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Covid-19: entenda como funciona a doação de plasma por plasmaférese

Doação por ser feita por pessoas que já tiveram covid-19 e visa auxiliar o tratamento de pacientes contaminados

| ACidadeON/Araraquara

Em Araraquara, a doção ocorre no Hemocentro. (Foto: Divulgação/Hemocentro)

O Instituto Butantan, assim como Hemocentro de Campinas já estão recrutando pessoas que já tiveram covid-19 para doar plasma convalescente, a parte líquida do sangue rica em anticorpos neutralizantes contra o SARS-CoV-2, com objetivo de auxiliar pacientes contaminados. Veja aqui como doar. 

Uma das técnicas utilizadas para esse procedimento é a plasmaférese, que coleta o sangue, extrai o plasma convalescente em uma máquina e depois devolve ao doador as hemácias e elementos figurados, como plaquetas.

A médica Maria Angélica de Camargo, de um dos hemocentros parceiros do Butantan no estabelecimento da rede para a coleta de plasma convalescente, explica as vantagens do procedimento.

"Conseguimos coletar um volume maior de plasma e devolver todas as hemácias, diferente de uma doação de sangue normal, em que tudo é retirado. Isso impede a pessoa de doar plasma novamente em pouco tempo por conta da perda de glóbulos vermelhos".

Em Araraquara, o Hemocentro da Unicamp está fazendo agendamentos para a doação de plasma convalescente. Para agendar um horário basta ligar (16) 3301-6102.

SEMELHANTE À DOAÇÃO DE SANGUE
O processo demora cerca de uma hora, desde a triagem (que é a mesma de uma doação de sangue normal), a aferição de temperatura e pressão, a avaliação do acesso venoso e a coleta em si, que leva em torno de 40 minutos.

Na plasmaférese usa-se somente um braço, tanto para tirar o sangue, que é centrifugado na máquina para retirar o plasma, quando para devolver ao doador os componentes que não serão usados.

Além da plasmaférese, também existe a doação de plasma por meio da doação de sangue normal. Neste caso, as hemácias e elementos figurados são descartados.

O plasma convalescente pode ajudar a combater a covid-19 enquanto os organismos dos pacientes desenvolvem seus próprios anticorpos. Ele contribui para acelerar o processo natural do corpo, conforme as diretrizes estabelecidas pela Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia.

"O plasma atua como coadjuvante no tratamento, já que não temos tratamento. O que temos de recurso é distanciamento, máscara e vacina", lembra Maria Angélica.

Dois estudos piloto com o uso do plasma convalescente estão sendo realizados pelo Butantan em parceria com a prefeitura de Santos e de Araraquara. Em Araraquara, já estão prontas a estrutura e o fluxograma para o início do projeto, que acontece em parceria com a Unimed e a Unesp local.

QUEM PODE DOAR
As regras para doar plasma são as mesmas seguidas para doar sangue: estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, pesar no mínimo 50 kg, evitar alimentação gordurosa antes da doação e apresentar documento original com foto. Se além de ter tido a doença o doador já tiver sido vacinado, melhor ainda: os anticorpos são reforçados pela imunização.

Apenas homens podem se voluntariar para doar o plasma convalescente porque durante a gestação a mulher libera anticorpos na corrente sanguínea que podem causar uma reação grave chamada TRALI (transfusion-related acute lung injury) em que recebe a transfusão.

O plasma convalescente é indicado para quem apresenta sintomas há, no máximo, 72 horas, e tem diagnóstico confirmado por exames. Os públicos-alvos do tratamento são os imunossuprimidos, idosos e pacientes com comorbidades.


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