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Levantamento mostra que 16% dos doentes em Araraquara foram internados

E pelo menos 5% foram para a UTI com os sintomas mais graves da covid-19, como dificuldade para respirar

| ACidadeON/Araraquara

 

Dos casos confirmados em Araraquara, 16% precisaram ser internados (Foto: Divulgação)

O número de internações de pacientes diagnosticados com covid-19, em Araraquara, está acima das estimativas apontadas no início da pandemia pelas autoridades de saúde. É o que revela um levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde.  

As internações em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) representaram 5,75% dos pacientes que precisaram de hospitalização até o último dia 14 de maio. Já dos 139 casos confirmados até então em 16,5% houve internações. 

De acordo com a secretária municipal de Saúde, Eliana Honain, os números estão acima das estimativas apontadas no início da pandemia pelas autoridades de saúde.  

"Diante do que foi previsto inicialmente, que 20% das pessoas com covid-19 adoeceriam, 5% seriam internadas e 1% precisaria de UTI estamos vendo que estes não são os números que estão correspondendo. Estamos tendo uma porcentagem maior", relata.  

Na avaliação de Bernardino Alves Souto, médico e professor de medicina da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), os números de internação em leitos de UTi em Araraquara estão acima do que aponta a literatura médica internacional.  

"O que a literatura internacional fala é que até 20% das pessoas infectadas ficariam internados e um total de 4% dos doentes precisariam de UTI", explica.  

Segundo o médico, dois fatores podem justificar estes números, como o atraso no diagnóstico e o acesso mais tardio aos cuidados de saúde.  

"Às vezes a pessoa apresenta problema no pulmão, sem ter sintoma anterior, aí neste tratamento mais tardio, a pessoa já precisa de UTI. Pode sim, ter sinais de complicações sem sintomas e atrasar o diagnóstico da doença", diz ele.  

O administrador de empresas Antônio Augusto Dias, de 57 anos, ficou internado durante 17 dias na UTI de um hospital particular de Araraquara.  

"Foi um período que que passei desacordado, foi crítico, o que sei são relatos de médicos e da minha namorada", relata ele.  
PERFIL
Assim como acontece em outros locais, em Araraquara, homens também são maioria.Do total de pacientes que precisaram de internação, 60,8 % são do sexo masculino e 39,2% feminino.  

Outro número levantado mostra que o vírus atingiu pessoas entre 31 e 91 anos.  

Do total de internação, 33% dos pacientes apresentaram alguma comorbidade. A diabetes foi identificada em metade destes pacientes, seguida de cardiopatia, obesidade e hipotireoidismo.  

Para o médico Bernardino Alves Souto ainda será preciso um estudo mais profundo para compreender estes números.  

"Temos que ver qual a distribuição população, quem são as pessoas que tem procurado um serviço de saúde, tem várias coisas que podem influenciar para que estes números sejam maiores do que temos visto de uma maneira geral".  

CURADOS

Se os números preocupam, também podem ser um alento. Até a última quinta-feira, 105 pacientes foram considerados curados, ou seja, 75% dos casos confirmados.  

"Sai dia 17 de abril do hospital e foi uma alegria muito grande, como se tivessem me dado a vida novamente", finaliza emocionado Antônio Dias.

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