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Pesquisadores de Araraquara estudarão fator genético na covid-19

A expectativa é que os trabalhos comecem em agosto, mas ainda dependem de financiamento

| ACidadeON/Araraquara

Pesquisa pretende responder perguntas relacionadas ao fator genético (Foto: Reprodução)
 
Porque alguns pacientes evoluem mal ao tratamento da covid-19? Porque em alguns casos é preciso internações em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e em outros é possível simplesmente se tratar em casa? Ou ainda, não ter qualquer sintoma da doença?

São perguntas que pesquisadores de 16 instituições científicas brasileiras estão dispostos a responder, incluindo a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de Araraquara (Uniara).

O objetivo é entender se o fator genético pode influenciar no modo como o corpo reage ao ter contato com o vírus.

A professora Cristiane Pienna Soares, da Faculdades de Ciências Farmacêuticas da Unesp, explica que objetivo é encontrar co-relação genética entre o quadro clínico apresentado por grupos de pacientes.

"Cada pessoa tem uma herança genética, seu perfil genético e tendo essa evolução da doença, o objetivo é descobrir se tem um fator genético onde a pessoa está mais propensa a desenvolver m quadro de maior gravidade da doença", explica.

DIAGNÓSTICO
O que se sabe até o momento é que 30% dos infectados pelo coronavírus são assintomáticos, 20% podem evoluir para quadros mais graves e por isso precisam de internação. Destes 20%, 5% vão pra leitos de UTI e destes, 5% acabam morrendo.

Para entender o porquê desses números, serão analisados dez pacientes de grupos que se comportaram de maneiras diferentes, em Araraquara. Aqueles que foram internados em leitos de UTI; os que foram internados, mas não precisaram de oxigênio; e os que conseguiram se tratar em casa. A expectativa é que o trabalho comece em agosto.

Segundo a professora Cristiane Pienna Soares, o resultado dessa pesquisa poderá auxiliar inclusive no tratamento, já que até o momento não existe algo eficaz contra a covid e os pacientes não reagem da mesma forma a mesma medicação.

"Essa abordagem genética pode ajudar ainda na busca por algo terapêutico, já que sabemos que as pessoas respondem diferentes", explica.

O professor da Faculdade de Medicina da Uniara, Marcos Abdo Arbex, ficará responsável pela análise clínica. Ele destaca que com a pesquisa também será possível analisar se a variação de sars-cov-2 em circulação no Brasil e no mundo tem associação com o modo como o paciente evolui a doença.

"Avaliar os diferentes grupos para fazer essa coleta e a avaliação da pesquisa vai detectar os diferentes tipos de vírus e como o indivíduo reage", diz ele.

O material colhido em Araraquara fará parte de um banco genômico que vai contribuir com o trabalho de todos pesquisadores.

A professora Cristiane Pienna Soares, da Unesp, destaca que a pesquisa vai contribuir com estudos das duas universidades de Araraquara.

A parceria entre Unesp e Uniara integram um projeto desenvolvido pela rede genômica Ipec de Guarapuava e tem o apoio local da secretaria municipal de saúde. Os pesquisadores aguardam financiamento para dar início aos trabalhos.

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