atua na área há 29 anos. Em em todo esse tempo de carreira, pra ele 2021 é o ano que mais chama atenção pelo alto número de ocorrências. 

Os casos são tantos que as equipes precisam se dividir pra impedir que alguma área seja irrecuperável.  

Sargento Portunelli com equipamentos dos Bombeiros (Foto: Amanda Rocha)

"Na queimada do Parque Pinheirinho tínhamos ao mesmo tempo ocorrência em Rincão e Boa Esperança do Xul e chegando no local nos deparamos com um grande incêndio e nossa preocupação era proteger os santuários dos animais. E mesmo com pouca gente demos conta do recado", informou. 

Além de sargento, o Adilson é pai e não tem experiência no mundo que tire as filhas do pensamento enquanto ele combate o fogo. 

"As vezes pegamos acidente com vítimas da idade das filhas, e ficamos emocionados, mas isso é do ser humano, né", pontua. 

O cabo de bombeiro e motorista do caminhão, Antônio Carlos de Freitas Velosa também faz parte do Grupamento de Araraquara. Assim como os colegas, ele também atua no combate aos incêndios.  

O cabo contou que em alguns casos a área atingida é tão grande que traz a sensação de impotência. 

"É muito triste, e algumas vezes nos sentimos impotentes de fazer alguma coisa porque já está tudo queimado em um cenário de devastação", pontua.  

MEU PAI, MEU HERÓI 
Assim como o sargento Portunelli, o Velosa também é pai, ele fala que não tem sensação mais gostosa do que ter o trabalho reconhecido pelos filhos. E mesmo os filhos colocando o pai como exemplo, o cabo Velosa assume que não se sente um herói. 

"Eu acredito que pra eles quando eu saio de casa é mais um dia que o pai deles vai ajudar alguém e eu fico feliz em poder ajudar. A sensação de ajudar é maravilhosa mas não me sinto herói de forma alguma, mas quando consigo ajudar a sensação é muito boa", comentou.  

Cabo Velosa é também motorista (Foto: Amanda Rocha)

Além de bombeiros, existe um ser humano, com família, medo, preocupação. Mas ao mesmo tempo, sobra coragem, até porque ser bombeiro é superar desafios e tá no sangue. 

"É superar desafios e ajudar as pessoas, isso está no sangue, o que a gente puder faze para ajudar as pessoas iremos fazer, esse é nosso legado", finalizou o sargento.
 

Grafite em homenagem aos Bombeiros de Araraquara (Foto: Amanda Rocha)

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