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Frio e detalhista, acusado assusta até a polícia dizendo que estudou o crime e matou 'porque quis'

Yasmin da Silva Nery, 16, foi morta por pura frieza; no Twitter, avisou: Se eu sumir/morrer já sabe

| ACidadeON/Araraquara


Yasmin chegou a escrever sobre a ansiedade e o risco do encontro (Reprodução/Twitter)
Araraquara ainda busca entender como é possível um adolescente adotar tamanha frieza para matar a sangue frio simplesmente "porque querer saber como é" cometer um assassinato. O crime cometido por um adolescente de 17 anos contra a estudante Yasmin da Silva Nery, 16, no domingo, ainda assusta a todos. A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), agora vai encaminhar o computador e o celular dele para perícia. O aparelho dela não foi achado. Somente ficaram as mensagens postadas no Twitter. O que, de acordo com a polícia, serve de alerta ao pais para monitorarem a vida digital dos filhos. 

Yasmin adotava um 'nick name' com códigos em sua conta no Twitter. Pelo registro entrou cedo, aos 9 anos apesar da idade mínima estipulada ser de 13 anos -, e usava o espaço como uma espécie de diário. Contava sobre o dia, sobre as amarguras e também sobre as crises de aceitação. Muitas vezes, em tom depressivo. Na versão passada à polícia, Yasmin saiu no sábado à noite e conheceu o acusado em um show de rock. Ele, em depoimento, afirmou que ela se interessou por ele e, sabendo disso, logo se aproveitou da fragilidade.
 
Yasmin Nery, de 16 anos, foi brutalmente morta em Araraquara (Foto: Redes Sociais)
Os dois trocaram WhatsApp. Para ela, um momento romântico; para ele, a premeditação de um crime que tinha vontade de cometer. O ACidadeON teve acesso a um 'print', uma cópia da tela de um dos celulares, em que os dois teriam marcado de se encontrar. Nele, eles combinam de se ver e Yasmin sugere o Sesc. Ele teria respondido se poderia ser hoje, no caso, o domingo. Falam de horário e ele sugere um lugar mais privado. Essa imagem já está com a Polícia Civil. O delegado Fernando Bravo, diz que isso será apurado no inquérito.

O celular do acusado foi apreendido, assim como seu notebook. A senha já foi descoberta: é a palavra é 'killer', assassino, em inglês. O aparelho de Yasmin ele jogou fora depois do crime. Também será incluído no inquérito 'prints' da conta do Twitter de Yasmin. Horas antes de encontrar o acusado, ela dizia sobre ir na casa de uma pessoa que nunca tinha falado pessoalmente. "Se eu sumir/morrer já sabe", profetizou. "pensando melhor não sei se deveria ir na casa dele assim de primeira." Mas, ela foi.
 

O encontro

O encontro seria mesmo no Sesc, mas o acusado tramou para atrair Yasmin. Policiais da DIG pedirão à administração do Terminal Central de Integração (TCI) as imagens das câmeras de segurança, pois o encontro iniciou ali. De lá, ele teria dito, segundo o delegado, que esqueceu dinheiro em casa e se ela aceitava ir buscar na sua casa no Jardim das Hortênsias. Yasmin, seduzida pela atenção dada a ela, foi com ele e encontrou a casa sozinha, pois a mãe do acusado estava na igreja no domingo à tarde.

Em depoimento, o adolescente não explicou exatamente como levou Yasmin ao banheiro, onde já tinha escondido uma faca de açougueiro. Na versão dada à Polícia Civil, afirmou ter pedido que a estudante fechasse os olhos e dissesse o que sentia por ele. Ela, de costas, teria dito que estava apaixonada, apesar de ter conhecido ele apenas há um dia. O acusado ainda contou que se ela o considerava um psicopata, assim como uma colega dela teria dito.

Yasmin, na versão do acusado, teria respondido que não. Ele, à polícia, teria dito que ela estava enganada e a agarrou pelas costas. "Ele deu um golpe [por trás] conhecido como 'mata-leão' e ai começou a luta", conta o delegado. A garota, segundo Fernando Bravo, ainda tentou se defender e chegou a ferir o acusado com a faca [ele tem uma lesão na mão e na panturrilha]. Mas, em meio a briga, ela caiu no chão.  

Ele não soube dizer se morta ou desmaiada. O que ele admitiu é que a matou ali mesmo. A execução foi feita no banheiro já pensando em limpar a cena e drenar o sangue. Sem pestanejar, o adolescente afirmou ter adquirido conhecimento da anatomia humana em sites ligados 'deep web', também chamada de 'deepnet' ou 'undernet', é uma parte da web que não é indexada pelos mecanismos de busca e fica oculta ao grande público. 

Depois de matá-la, ainda separou o corpo. A história é tão macabra que deixou todos espantados. E vai ficando pior: o adolescente colocou uma parte do corpo na mochila e foi de ônibus até o Quitandinha para deixar um dos membros em um bueiro. Depois, voltou para casa. Afirmou, aos policiais civis, que pretendia deixar uma parte de Yasmin em casa como prêmio. Quando questionado porque a matou, ele respondeu: "Porque quis". E teve motivo? Não, respondeu sem qualquer empatia.
 

Falsidade

Nesta terça-feira novos detalhes foram chegando sobre o caso. Correu em grupos de WhatsApp uma conversa de parentes e amigos de Yasmin conversando com o acusado sobre o paradeiro dela ao descobrirem sobre o encontro. Nas mensagens, ela fala que teria visto a estudante pela última vez pegando o ônibus e indo embora. E frisava: "Meu Deus do céu onde ela tá?" e ainda "espero que ela esteja bem". Nesta hora, ele já tinha matado Yasmin.

Outro ponto esclarecido nesta terça-feira foi a participação de uma namorada dele também de 17 anos. A jovem declarou ter sido chamada pelo acusado na segunda-feira pela manhã e, no encontro, ele teria dito sobre o crime. A levou até o Quitandinha, mas não havia nada ali. Na versão dele, os dois foram até a sua casa no Hortênsias. Lá, ele mostrou o corpo e, juntos, jogaram parte na lagoa do bairro. Ele afirma que a jovem até o orientou. Ela negou.

Em depoimento, ao lado da mãe desesperada com tudo que ouvia, a menina afirmou ter sido ameaçada pelo autor do assassinato de Yasmin. Alegou ainda que o ajudou a jogar o corpo na água porque tinha medo e por ele dizer que faria o mesmo com ela. A versão não convenceu a polícia. A jovem também seguirá internada temporariamente em uma unidade de semiliberdade voltada para meninas em Franca. O prazo é de 45 dias. Depois, se condenada, o período pode ser estendido.  

Corpo de Yasmin Nery é encontrado no bairro Hortênsias (Foto: ACidadeOn/Araraquara)
Sem arrependimento

"Aqui na delegacia ele falou que não tinha qualquer arrependimento", lembra o delegado que ouviu do adolescente que a ideia era manter o corpo dentro do quarto como 'troféu'. Só colocou no carrinho de lanches por saber que a polícia estava atrás de Yasmin. Ele também só aceitou ar os detalhes quando o pai se afastou. Foi o jovem que levou os policiais aos pontos exatos onde deixou o corpo de Yasmin e deu os detalhes macabros do crime.  


Sem passagem

O acusado não tinha histórico de violência, nunca teve passagem criminal e era considerado bom aluno da Escola Estadual Bento de Abreu (EEBA), além de ser ligado a música. No bairro do Hortênsias, os vizinhos não quiseram comentar sobre ele. Na internet, ele mostrava um lado mais agressivo acompanhando páginas como 'desenhos agressivos', 'homicidas' e 'psicopatas de sangue frio'. O perfil dele já é alvo de uma série de xingamentos.

Menina inteligente e doce

Ontem, ao ACidadeON, o pai dela, o motorista Waldir Nery, 50, já estranhava o sumiço porque a menina nunca saiu de casa desta forma. "Sempre vai pra escola, shopping, Sesc, mas nunca desapareceu." Hoje, a família preferiu o silêncio para absorver a perda de forma tão trágica. O velório e enterro foi marcado, mas os parentes pediram sigilo. O pai chegou ao bairro do Hortênsias logo que soube da notícia e estava inconformado. Ele afirma que a filha era uma garota especial, inteligente e doce, ligada à família e também religiosa. Veja vídeo abaixo.  


Boa aluna

Yasmin estudava como bolsista no colégio Sapiens, um importante colégio particular de Araraquara, e era conhecida pela dedicação. A escola divulgou uma nota e suspendeu as aulas nesta terça-feira. "A direção, juntamente com professores, colaboradores e alunos, manifestam profundo pesar pelo ocorrido, formando uma rede de apoio e solidariedade aos pais e familiares."

Uma prima de Yasmin, a cozinheira Edivânia Maria da Silva, 35, fez questão de reforçar a violência como tudo ocorreu. "Eu era muito próxima a ela, foi muita brutalidade. Esse moleque acabou com a família." 

Homenagens

Em nome da Paróquia São Francisco de Assis, o administrador paroquial, padre João Orlando Cavalcante, o Diácono Flávio e toda comunidade paroquial do Selmi Dei, também disseram que o bairro está de luto e "se solidarizam com a família e amigos pelo falecimento da Jovem Yasmin da Silva Nery. Neste momento de dor, nos solidarizamos com seus familiares ratificando nosso voto de pesar pela grande perda."

A Comunidade Católica Shalom, presente na Diocese de São Carlos, em Araraqura, com pesar, também emitiu nota sobre o falecimento de Yasmin. A jovem participava da Obra Shalom, em grupo de oração, há três anos, dedicando-se a oração e a evangelização. "Confiamo-nos, junto com sua família e amigos, às orações de todos os fiéis que prestam solidariedade nesse momento doloroso, gratos por todo apoio recebido."

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