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Nenê do Simioni e Rogerinho chegam à liderança máxima do PCC

Operação Echelon, do Gaeco, aponta que ambos foram promovidos ao primeiro escalão da maior e mais perigosa facção criminosa do País após isolamento de Marcola no RDD

| ACidadeON/Ribeirao

Almir Rodrigues Ferreira, o Nenê do Simioni é alçado ao primeiro escalão do PCC
 
Com a transferência de Marcola e demais lideranças da Sintonia Final do PCC (Primeiro Comando da Capital) para o isolamento penitenciário por doze meses, contados a partir de dezembro de 2016, Nenê do Simioni e Rogério Taschini, ambos com raízes em Ribeirão Preto, foram alçados ao comando máximo dos estimados 30 mil integrantes da maior fação criminosa do país.  

A descoberta foi feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a partir de cartas recuperadas pela SAP (Secretaria de Administração Penitenciária) na rede de esgoto do presídio de Presidente Venceslau II onde a cúpula do PCC cumpre pena. 

O teor das cartas mostra perfis opostos: enquanto Nenê - que até hoje domina e é idolatrado no bairro Simioni - atua para apaziguar rixas internas, Rogério é acusado pelo Gaeco de monitorar a ação do PCC de Norte a Sul do País, incluindo envio de armas e assassinatos de rivais do Comando Vermelho. 

Foi com base nessas cartas que o Gaeco e a Polícia Civil deflagraram a Operação Echelon em junho, com cumprimento de 59 mandados de busca e apreensão em 14 estados.  

O foco foi desmantelar a célula "Sintonia dos Outros Estados e Países" do PCC, responsável pela expansão da facção no Brasil e América Latina. Tanto Nenê quanto Rogério integram essa Cédula, ao lado de um grupo restrito de outros cinco integrantes.  

Há três semanas, o Gaeco ofereceu denúncia na Justiça contra 75 acusados na Echelon. O processo corre sob sigilo judicial, mas A Cidade teve acesso à íntegra do documento.  Ao enumerar os integrantes denunciados, o Gaeco colocou Nenê e Rogério, respectivamente, na segunda e terceira posições.

Ascensão ao topo
 
Em novembro de 2016, foi deflagrada a Operação Ethos, que desmantelou a Sintonia dos Gravatas do PCC, composta por advogados que ajudavam a facção promovendo, entre outros, a transmissão de recados entre as lideranças presas e os "irmãos" do partido (como a facção é chamada) que estavam na rua.  

No mês seguinte, Marcola e outros 12 integrantes do PCC foram transferidos de Presidente Venceslau II para o presídio de Presidente Bernardes no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), mais rígido.  

"A organização criminosa, mesmo após o isolamento de seus líderes máximos, rearranjou-se, utilizando-se de outros membros para seguir com as empreitadas criminosas (distribuição de armas, tráfico de drogas, execuções de adversários) e obter hegemonia, inclusive nos demais Estados da Federação e em outros países da América do Sul", diz o Gaeco na denúncia da Echelon.  

Segundo o Gaeco, a "Sintonia dos Outros Estados e Países" passou a, provisoriamente, exercer a liderança máxima do PCC.  Rogério e Nenê passaram a dar as cartas literalmente. Para exercer o comando extramuros do presídio, receberam e enviaram manuscritos.  

Por conta das cartas apreendidas, ambos receberam a mesma punição dada a Marcola: foram isolados no RDD no mês passado, onde ficarão por, no mínimo, 90 dias o tempo máximo é um ano. 

OUTRO LADO 

Procurado pelo A Cidade, o advogado que defende Nenê e Rogério afirmou que a denúncia do Gaeco traz "fatos inverídicos", com base em "provas que foram fabricadas", questionando a atribuição de autoria delas a seus clientes.   

Nenê do Simioni
 
Considerado um dos braços--direitos de Marcola, Almir Rodrigues Ferreira, 39 anos, conhecido como Nenê do Simioni, é o maior expoente do PCC em Ribeirão Preto e uma das principais lideranças nacionais. Mesmo preso desde 2007, ele ainda exerce forte comando na cidade onde sua família reside.   

Em 2013, quando foi incluso junto a outros 174 integrantes na maior denúncia já movida pelo Ministério Público contra o PCC, interceptações telefônicas flagraram que, mesmo da cela em Presidente Venceslau, ele comandava pelo celular compra de maconha no Paraguai e cocaína da Bolívia. Conversava, até, sobre adquirir um avião para o PCC. Na denúncia de julho da Operação Echelon, o MP aponta que ele escreveu cartas para apaziguar rixas internas da facção e exercer sua liderança.

 

Na carta, que segundo o Gaeco foi escrita por Nenê, ele apazígua uma briga entre dois irmãos (cicla IRS) da facção. "Evidencia o poder de decisão de Almir (Nenê), notadamente quando ele menciona aos solicitantes das informações que os ventos já foram resolvidos, com a intervenção, em rua, dos disciplinares de São Paulo e pelo grupo dos 14", cita o Gaeco na denúncia. 
 "A complexidade de um organismo exige que as pessoas com poder de decisão constantemente reafirmem posições aos subordinados e lecionem sobre posturas e procedimentos", aponta o MP    
  

Rogério Taschini se destaca por ações violentas

Rogério 
Também conhecido como Rogerinho, Rogério Taschini teria participado do assalto que resultou no latrocínio de Antonio Durão, dono dos supermercados Durão, em janeiro de 1995. Ele foi acusado, também, por outros quatro crimes de roubo.  
Em 2009, quando estava no regime semiaberto, foi recrutado pelo PCC para matar agentes penitenciários. O plano, porém, foi frustrado pela Polícia Militar. Hoje, com 42 anos, Rogério figura entre as principais lideranças nacionais da facção. Segundo o Gaeco, pelas suas mãos passaram cartas relativas a compra de armamentos, execuções de rivais e liberação de dinheiro para missões de Norte a Sul do País, de Santa Catarina ao Piauí. 

rogerio taschini
 

CARTA ROGÉRIO 
Em uma das cartas que, segundo o Gaeco, passou pelas mãos de Rogério, está lista de armamentos que foram enviados à facção em Santa Catarina. Entre os itens, há três fuzis e 150 munições para eles.  


Provério' também é denunciado 
 
Entre os 75 denunciados na Echelon está Humberto Leonardo Cândido, apelidado de Provérbio. Ele nasceu em Ribeirão Preto e foi denunciado três vezes na cidade - duas por tráfico e uma por porte de arma. Em 2014, foi aqui condenado a cinco anos de prisão. Mesmo preso em Junqueirópolis, ele participava de conversas com outros presos ao celular interceptadas pelo MP. 
 
O que é RDD 
 
Previsto na Lei de Execução Penal, o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) deixa o preso em regime de isolamento máximo. Ele fica em cela individual, com direito a duas horas de banho de sol ao dia, e visitas semanais reservadas a duas pessoas, com tempo máximo de duas horas.   

Os presos não têm acesso à televisão ou rádio. Ou seja: como foram transferidos para o RDD em Presidentes Bernardes em 14 de junho, data da abertura da Copa do Mundo, Nenê e Rogério não acompanharam nenhum jogo do Brasil.  

LEIA MAIS: Arca de Noé revela salves, rifas de apartamento e batismos do PCC 

Justiça de Ribeirão condenou, em 12 meses, 58 ligados ao PCC


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