EPTV 2 – O número de crianças e adolescentes atendidas pelo CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), vítimas de abuso sexual, cresceu mais de 30% em Araraquara, de acordo com a secretaria municipal de Desenvolvimento Social.
No primeiro semestre deste ano, foram registrados 308 casos, acima, portanto, dos 236 registros do mesmo período do ano passado.
“Obviamente, todos os bairros têm uma demanda, mas, hoje, o número maior se dá na região norte e a nossa intenção, inclusive, diante deste quadro, é pensar num segundo CREAS”, disse a vice-prefeita e secretária municipal de Desenvolvimento Social, Meire Laurindo, em entrevista à EPTV.
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De acordo com a psicóloga, Thais Bossi Minale, o CREAS não tem como objetivo investigar ou punir os criminosos, mas, sim, acolher as vítimas. “Tem como objetivo entender o círculo familiar da criança, as vulnerabilidades que existem nesse ambiente e garantir os seus direitos“, explicou.
Segundo a assistente social, Amanda Faustino dos Santos, os abusos sexuais normalmente acontecem no contexto familiar. “Famílias em extrema vulnerabilidade social, o uso de substância é bem presente também. As violências intrafamiliares, que são fatores bem presentes no nosso público atendido aqui dentro do CREAS”, disse.
Porém, de acordo com Thais Bossi, muitas famílias não denunciam as violências por medo. “A família, às vezes, não aceita, tende a ficar um pouco receosa, até mesmo de denunciar, por ser uma pessoa próxima que tenha cometido a violência“, analisou.
Para a psicóloga, Mônica Favoreto da Silva, as vítimas dão sinais de que algo aconteceu ou está acontecendo. “A criança que era mais agitada está mais quieta, ou que era mais quieta está mais irritada, está brigando mais, voltou a ter alguns comportamentos infantilizados que não tinha mais. Então, voltou a fazer xixi na cama, voltou a usar chupeta, pedir mamadeira. Alguns sinais também de mudança da alimentação: está comendo mais, está comendo menos, está dormindo mais, está dormindo menos. Ela está evitando atividades que antes ela gostava. Então, adorava a escolinha de futebol e, agora, não quer mais. Adorava ir na casa do tio no sítio e, agora, quando fala de ir na casa do tio no sítio, não está bem, não quer ir”, exemplificou.
Para Mônica, amor e acolhimento são grandes aliados no processo para lidar com dores e traumas. “Para que a criança consiga aprender como se proteger e também aprender que ela pode confiar em outras pessoas e ser cuidada”, concluiu.
Denúncias de violação de direitos e abuso sexual de crianças e adolescentes podem ser feitas a Polícia Militar pelo 190 ou pelo Disque 100.
