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Inadimplência no 'Minha casa, Minha vida' cresce em Araraquara

Número de beneficiários com atrasos nas parcelas subiu 40% na cidade, neste ano; crise econômica figura entre os motivos

| Araraquara.com

Tribuna Araraquara
Após a demissão do marido, Fabiana ficou sem ter como pagar a parcela da casa (Reprodução/EPTV)


O número de pessoas com parcelas do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” cresceu 40% nos últimos meses, em Araraquara, por conta da crise econômica. A perda do emprego tem sido um dos principais fatores para a inadimplência dos mutuários.

Há 3 anos, a dona de casa Fabiana de Jesus Martinez Ribeiro realizou um sonho de conseguir a casa própria. A parcela é R$ 36, mas há um ano o marido foi demitido da empresa em que trabalhava e as contas foram acumulando.

“Estamos sem condições. A minha mãe tem que ajudar a gente com comida e com fraldas para a neném. Às vezes, eu peço doação na igreja para poder comer porque senão não tem como”, contou. Agora já são 12 prestações em atraso. Além disso, ainda tem boletos de água, de luz e dos móveis da casa. “Era um sonho e virou pesadelo, tudo atrasado desse jeito, vem cobrança. A gente tem que pagar os móveis, a casa, mas estamos sem condições, não tem renda de lado nenhum”, desabafou.

Problema geral
No Estado de São Paulo, cerca de 30% estão em débito. Segundo o Ministério das Cidades, a partir de três meses de atraso os bancos já podem entrar na Justiça contra o devedor. Em São Carlos, a situação é parecida: 22,6% dos mutuários estão com parcelas com atraso de até 90 dias. Em Rio Claro, 19,3% estão inadimplentes.

Salário estagnado
Para o economista Sandro Gonçalves, os salários não acompanharam o aumento de gastos e esse pode ser um dos motivos para o crescimento da inadimplência.

“Toda aquela parcela que era destina a alimentação, vestuário, transporte e lazer consome uma parte cada vez maior do orçamento dessas pessoas, sobrando muito pouco dinheiro para o básico e muito menos para pagar uma prestação de residência”, explicou.

Renegociação pode evitar mais problemas
Para não perder o imóvel, uma saída é tentar renegociar a dívida. “Não deixar se alastrar por muitos meses o período sem pagar e procurar junto ao banco uma renegociação dessa dívida. Um a parcela mais barata e tentar retomar os pagamentos”, disse o economista.

A catadora Erica Resende pretende seguir esse conselho. Ela está com duas parcelas da casa atrasadas e tem medo que a dívida aumente ainda mais. “Vou tentar renegociar para não perder a casa. Deixo de pagar a conta de água, luz, cortar se tiver, mas a casa é preferencial porque a gente precisa dela”, disse.

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