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Juri condena a 26 anos acusado de matar e queimar corpo do ex-cunhado

Irmã dele já tinha sido condenada anteriormente pelo mesmo crime; acusado alegou legitima defesa

| ACidadeON/Araraquara

Corpo foi encontrado no porta-malas do veículo (Arquivo/AcidadeON)
Em meio a um crime que chocou Araraquara com um policial militar sendo assassinado e tendo o corpo queimado no próprio carro, coincidentemente, o conselho de sentença do Tribunal do Juri de Araraquara condenou, na noite desta terça-feira (4), a 26 anos e oito meses de reclusão, um homem acusado de matar e incendiar o corpo do ex-cunhado no Jardim Biagioni, em Araraquara. O crime aconteceu no dia 25 de fevereiro do de 2014. Na época, a vítima foi achada carbonizada no porta-malas do próprio carro em uma das ruas do bairro.

A investigação da época apontou que o acusado, Eron José da Silva, matou o ex-cunhado Ilbes Ezequiel de Souza, 26, que trabalhava como segurança, com um tiro durante uma discussão dentro de casa. Depois, ele carregou o corpo, jogou no porta-malas e incendiou o veículo, um Gol, na tentativa de afastar qualquer pista contra si. Ele e a irmã, Silvia Maria da Silva, foram presos posteriormente depois que a polícia refez o caminho da vítima no dia com base nas informações do GPS. O processo, no entanto, foi desmembrado e ela foi a Juri antes, em 2 de março de 2017. Acabou condenada a 22 anos, mas conseguiu em instância superior reduzir a pena para 16 anos.

Nesta terça-feira, no plenário do Fórum de Araraquara, diante dos sete jurados (cinco mulheres e dois homens) foi a vez de sentar no banco dos réus. Ali, admitiu ter atirado, mas alegou legitima defesa. Na versão dele, sustentada pelo advogado Paulo Henrique Scutti, o ex-cunhado vinha ameaçando a sua irmã com a justificativa de não aceitar o fim do relacionamento. Por isso, ele comprou uma arma com o objetivo de protegê-la. Os dois discutiram e ele disparou um tiro. Ilbes Ezequiel de Souza morreu na hora.

A própria defesa reconheceu que o acusado destruiu o corpo e, por isso, merecia ser punido. Também aceitava a pena pelo homicídio, mas em sua fala tentava desqualificar os agravantes. Versão essa rechaçada pelo promotor Herivelto de Almeida, do Ministério Público (MP). Para ele, se tivesse acontecido a legitima defesa, bastava Eron ter ligado e avisado a polícia. Além do mais, o passado de violência do acusado também não colaborou.
 
Corpo foi encontrado em porta-malas de automóvel (Arquivo/ACidadeON)
"Não vou falar que ele é santo", disse o próprio advogado citando que ele foi apreendido na Fundação Casa ainda adolescente por ter cometido um assalto. Em liberdade, se envolveu em duas tentativas de homicídio, ora como vítima, ora como autor. "Foi 1 a 1". Para a defesa, Eron só queria proteger a irmã e, por isso, os jurados deveriam absolvê-lo, em uma espécie de exemplo internacional em "homenagem ao Dia Internacional da Mulher" mostrando que toda mulher mereceria essa proteção.

A tentativa não deu certo. Os jurados entenderam que o ex-cunhado cometeu, sim, o homicídio com agravantes (motivo torpe e sem defesa), além da destruição do corpo. O juiz José Roberto Bernardi Liberal, presidente do Tribunal, o condenou a 25 anos de prisão pelo crime de homicídio duplamente qualificado e mais 2 anos e 20 dias pela destruição do corpo. Como ele admitiu esse segundo crime, a pena foi reduzida para 1 ano e oito meses, somando um total de 26 anos e oito meses de reclusão. Eron cumpre pena na Penitenciária de Taiuva.

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