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"Meu mundo desabou", diz viúva de motociclista morto em acidente

Ângela Maria era casada com Elias Bernardo; ele estava em uma moto que bateu na traseira de um caminhão, no Jardim Higienópolis

| ACidadeON/Araraquara -

 

Elias e Ângela estavam juntos há 13 anos quando houve o aciente (Foto: Arquivo Pessoal)

Buscando forças em Deus, nos filhos e nos netos. A vida da Ângela Maria Alves Bernardo, de 50 anos, tem sido assim, desde que perdeu o companheiro em um acidente de trânsito, em outubro do ano passado, em Araraquara. 

Ângela era casada há 13 anos com Elias Goes Bernardo. Ele estava em uma moto que bateu na traseira de um caminhão, no Jardim Higienópolis. Na época, tinha 38 anos. 

"É uma coisa que a gente nunca espera que vai acontecer. Não esta sendo fácil ficar sem ele, é muito difícil. A gente era muito próximo, fazia tudo junto, tudo. Tudo o que a gente ia fazer, era eu e ele. Quando falaram que ele tinha falecido desse jeito, meu Deus do Céu, meu mundo desabou", disse ao portal acidade on

Câmeras de segurança registraram o momento em que o caminhoneiro dá ré com o veículo ao passar pela Avenida Padre José de Anchieta. Instantes depois, sem perceber, o motociclista que vem logo atrás tenta desviar, mas não consegue e bate na lateral do caminhão.  

"É uma imprudência uma pessoa dar ré com o caminhão em uma pista. Ele foi muito imprudente. Esperamos que ele pague", desabafou a viúva.

Elias morava no Jardim dos Industriários, na zona sul de Araraquara, e estava levando um amigo até um banco. O carona também se feriu, mas sobreviveu a colisão.   

A reportagem não conseguiu localizar a defesa do caminhoneiro para comentar o assunto. 

Câmera de segurança flagrou o momento do acidente que vitimou um motociclista (Foto: Amanda Rocha/ acidade on)

ANO MAIS LETAL 

Com 42 mortes, 2021 foi o mais letal dos últimos cinco anos, segundo o InfoSiga - banco de dados que reúne informações de acidentes de todo Estado. 

Vítimas em motos representaram a maioria das mortes (17), seguida por pedestres (13). Das causas de acidentes, os atropelamentos foram os mais comuns, com 33% do total. 

O especialista em trânsito e professor da Universidade de São Paulo (USP), José Leomar Fernandes Junior, ressaltou que os números têm mostrado que as campanhas não têm sido efetivas. Segundo ele, 90% dos acidentes são causados por fator humano. 

"As motos representam um elemento frágil. O motociclista não tem a proteção do veículo, como os automóveis. Nós também observamos abusos, principalmente, com a pandemia, com os serviços de entrega. A maior demanda levou um aumento de velocidade e, consequentemente, a imprudência faz com que os acidentes aumentem em número e gravidade", pontuou o especialista. 

Outra explicação está na fragilidade e na desatenção de pedestres. "Ele também precisa ficar atento e não se distrair. É o conceito de prevenção, ainda que não seja de direção preventiva, mas de cuidado, prevenção. O uso de celular, por exemplo, faz com que ele não fique atento", explicou. 

José Leomar Fernandes Junior é professor da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos (Foto: Reprodução/ EPTV)
 

MAIO AMARELO 

O Maio Amarelo foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para alertar sobre a prevenção de acidentes de trânsito. O objetivo é reduzir mortes e gravidades. 

O especialista apontou pilares centrais deste processo, como velocidade, uso de celular e ingestão de bebida alcoólica e outras droga, além de equipamentos de segurança obrigatórios, como uso do cinto no banco traseiro, inclusive, no transporte coletivo em viagens interurbanas. 

Para José Leomar, é um período importante, mas que precisa ser lembrado em todos os outros meses do ano. "Para que esses efeitos sejam permanentes e deflagradores do processo de conscientização", concluiu. 

No primeiro trimestre deste ano, Araraquara registrou três mortes no trânsito, sendo duas em carros e uma em motocicleta.

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