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Começam as audiências do caso Hacker de Araraquara

Nesta quarta-feira (08) será ouvido o ex-ministro Sérgio Moro, hacker será ouvido na próxima semana

| ACidadeON/Araraquara


Walter Delgatti, o Vermelho, é réu confesso no caso (Mateus Bonomi/Folhapress)
Começaram nesta semana as audiências de instrução, debate e julgamento da Operação Spoofing, deflagrada pela Polícia Federal em 23 de julho de 2019, com o objetivo de investigar as invasões às contas de Telegram de autoridades.

As audiências online foram abertas na última terça-feira (07) e o primeiro a ser ouvido pela 10º Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal foi o delegado Luiz Flavio Zampronha de Oliveira, responsável pelo inquérito.

Nesta quarta-feira (08) será a vez do ex-ministro Sérgio Moro, que passa a ser ouvido a partir das 14 horas. "Hoje temos um depoimento importantes, onde o ex-ministro dará a versão dele e eu vou questioná-lo em torno das mensagens extraídas dos operadores da lava-jato e também se ele representou de forma legal para registrar esse fato junto ao judiciário", afirma Ariovaldo Moreira, advogado de Walter Delgatti, Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira, presos em Araraquara durante operação e réus no inquérito.  

Ariovaldo Moreira é advogado de três réus (Mateus Bonomi/Folhapress)
Desses apenas Walter continua preso. "O Gustavo e a Suellen negam a autoria, o Walter é réu confesso e afirma que agiu sozinho. Ele irá responder por interceptar os telefones das autoridades apenas e não aos demais crimes que tentam imputar a ele", explica.

Ariovaldo afirma que os réus devem ser ouvidos na próxima semana e afirma que irá pedir para que Walter receba a pena de crime continuado, quando se aplica a pena de um crime com um aumento de fração em relação aos demais crimes cometidos. "Foram mais de 100 interceptações, se ele for condenado a um ano para cada interceptação, a condenação dele pode passar dos 100 anos. A defesa acredita que não tem como ele ser condenado a uma pena superior a quatro anos", acredita.  

Sérgio Moro será ouvido nesta quarta-feira (08) (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
ENTENDA O CASO
Em 23 de julho de 2019, com o objetivo de desarticular organização criminosa que praticava crimes cibernéticos. Foram cumpridas onze ordens judiciais, sendo sete Mandados de Busca e Apreensão e quatro Mandados de Prisão Temporária, nas cidades de São Paulo, Araraquara e Ribeirão Preto.
 
Na ocasião, Walter Delgatti e o amigos Gustavo Henrique Elias Santos e Suelen Priscila de Oliveira e Danilo Cristiano Marques foram presos por suspeita de envolvimento aos ataques a telefones celulares de autoridades ligadas ao Governo Federal e à Operação Lava Jato, entre elas, o ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, vítima de acesso ilegal no aplicativo Telegram, todos os suspeitos são pessoas de Araraquara.    

Walter Delgatti foi preso junto a três amigos de Araraquara (Mateus Bonomi/Folhapress)
INVASÃO
De acordo com as investigações, quando Sérgio Moro atendeu a uma ligação feita de um número igual ao dele, em junho do ano passado, permitiu o acesso ilegal aos aplicativos. Diante da possibilidade de clonagem do número, a linha foi abandonada. Mas, os hackers acabaram tendo acesso a conta do ex-ministro no Telegram.

Paralelo a isso, o site The Intercept Brasil recebeu um pacote de mensagens atribuídas justamente a Moro, responsável por várias condenações judiciais quando ainda era juiz federal durante a Operação Lava-Jato.

O site passou a divulgar as conversas privadas no Telegram apontando uma colaboração entre o então juiz e o procurador responsável pela Força Tarefa, Deltan Dallagnol, ainda em Curitiba.

Diálogos mantidos no auge das investigações da Lava Jato teriam colocando em xeque a imparcialidade de Moro, que apareceria aconselhando a acusação, segundo a denúncia proposta pela reportagem da época. Moro e Dallagnol nunca confirmaram a autenticidade das mensagens que também passaram a ser expostas e trabalhadas por outros veículos de comunicação. Em razão delas, Moro chegou até a falar sobre o assunto no Congresso Nacional.

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