Funcionários e representantes do Sindicato dos Bancários protestaram nesta terça-feira (8) contra o fechamento da agência 4513 do Itaú localizada na Alameda Paulista, na região Leste de Araraquara. O local deve encerrar as atividades a partir de setembro, segundo a categoria.
Batizado como “Dia Nacional de Luta dos Trabalhadores do Itaú”, o ato visava protestar contra o fechamento de 222 agências bancárias em todo o País e o plano de encerramento de outras 55 até o mês de agosto. O movimento cobra a revisão dos fechamentos.
“No último ano foram mais de 200 agências fechadas e mais de 2 mil postos de trabalho encerrados, com o banco garantindo, em princípio, a realocação desses funcionários. Mas sabemos que, com o passar do tempo, a maioria acaba demitida. Tivemos a notícia na segunda-feira de que essa agência entrou na lista de fechamento e deve encerrar as atividades agora em setembro. Por isso, estamos fazendo uma paralisação aqui hoje. A agência não abriu em protesto ao fechamento não só desta, mas de outras também”, disse.
Andreia Cristina de Campos, funcionária e secretária-geral do Sindicato dos Bancários

O receio dos trabalhadores com o encerramento das agências é de que não haja garantia dos empregos. Segundo o Sindicato dos Bancários, o Itaú é um dos bancos brasileiros que mais lucram, mas, em contrapartida, exerce “pressão sobre os trabalhadores” e fecha agências. Somente na Alameda Paulista, em Araraquara, atuam aproximadamente 10 pessoas.
“Impacta muito não apenas os funcionários, que trabalham com a insegurança de não saber se serão realocados — pois sabemos que essa promessa é mentirosa e não dá para realocar todo mundo —, mas também os clientes. É uma exclusão dos clientes, principalmente idosos e pessoas com deficiência, que têm dificuldade com o digital, pois o banco quer transferir tudo para o aplicativo. Neste trimestre, o Itaú lucrou R$ 11 bilhões e é o que mais está fechando agências e demitindo funcionários, infelizmente”, analisou.
Andreia Cristina de Campos, funcionária e secretária-geral do Sindicato dos Bancários

O movimento em Araraquara ainda avalia o que deve ser feito nos próximos dias para angariar apoio popular e exigir o “fim das metas abusivas e demissões”, a “contratação de mais trabalhadores”, a “reabertura de agências essenciais” e “segurança e dignidade para quem trabalha”.
“Por mais que hoje as agências sejam digitalizadas, que você consiga fazer muitas coisas pelo aplicativo, é importante ter agência física. Também é importante entender que, se eu consigo fazer meu atendimento pelo aplicativo, há outras pessoas que não conseguem. E manter os empregos, pois, enquanto sindicato, nosso maior objetivo é manter os empregos”, finalizou.
Andreia Cristina de Campos, funcionária e secretária-geral do Sindicato dos Bancários
Procurado, o Itaú Unibanco disse respeitar “a liberdade de expressão e o direito à livre manifestação democrática”, e manter um “diálogo constante com seus colaboradores e órgãos representativos”. O banco, porém, não respondeu sobre o fechamento da agência, nem sobre o futuro dos trabalhadores.
