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CIP de Araraquara prende foragido histórico do crime organizado

Condenado por roubo, sequestro e tráfico ele fingia ser outra pessoa na divisa com o Paraguai

| ACidadeON/Araraquara

Condenado por roubo, sequestro e tráfico ele fingia ser outra pessoa na divisa com o Paraguai
Ele parecia um hóspede qualquer. Na semana passada chegou a um hotel em Ibitinga acompanhado da esposa e do filho pequeno aparentemente para fazer negócios na região. O carro, placas de Matão, também não levantava qualquer suspeita. Disse que vinha comprar roupas de cama, além de meias e cuecas em Araraquara para serem vendidas em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, divisa com a cidade de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Mas, o pai de família, não era um viajante qualquer. Pelo contrário, era longe disso.

É, segundo o Centro de Inteligência Policial (CIP), órgão da Delegacia Seccional da Polícia Civil de Araraquara, um criminoso foragido, ligado ao crime organizado e um dos homens mais procurados da região. Wagner José Zanardi, o Vaquinha, tem 43 anos, e não parece mais o mesmo jovem dos tempos de violentos crimes no interior. O tempo passou e a mudança física foi tanta que havia a suspeita de que ele fizera uma plástica. O que ele nega. A sua ficha criminal mostra um pouco do tempo passado em liberdade e muito do período dentro de casas penais. No documento, consta até uma ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Aos policiais civis, ele rechaçou: "Nunca tive nada a ver com isso."

Conhecido no passado por Vaquinha, ele, que é de Matão, uma cidade conhecida no início dos anos 2000, por ser dormitório da facção, em razão do policiamento reduzido à época, já ostentou dinheiro e poder. Foi dono de casas em três cidades diferentes, carros, e envolvimento com bandidos que tiveram dois destinos: a prisão e o cemitério. Hoje, casado, pai de um garoto - que ele chorou ao abraçar quando se despediu dentro da delegacia -, diz estar longe do crime. "Eu estava tentando mudar de vida", disse aos investigadores.
 
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Falando em prisão, "Vaquinha" caiu no radar da polícia aos 21 anos. Em 1997, rodou por envolvimento com o tráfico de drogas. Também chegou a ser detido na extinta cadeia de Araraquara por assalto a mão armada. Depois, no entra e sai da prisão, voltou a ser preso em 2001, em Matão, por extorsão mediante sequestro. O alvo, na época, foi um gerente de banco. No ano seguinte se deu mal por crime semelhante, desta vez, em Bebedouro. Já preso, respondeu por crimes de tráfico e associação nos anos de 2003 e 2006.

Na megarrebelião, em 2006, ele estava dentro do sistema carcerário e acompanhou todo o caos na segurança pública. Condenado a mais de 32 anos de prisão, sendo 18 anos e oito meses somente por crimes de tráfico de drogas, Vaquinha aproveitou uma brecha para voltar às ruas em 2014. Saiu para o velório do irmão e não voltou ao Centro de Progressão Penitenciária (CPP), em Bauru, onde cumpria pena. Passou a ser um procurado da Justiça.

A CIP, da Polícia Civil, monitorava os passos de Vaquinha desde a sua fuga. Há três anos, ele quase foi preso depois de uma investigação, mas escapou. Na semana passada, uma nova pista fez o seu nome voltar ao radar. Um investigador passou o final de semana todo atrás dele em Ibitinga, mas não o viu. Com a informação de qual carro ele dirigia foi uma questão de tempo, e paciência. Ele acabou preso hoje por policiais rodoviários a pedido do CIP. Detido ao lado da esposa e do filho na Rodovia Victor Maida, próximo ao acesso da Rodovia Washington Luís, chegou a mentir o nome, mas logo admitiu ser quem é.

Já em Araraquara, alegou ao delegado Fernando Bravo, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), ter voltado à região para comprar roupas, mas a Polícia Civil crê em outra versão. Algo ilícito. Acredita que ele tenha trazido drogas do Paraguai. Essa versão, no entanto, será apurada. Um fato é claro: ele também foi preso por falsidade ideológica, pois usava um documento com outro nome. E seguia com um carro, um Ford Ka, de um compadre de Matão. A origem do veículo também será apurada em inquérito.

O que prejudica a versão de Vaquinha sobre a compra de roupas é a série de combinações. No hotel em Ibitinga, ele deixou quatro telefones celulares e comprovantes de depósitos bancários de R$ 11 mil. A origem ele não precisou. Com ele, um viajante em busca de roupas, que não sou explicar o que fazia para ganhar a vida em Ponta Porã, havia R$ 9 mil em dinheiro. O montante foi apreendido. Vaquinha, que tem 15 anos de pena a cumprir, dizia aos policiais que só tinha duas preocupações nesta volta ao presídio, cuidar da família e descobrir que o delatou. "Alguém falou, vocês não tem bola de cristal".

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