Uma atendente, de 39 anos, deve iniciar a qualquer momento um coquetel de medicamentos para reduzir os riscos de uma contaminação à qual foi exposta involuntariamente. Ela perfurou a mão com uma seringa descartada por uma moradora em um saco de lixo, na manhã da última segunda-feira (1º), em Araraquara.
A mulher foi atendida em um hospital particular e irá retornar nesta terça-feira (2) para buscar o resultado de exames. “Terei que tomar o coquetel por 30 dias, independentemente do resultado”, afirmou.
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O incidente aconteceu na Rua Orestes do Carmo Capato, no Jardim Pinheiros, e foi gravado por câmeras de segurança. (Veja vídeo abaixo)
As imagens mostram o momento em que uma mulher se aproxima da lixeira da residência. Com uma das mãos, ela segura as coleiras de dois cachorros e, com a outra, coloca uma sacola entre o lixo. Depois, deixa o local.
Em seguida, um homem de camisa vermelha se aproxima, retira o que aparenta ser uma caixa de dentro da sacola deixada pela mulher — que cai e fica sobre a calçada. Ele também observa o interior de uma caçamba e vai embora.
Segundo a mulher, o incidente ocorreu justamente no momento em que retirou o saco que ficou da calçada. “Eu peguei a sacola e me espetei. Levei um susto quando abri e vi que era uma seringa, ainda com resíduo de sangue”, contou.
A médica infectologista Estela Cirino Catelani explicou que esse tipo de incidente com material biológico expõe a vítima a doenças transmitidas por objetos perfurocortantes, como agulhas. “A gente faz o exame para começar o tratamento, para ver se o paciente tem alguma doença prévia, porque, se ele tiver, não pode iniciar a profilaxia [tratamento de emergência utilizado para prevenir infecções após situação de risco]; tem que tratar a doença”, explicou.
Segundo a especialista, a origem do material biológico deve ser avaliada, e cada caso tratado individualmente. “Essa agulha pode ter sido usada por uma pessoa que a gente não sabe se é portadora do vírus HIV, da hepatite B ou da hepatite C. No caso do HIV, existe uma profilaxia que pode ser feita — no máximo até 72 horas após a exposição — com remédios que a pessoa toma por 28 dias para evitar a contaminação. No caso da hepatite B, hoje, a maioria das pessoas é imunizada; se a pessoa não for, podemos realizar a imunização e avaliar a necessidade de profilaxia. Já no caso da hepatite C, infelizmente, não existe profilaxia, e é preciso acompanhamento por seis meses, porque o período de incubação é longo”, explicou a profissional.
Além de retornar ao hospital, a atendente disse que pretende procurar a Polícia para denunciar o caso. Ela acredita que a mulher possa ter agido intencionalmente, uma vez que vizinhos relataram terem passado por situação semelhante. “Acredito que está fazendo isso na intenção de contaminar as pessoas, porque já fez isso outras vezes. Ela precisa parar”, afirmou.
O QUE FAZER?
Em Araraquara, pessoas exposta a materiais biológicos devem procurar imediatamente o SESA (Serviço Especial de Saúde), das 7h às 15h, ou, fora desse horário, as UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), que depois encaminharão o caso para ser reavaliado pelo próprio SESA. (Veja mapa abaixo)
Segundo Estela Cirino, levar o objeto que provocou o acidente pode ajudar a dimensionar os riscos aos quais a pessoa está exposta, mas não é fundamental. “Às vezes, é uma seringa de insulina, uma seringa sem sangue visível ou usada para outra finalidade. Então, é interessante levar, mas não é imprescindível”, pontuou.
DESCARTE CORRETO
A médica também explicou que objetos perfurocortantes devem ser descartados em recipientes rígidos, que não permitam a transfixação da agulha, ou entregues em farmácias. Além de hospitais, clínicas e unidades de saúde, esse tipo de material é comum em residências de pessoas diabéticas que utilizam insulina.
“Então, o mais seguro é colocar o objeto em um recipiente que não possa ser perfurado, bem embrulhado, mas, de preferência, que não seja descartado no lixo comum — que seja levado a um local adequado”, concluiu.
ONDE FICA?
O SESA (Serviço Especial de Saúde de Araraquara) fica na Rua Itália, 1617, no Centro de Araraquara. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (16) 3334-6000.

