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Santa Casa de Araraquara tem sedativos para mais sete dias

Secretaria de Saúde diz que acompanha caso e mantém busca constante por este tipo de medicamento no mercado

| ACidadeON/Araraquara

Santa Casa de Araraquara é referência para pacientes graves da covid-19 (Foto: Amanda Rocha)


Com o agravamento da situação epidemiológica da covid-19 em todo o país, muitos hospitais públicos, privados e filantrópicos enfrentam dificuldades na compra de sedativos, principalmente utilizados no processo de entubação de pacientes que estão em situação mais grave da doença, necessitando de auxílio mecânico para respirar.

Na Santa Casa de Araraquara, a situação não é diferente. De acordo com a direção da instituição, os estoques desses medicamentos conseguem suprir a necessidade dos pacientes por mais sete dias. O diretor da Santa Casa, Rogério Bartkevicius, fala em preocupação com o fornecimento dos sedativos em razão de um desabastecimento notado nos últimos dias. Quando há disponibilidade de compra, a quantidade é sempre reduzida.

"A Santa Casa observa com grande temor o cenário de insuficiência na disponibilidade de bloqueadores neuromusculares, anestésicos e sedativos, que são medicamentos cuja oferta atual não tem conseguido suprir as necessidades do mercado hospitalar do Brasil. E com isso, a demanda por esses medicamentos e uso deles para entubar manter a entubação dos pacientes", explica. 

"A gente vê um cenário que partiu de escassez para um desabastecimento nos últimos dias e nós temos hoje uma autonomia de até sete dias de atendimento e esperamos que no curto prazo a gente consiga fazer novas aquisições para mantermos o planejamento da assistência a todos os pacientes que necessitam. O problema é que a situação é muito grave, não estamos conseguindo obter a quantidade necessária para o planejamento das atividades essenciais", completa.   

Entidades de classe, como o Conselho de Farmácia e a Federação das Santas Casas, sinalizam o problema desde o ano passado. O problema não é só a escassez de medicamentos básicos, como midazolam, fentanil, propofol e rocurônio. A federação aponta que, por causa da pandemia, o preço desses insumos ficou 1.700% mais caro na hora de compra. 

"A gente comprava, por exemplo, um bloqueador neuromuscular a R$ 6 antes da pandemia, passamos a comprar no início da pandemia a R$ 16 e neste momento estamos comprando a mesma ampola de medicamento a R$ 116 e mesmo assim uma quantidade insuficiente", alerta. 

A Santa Casa informou que vem negociando com fornecedores e que o problema é acompanhado pelos governos estadual e federal. Com a falta desses medicamentos, não só o tratamento de covid-19 fica comprometido, mas toda a rotina médica pode ficar prejudicada.

"Em outros termos, sem os medicamentos citados, o hospital ou hospitais do Brasil podem não dispor dos meios adequados para o tratamento desses casos mais graves de pacientes acometidos pela covid-19. Soma-se a isso, que a necessidade desses medicamentos não está restrita apenas a pacientes da covid-19, mas também aos pacientes em geral do atendimento do hospital", finaliza.

A reportagem da CBN Araraquara também questionou os hospitais particulares da cidade. O Hospital São Francisco informou que, ainda, não enfrenta problemas de falta de medicamentos sedativos. O Hospital São Paulo, ligado à Unimed Araraquara, disse que desde quando identificou o problema, vem realizando trabalho de planejamento, gestão e controle da utilização de anestésicos e que, no momento, tem total controle da situação.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde de Araraquara informou que tem acompanhado com atenção a situação dos estoques de medicamentos para intubação das suas unidades e também dos outros hospitais da cidade. Disse, ainda, que intensificou o diálogo com os fornecedores e mantém a busca constante por este tipo de medicamento no mercado, para garantir as entregas e evitar que falte nas unidades hospitalares.


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