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Botânico ganha vida graças à indignação de uma migrante

Lilian criou o projeto Parque Vivo que passou a movimentar essa grande área em Araraquara

| ACidadeON/Araraquara

Lilian (à direita de camiseta branca) com a garotada em atividade no Parque do Botânico
Uma imensa área verde, com infraestrutura deficiente, subutilizada, chamou a sua atenção. O local não faz parte do seu caminho diário, tampouco está no bairro onde mora, mas tem potencial para se transformar em um Parque Vivo. Foi assim que nasceu o projeto que vem mudando a dinâmica do Bosque do Jardim Botânico.

Por trás da sementinha, como ela diz, está a migrante Lilian Gabriela Coelho Honorato, a engenheira de gestão de projetos que nasceu em Goiânia (GO), se diz mineira de Juiz de Fora e que morava em São José dos Campos antes de aportar na Morada do Sol.

Na cidade há dois anos e meio e com a cultura de frequentar parques, Lilian percebeu a carência de Araraquara e optou em agir. Lançou a ideia a um grupo de amigos em fevereiro desse ano, que logo abraçou a causa Parque Vivo e arregaçou as mangas. Em abril foi realizado o primeiro evento no Botânico e, de lá para cá, há intervenções culturais por lá há intervenções culturais por lá todos os sábados. Hoje, cerca de 20 pessoas se dedicam, voluntariamente, a revitalizar o Botânico e se preparam para formar uma associação.

"Apesar do grande número de praças, a cidade não conta com parques estruturados, com locais de alimentação e sanitários. Passava por aqui e pensava: que desperdício! Queremos transformar o Jardim Botânico em um espaço de convivência, pensamos em gerenciar o espaço e temos como modelo o Parque Vicentino Aranha, em São José dos Campos, cidade onde eu morava", afirma.

O projeto Parque Vivo ganhou uma dimensão muito maior que do esperava em um primeiro momento e, hoje, a todo instante, pessoas e empresas se oferecem para contribuir. A Prefeitura, responsável pelo local, também abraçou o projeto "que surgiu do nada" e tem apoiado o grupo de voluntários dentro das possibilidades, especialmente porque não há qualquer destinação orçamentária específica prevista esse ano.

Segundo Lilian, a Prefeitura se comprometeu em renovar o parquinho e construir uma nova caixa de areia, instalar câmera de segurança e já ampliou a equipe que trabalha na manutenção do espaço. A Polícia Militar, por sua vez, intensificou as rondas. "Entendemos a questão de orçamento e vemos a boa vontade em melhorar o espaço. A Prefeitura recebeu um projeto do nada e tem feito o possível para nos apoiar. E isso é ótimo", reconhece.

A iniciativa privada também tem se mostrado aberta ao projeto e, no próximo semestre, alunos do curso de arquitetura de uma universidade particular da cidade devem ter na grade curricular um projeto de revitalização do Bosque do Botânico como disciplina.

Lilian tem uma rotina puxada. Divide-se entre o trabalho, que toma do seu dia das 7h às 18h, seu marido_ que a apoia, e seu maior projeto: o pequeno Gabriel, de 1 ano e 3 meses. Hoje, a engenheira de Goiânia que se diz mineira se emociona ao falar da visão que tem do Bosque do Botânico aos sábados à tarde, quando chega para acompanhar os eventos. "Meu Deus! Olha o que estamos fazendo! Dizem que sou doida, que o Botânico é enorme. Aí respondo: faço gestão de avião, você tem noção do tamanho de um avião?", conclui emocionada.

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