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Pelo menos 87% dos pacientes que morreram com covid-19 tinham comorbidades

Algumas comorbidades reduzem as chances de recuperação e cura do paciente

| ACidadeON/Araraquara

Araraquara confirmou nesta quinta-feira (15) um total de 58 mortes Foto: Divulgação/Getty Images via BBC
Ao menos 87% dos pacientes que perderam a vida em decorrência da covid-19 tinham alguma doença pré-existente, em Araraquara. Vítimas com comorbidades representam 51 das 58 mortes registradas até a última quinta-feira (15). 

Levantamento realizado pela reportagem mostra ainda que três pessoas perderam a vida sem nenhuma doença associada e quatro não tiveram a informação divulgada pelo Comitê de Contingência do Coronavírus. 

Dados a Fundação Seade revelam que a cardiopatia foi a comorbidade mais comum entre os óbitos, com incidência superior a 120%. Na sequência, aparece diabetes com 98,1%.
O médico cardiologista, Maurício Zangrando Nogueira, explica que o coronavírus provoca a formação de coágulos e dificulta a circulação do sangue, afetando, principalmente, os pacientes que já desenvolveram alguma doença do coração, como a hipertensão, por exemplo.  

"O que acontece é que as células passam a receber menos oxigênio. O funcionamento dessas células fica atrapalhado e comprometido. Os médicos que cuidam do coronavírus já aprenderam que precisam usar remédios que ajudam na circulação para ter um sucesso maior no tratamento. O uso do anticoagulante e remédios plaquetários melhoram a micro circulação do cérebro, coração, olhos e rins"  

Entre as comorbidades mais comuns, também aparecem as doenças neurológica (32,7%) e renal (28,8%), imunodepressão (21,2%), obesidade (19,2%), pneumonia (11,5%), asma (11,5%), doenças hematológica (7,7%) e hepática (9,6%). 

O médico epidemiologista e professor de medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) Bernardino Alves Souto, aponta que uma série de fatores pode influenciar como o paciente vai evoluir a doença. 

"Obviamente, quem já tem algum problema em que o organismo não funciona bem, corre mais riscos. Isso porque, se o organismo já não funciona bem, porque tem uma comorbidade, tem uma idade em que o sistema imunológico não é muito bom e a pessoa adquiri uma carga viral alta, tudo isso pode colaborar. Mas não é um fator isolado que determina se ela vai evoluir para a morte ou não. É uma conjunção de fatores, como da própria natureza da pessoa, da doença que ela tem, da intensidade dessa doença e da qualidade de assistência de saúde que ela possui. Então é o conjunto desses fatores que poderá resultar ou não na morte de uma pessoa por covid-19", explica Bernardino.  

Algumas comorbidades reduzem as chances de recuperação e cura do paciente. Segundo a Fundação Seade, entre pessoas com doenças hepática, renal e neurológica, a letalidade é de 62,5%, 60% e 54,8%, respectivamente. 

No entanto, também há registros de pacientes que perderam a vida sem qualquer doença pré-existente, são homens com idades entre 41 e 65 anos. 

Bernardino Alves souto explica que nestes casos, além das comorbidades, outras causas têm influência, como o próprio sistema imunológico. 

"As vezes a pessoa é nova, sem comorbidade alguma, mas dependendo de suas características imunológicas, da genética da pessoa e da carga viral, ela poderá evoluir para a morte, mesmo não tendo comorbidade nenhuma", ressalta.  

O médico cardiologista, Maurício Zangrando nogueira, lembra que embora trata-se de uma doença respiratória, a covid-19 também compromete outros órgãos do corpo, além dos pulmões. 

"A primeira parte que sempre foi orientada é que o vírus seria muito ruim para o pulmão, mas atualmente a gente sabe que realmente, pessoas com bronquite, asma ou enfisema tem mais facilidade em ter complicações em relação ao pulmão. Mas a doença não é exclusiva no pulmão. A gente vê que o tratamento é individualizado, não há uma padronização para que você possa estabelecer uma dose de qualquer remédio, o que facilitaria o tratamento".

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