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Geladeira comunitária completa 1 ano atendendo pessoas carentes de toda Araraquara

Por dia, em média, 200 marmitas são deixadas ali; Pós Natal esse número triplicou e deu opção para quem não tinha o que comer

| ACidadeON/Araraquara

ACidade ON - Araraquara
Elza começou o projeto com o filho; hoje vê a Geladeira Comunitária ajudando famílias carentes de toda a a cidade (Claudio Dias/ACidadeON)


A ceia de Natal de muita gente foi farta: comidas variadas para acompanhar essa festa tradicionalmente conhecida pela comilança. Mas, sempre sobra um pouco, não é? Então, que tal ajudar ao próximo? Pois é, essa foi a escolha de muita gente nesta terça-feira, assim como na segundona de Natal. A geladeira comunitária - já completando um ano - que fica na Rua Henrique Lupo, 331, em frente à padaria Via Saudável, também em frente a Praça do Faveral, ‘bombou’ e assim como em muitos dias vem superando as expectativas e alimentando muito além dos moradores de rua. As ‘marmitinhas’ viraram uma opção de alimentação para quem não tem o que comer.

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Geladeira Comunitária esteve lotada de comida e solidariedade neste pós Natal

E não é uma força de expressão; é a realidade. “Ontem (segunda, dia 25 de dezembro) fiquei aqui boa parte do dia porque muita gente veio trazer comida. A geladeira ficou lotada. Foi tanta comida, tanta solidariedade, que juntei tudo e levei para famílias carentes do Parque São Paulo e Águas do Paiol”, conta Ednan Dalle Piagge, dono da padaria onde fica a geladeira. Muito diferente do início do projeto há um ano. Na época, para estimular ele e a mãe, Elza Dias, compravam frutas e verduras para ajudar os moradores de rua.

A Praça do Faveral sempre foi conhecida por abrigar quem não tinha um teto. Comércios ao lado eram pontos de abrigo contra o sol e chuva. Hoje, a situação mudou: “Muitos pediram para voltar para sua cidade e nós conseguimos essa ajuda. Outros arrumaram empregos e estão ganhando bem. Agora, quem fica aqui tem a consciência de comer e deixar a vasilha no lugar certo para serem recolhidas”, conta Ednan. E a Geladeira Comunitária foi além: moradores de rua viraram minoria. Quem passa ali, tem lar e dificuldade em se alimentar.

Ficamos ali, em frente à padaria, por pouco mais de uma hora. Também deixamos as nossas marmitas para serem consumidas. O movimento era intenso: carros e mais carros paravam para que a comida fosse deixada ali acondicionada em recipientes plásticos. “Só quero ajudar. Essa comida vai fazer bem para uma pessoa, por isso esse trabalho é tão importante”, comenta uma mulher, em meio a pressa de entrar para o trabalho. Outro senhor tentou deixar a comida ontem à noite. Não conseguiu e voltou nesta segunda-feira.

O perfil dos consumidores da Geladeira Comunitária é variado; assim como os tipos de comida disponíveis. Inicialmente, quem passava por ali eram moradores de rua. Hoje, o espaço se tornou uma opção real de alimentação. Edinan conta que moradores de bairros mais distantes como Valle Verde, Jardim das Hortênsias, Águas do Paiol e Parque São Paulo, por exemplo, aparecem para buscar as marmitas. “Neste período de férias tem muitas crianças que não tem o que comer. Então, os pais vêm aqui, pegam, comem na praça e já levam para a janta”.

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Elza Dias mostrando os alimentos deixados na geladeira ainda no início do projeto(Arquivo/Amanda Rocha/ACidadeONAraraquara)


Para os idealizadores da Geladeira Comunitária, hoje, depois de retirada por brigas, de pedidos de segurança, de inúmeras histórias e de manifestação até de vizinhos, a demanda é grande e chega a receber mais de 200 marmitas por dia. Em um feriado como o Natal, esse número foi quase três vezes maior. Enquanto ficamos ali quase dez pessoas fizeram a contribuição. Outras apareceram para comer. Um jovem, por ora, morador de rua, teve a rara opção de escolher o que comer. Levou para casa: leitoa, arroz, maionese, farofa e tender. “Hoje o rango vai ser bom”, brincou. Outros dois, trabalhadores da limpeza pública, também encontraram ali o almoço desejado.

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Fernando Martiniano foi levar marmitas do restaurante em que trabalha (Claudio Dias/ACidadeON)

VEJA FOTOS DA MANIFESTAÇÃO

Adeptos ao projeto solidário, o casal Fernando Martiniano e Vanessa Baselli já criaram a rotina diária de levar à Geladeira Comunitária o que não fora consumido no restaurante da família. Eles montam as marmitas e deixam ali. “É importante porque podemos ajudar quem precisa”, contam. Qualquer pessoa pode colocar alimentos na geladeira, como frutas, legumes, leite, pães, iogurte e refeições prontas, como marmitas. Caso o produto não tenha a data de vencimento na embalagem, o ideal é que seja anotado para não correr o risco de estragar.

Como a geladeira não tem freezer, não é indicado doar carne, peixe ou frango cru. E a demanda é grande, segundo a Elza. “O projeto cresceu graças a solidariedade das pessoas. É satisfatório ver gente levando a comida que não teria no dia”. A ideia faz parte do “Freedge – geladeiras comunitárias”, uma iniciativa nos Estados Unidos que fez diversas pesquisas sobre o assunto e oferece suporte para quem quer criar uma geladeira comunitária também.

Quer participar?

A geladeira comunitária fica na rua Henrique Lupo, 331, no estacionamento da padaria Via Saudável, em frente à praça do Faveral.

 

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