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cotidiano

Associação Sacrário de Amor pede socorro em Araraquara

Cerca de 30 moradores em situação de rua são atendidos por associação; local passa por dificuldades e sobrevive com doações e vendas de balas

| ACidadeON/Araraquara -

Dona Maria Lúcia e Associação Sacrário de Amor (Foto: ACidadeON)

Em 2016, a aposentada Maria Lúcia Batista Akutsu, 68 anos, sentiu um chamado de Deus e começou a acolher moradores em situação de rua em sua casa. 

Católica, através de sua aposentadoria, ela começou na fé, raça e coragem a Associação Sacrário de Amor. 

A entidade acolhe hoje cerca de 30 moradores em vulnerabilidade e situação de rua de Araraquara e região. Lá, eles ficam por seis meses para desintoxicação de drogas e álcool, e no momento três idosos são moradores fixos, pois perderam contato com familiares. 

"Foi um chamado de Deus, eu achava que era só trazer os meninos para cá, não imaginava toda burocracia que tive que enfrentar", comentou. 

A aposentada é moradora do Cecap e tem três filhos biológicos. Porém, sua família se estende aos 30 homens que acolhe no espaço. Ela é uma verdadeira mãe para todos, a "mãe Maria". 

Com vocação para a evangelização, Dona Maria Lúcia já passou por várias comunidades da cidade e igrejas levando o evangelho. 

E não ficou só no Brasil. Há 10 anos, a missionária também ajudava moradores de rua do Japão, onde morou por vários nove anos. 

"Eu sempre evangelizei na igreja, sou da Renovação Carismática Católica, evangelizava por muitas igrejas e comunidades, morei no Japão por nove anos e evangelizava por lá, levava alimentos para moradores de rua. Voltei para Araraquara há uns 10 anos e faço um trabalho de espiritualidade", lembrou.  

Dona Maria Lúcia e moradores rezam antes das refeições no Sacrário de Amor (Foto: ACidadeON)

DIFICULDADES
Apesar de todo esforço e luta, a entidade tem passado por muitas dificuldades e sobrevive de doações.  

O aluguel do espaço é em torno de R$ 1,5 mil, e a conta de luz também vem no mesmo valor, fora a água, alimentação e manutenção do espaço. Os moradores vendem balas de coco de porta em porta a R$ 20 o pacote para colaborar com a renda. 

"É muito difícil pagar as contas de água e luz no final do mês. A conta de luz vem R$ 1,5 mil por mês, é muito caro, a gente faz bala de coco para tentar sustentar a casa, os meninos saem na rua, passam em casa por casa. A receita é minha e a gente faz junto. É o único extra. Esse dinheiro é o nosso pão de cada dia", contou.

Dona Maria explicou que uma das maiores dificuldades é adequar a cozinha e o refeitório do espaço, além de uma capela para orações. Todos os moradores se alternam na cozinha, limpeza e demais cuidados com o local. 

Moradores rezam antes das refeições no Sacrário de Amor (Foto: ACidadeON)

"Eu preciso muito hoje de ajuda com uma cozinha maior e mais adequada, um refeitório e uma capela. Precisamos de material de construção e de um engenheiro que acompanhe a obra, doação de alimentos, mão de obra a gente tem aqui, porque muito dos meninos sabem mexer com isso", frisou. 

RECUPERAÇÃO DE FÉ
Há cinco anos, o coordenador e presidente da Associação, Júlio César Santos de Jesus, 34 anos, chegou lá como morador em situação de rua. Hoje ele é exemplo de determinação e mudança de hábito. Em qualquer tipo de saída dos moradores, ele que os acompanha. 

"No início foi difícil porque é complicado a gente se adaptar a uma vida diferente, mas aos poucos fui me adaptando. A recuperação é algo muito difícil. Vou sair daqui com a cabeça erguida porque essa casa me devolveu a vida, dona Maria me ajudou muito, e hoje eu caminho graças ao trabalho que dona Maria fez", comentou. 

Com os olhos marejados, Dona Maria contou que teve casos de moradores que voltaram para mostrar o diploma dos estudos concluídos e para agradecer. 

"Muitos voltam para as ruas, mas tem aqueles que se recuperam, voltam a estudar e tive casos de alguns que voltam para me mostrar o diploma dos estudos. O Júlio chegou aqui dilacerado e hoje é meu braço direito. Somos uma família", disse. 

Júlio comentou que o que mais o preocupa é o terreno alugado, e por isso fica complicado construir algo como o refeitório e cozinha adequada.
"O que nos preocupa é o terreno, é nossa maior prioridade para a gente construir adequadamente o que precisamos, porque pagamos aluguel e é muito difícil pra gente. Nossa prioridade é regularizar com a Prefeitura para desapropriar e erguermos o resto, porque não adianta a gente construir em um terreno que não é nosso", apontou.  

Dona Maria Lúcia e o ex-morador em situação de rua Júlio de Jesus. Hoje ele é coordenador e presidente do projeto (Foto: ACidadeON)

Júlio contou que não se vê muito tempo longe do grupo do Sacrário de Amor.
"Criamos um vínculo igual família porque somos uma família. Eu vou na casa da minha mãe em São Carlos uma vez por mês, mas minha casa é aqui", finalizou. 

COMO AJUDAR?
Para doações em qualquer valor
Banco Sicredi Banco: 748 Agência: 3009 Conta 17369-0
CNPJ: 27.049.639/0001-18
Telefones: 16 33580225 / 16 99644-0453
Endereço: Avenida Pedro Larocca 1409 Jardim Santa Adélia - Araraquara


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