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Garota admite caso com PM, lamenta morte e diz que mãe e irmã devem pagar

Testemunha ouvida pela Polícia Civil, Giovanna virou peça importante na investigação do assassinato cometido pela sua família

| ACidadeON/Araraquara

Giovanna Marques seria o estopim da morte do policial Matias (Foto: ACidadeON)
Araraquara só comenta esse assunto nas últimas horas: um policial foi friamente executado e teve o corpo queimado dentro do carro pela namorada e a filha dela com a ajuda de um tio. O motivo? Ciúmes, raiva, talvez, indignação. É que o policial, em sua folga, se aproximou da filha caçula dela e também manteve um relacionamento paralelo. A bronca terminou em homicídio qualificado com todas as agravantes possíveis. Nesta quarta-fera (5), a jovem, indicada pela família como o estopim para a revolta, prestou depoimento como testemunha.

Giovanna Marques tem 20 anos. Em entrevista ao ACidadeON, logo depois de falar com policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), falou sobre o envolvimento indireto na morte do cabo Elias Matias Ribeiro, de 49 anos. Reconheceu ter mantido relações sexuais, mas nunca imaginou que sua família o mataria. Ela também fez um desabafo em sua rede social contra uma série de ameças que passou a receber pela internet. No comentário contou como conheceu Matias, como iniciou a amizade, seguida de relacionamento. Também disse que preferia que a família tivesse a matado, ao invés de cometer o crime contra o amigo. A postagem foi deletada depois de uma série de comentários. Um vídeo dela com o policial motivou a revolta. À DIG, a mãe, Jaciane Maria, de 40 anos, contou ter visto as imagens e quis vingança.  
 

Os vídeos já aparecem na investigação policial. À reportagem, Giovanna admitiu ter se relacionado com Matias de forma consensual.  E fora justamente esse vídeo íntimo entre Matias e Giovanna que caiu nas mãos da mãe da jovem, Jaciane Maria. Com raiva, ela e a filha mais velha, Larissa Marques, de 22 anos, planejaram matar o policial. Para isso, contaram com a ajuda do tio delas, o pedreiro Genivaldo Silva, 54. Ele admitiu o crime, disse que sequer o conhecia, mas reconheceu ter sido um erro. Foi ele quem golpeou com uma marreta o policial dormindo.
 
 
"Não tinha noção que minha mãe faria isso, jamais passou pela minha cabeça", diz Giovanna à reportagem.  Ela conta que saiu três vezes com Cabo Matias e, em uma destas vezes, teve um vídeo. "Eu sabia da gravação". 

"Nunca sai com ele por dinheiro, saímos por amizade, comíamos um lanche e conversávamos. Ele era meu amigo. Não sabia que o relacionamento da minha mãe com ele era sério; ele tinha várias mulheres", diz Giovanna.

A jovem, que afirma estar consternada com a situação, chegou a fazer uma postagem ontem, em sua rede social, lamentando o ocorrido com Matias, antes de saber que as autoras do homicídio eram sua mãe e sua irmã. A postagem também foi apagada. "Eu lamento tudo que aconteceu. Sinto muito por sair com uma pessoa que ela gostava, mas agora, acho que elas devem pagar, elas mataram um homem, um policial."
 
 
Entenda
O cabo da PM, Elias Matias Ribeiro, foi morto na noite da última segunda-feira (3). O delegado Fernando Bravo, da DIG, diz que ele foi atraído por Jaciane Maria até a casa dela, no Jardim Victorio de Santi. Quando ele dormiu, Jaciane, sua filha mais velha, Larissa, e seu tio, Genivaldo, entraram no quarto e deram várias marretadas na cabeça de Matias. Depois levaram o corpo no carro do próprio policial para um canavial, onde atearam fogo. "Eles disseram que demoraram quase uma hora para conseguir carregar o corpo", conta o delegado.

Dentro do veículo, uma Tucson, estava um colete a prova de balas, algemas e uma arma carregada. Genivaldo e Jaciane levaram o carro e atearam fogo com o corpo do PM dentro e o colchão ensanguentado. Ontem (terça-feira), ainda na delegacia, policiais civis chamaram algumas mulheres que mantiveram relacionamento recente com Matias. Só Jaciane não foi receptiva inicialmente com a investigação apesar de ter atendido ao telefone aos prantos.
 

Larissa, a mãe Jaciane com o policial Matias em uma foto postada em janeiro na rede social da jovem (Rede Social)
Por coincidência, policiais civis a conheciam porque ela trabalhava no posto em que as viaturas abastecem. Eles foram, então, até o endereço da filha mais velha, a Larissa. E um detalhe chamou a atenção: ela dirigia uma Ecosport, cujo pneu era idêntico a marca identificada e colhida pela perícia no ponto onde o carro do militar fora queimado com o corpo dentro. A pedido dos investigadores, Larissa ligou e a mãe apareceu pela DIG. Mas, Jaciane não quis deixar os policiais irem até a sua casa. Pressionada, colaborou.

A filha dela mais velha, a Larissa, cúmplice no crime, ficou na DIG e também passou a conversar com os investigadores enquanto a mãe seguia com o delegado até o Victório De Santi. Já no caminho ao local do crime, Jaciane se confundiu com as informações e admitiu ter envolvimento com o homicídio culpando o tio. A ideia dela era livrar a filha. O que não deu certo, pois a jovem também confessou o crime quase simultaneamente. Pela casa, Jaciane negou que o crime fora cometido ali, apesar da ausência do colchão da cama.
 
 
"Eles pintaram o quarto provavelmente porque o sangue deixou marcas na parede", conta o delegado. Mas, como o 'crime não é perfeito' sobraram alguns pingos na cabeceira denunciando o esquema criminoso.   

Desmascarada, Jaciane abriu o jogo e contou sobre ter atraído o Cabo Matias para sua casa com a intenção de matá-lo com a ajuda da filha e do tio justamente porque ficou revoltada com a traição. A arma do crime, uma marreta, foi achada ainda ontem na casa de Genivaldo.

Para Fernando Bravo, da DIG, não existem dúvidas de que o crime teve motivação passional e que eles premeditaram o assassinato com a real intenção de matar o Cabo Matias enquanto dormia. Nesta quarta-feira, logo depois de ser preso, o tio confessou e afirmou ter sido chamado pela sobrinha para cometer o assassinato. Afirmou também estar arrependido de ter executado um desconhecido a sangue frio. Jaciane e Larissa estão presas temporariamente na cadeia de Santa Ernestina. O tio delas, Genivaldo, será encaminhado ao Anexo de Detenção Provisória (ADP).
 

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