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Torresmo coloca bar de Araraquara na rota dos ciclistas

Tradicional bar na Chácara Flora entrou para rota dos ciclistas de toda a região com uma receita secreta de torresmo

| ACidadeON/Araraquara -

 

Torresmo do Botecão do Robinho é famoso e atrai ciclistas até de fora de Araraquara (Foto: Amanda Rocha)
São 16h40 de uma sexta-feira quente em Araraquara. As pessoas começam a chegar, em uma mesa, um trio animado de idosos brinda o dia com uma gelada, enquanto crianças assistem a uma programação infantil na televisão. Em outra mesa, um casal belisca o famoso petisco do Boteco do Robinho: o torresmo. 

Essa cena é rotineira no local e exemplifica o público diverso que há 30 anos frequenta o espaço na Chácara Flora, na Avenida Antônio Carvalho Neto. 

O Botecão está na segunda geração de proprietário, e faz parte do imaginário sertanejo dos araraquarenses com seus bailões, jukebox, e claro, o clássico torresmo. 

O comerciante araraquarense Robson Aparecido Ribeiro, de 44 anos, cresceu com as portas de aço de bares abrindo e fechando. 

Nos anos 90, seu pai começava uma venda tímida em sua casa, próximo onde hoje é o bar. De lá para cá, muita coisa mudou no bar e inclusive na Chácara Flora, que de um bairro "rural" se urbanizou. 

"Vi as transformações aqui na Chácara Flora, tinha vaca que meu pai criava, era zona rural, há 30 anos atrás era totalmente diferente. Nos anos 90 meus pais abriram uma venda em nossa casa, e atendia pela janela. Onde é o bar era uma plantação de café e eu ajudava meu pai na colheita. Desde que me entendo por gente meus pais sempre tiveram comércio", comentou.  

Bar é também mercearia e atrai público diverso na Chácara Flora (Foto: Amanda Rocha)

PÚBLICO SERTANEJO
Robson conta que o bar é muito conhecido pelos bailões sertanejos que promovia e sempre foi frequentado por um pessoal mais velho e "rústico", mas com a pandemia do coronavírus muita coisa mudou. 

Uma coisa que não pode faltar no bar é música, e para isso uma jukebox das antigas toca os sucessos do forró e da música sertaneja. Rock e funk não tocam por lá e nem tem a opção na máquina, não é o perfil. 

"Nosso público sempre foi mais o pessoal dos bailões, somos conhecidos pelo forró e música sertaneja. O pessoal daqui não é o que gosta de jogo, a maioria que vem aqui gosta de música por causa do bailão, então sempre tem jukebox funcionando, aí eles já começam a dançar, é sempre assim", contou. Por enquanto, ele não pensa em retomar música ao vivo. 

Jukebox anima os clientes que sentem falta do bailão de forró do bar (Foto: Amanda Rocha)

PANDEMIA E CICLISTAS
Como lá também funciona uma mercearia, na pandemia tudo seguiu funcionado, apesar das dificuldades impostas pelo de lockdown para conter a disseminação do coronavírus em Araraquara. 

Nisso, ciclistas que costumavam pedalar para Bueno de Andrada, descobriram o boteco no meio do caminho e o local virou parada obrigatória. 

Como a praça de alim entação de Bueno estava interditada na pandemia, a "janelinha" da mercearia do Robinho foi a salvação dos ciclistas, e também do bar.  

Robson com o famoso prato de torresmo (Foto: Amanda Rocha)

Robson contou que passaram por um momento difícil com as portas fechadas e os ciclistas foram fundamentais.
"Graças a Deus os ciclistas chegaram aqui e deu certo", disse. 

Tanto que o proprietário colocou bancos de madeira do outro lado da rua para a galera do pedal consumir o que comprava na mercearia. E assim, o torresmo ganhou mais uma porção de consumidores ávidos. 

"Eles vem atrás do torresmo, é a "barrinha de cereal" deles, dá energia", riu.  

Maicon Moreno é um dos ciclistas que não desvia mais a rota do bar.

"Faz já um tempo que passava por aqui e sempre tinha curiosidade de descobrir o que tinha aqui. Aí decidimos parar aqui e nunca mais desviamos a rota. É um caminho do pedal e nosso happy hour para reabastecer as energias com o melhor torresmo da cidade", comentou.

RECEITA DE FAMÍLIA
A receita do torresmo é segredo de família. Ângela Aparecida de Oliveira, comerciante e esposa do Robson, comanda as panelas do bar há 22 anos. 

São cerca de seis quilos de torresmo por dia, mas no final de semana, a quantidade é maior. E o cardápio vai além: tem panceta, frango assado, joelho de porco assado e até costela no chão. 

O cardápio tradicional e caipira fisgou clientes até de fora da cidade. Cavalgadas são realizadas uma vez por ano por lá e atraem muita gente.  

Robson e Ângela comandam o Botecão na Chácara Flora (Foto: Amanda Rocha)

"Hoje em dia, o pessoal conhece nosso bar por causa do torresmo. Fazemos cerca de seis quilos por dia, mas no final de semana sai mais. A maioria dos frequentadores é de fora, vem ciclista de Borborema atrás do torresmo", contou. 

Robson também é salgadeiro e põe a mão na massa: faz os pastéis e esfirras da casa. Tudo o que ele sabe aprendeu vendo seus pais fazendo em outros bares que tiveram na cidade, no Jardim Del Rey e no Santa Angelina. 

"O bar é minha vida, meus pais nos criaram com esse comércio e hoje eu também crio meus filhos com esse bar, pra mim é tudo, não me vejo fazendo outra coisa", encerrou.

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