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Ótica se mantém há 122 anos como referência na rua 2

Família Lupo abriu negócio sob luz de lampião, se modernizou e está na quarta geração de comerciantes no principal corredor comercial de Araraquara

| ACidadeON/Araraquara

Ótica Lupo: 122 anos de história na tradicional Rua na rua 2, em Araraquara (Foto: Amanda Rocha)

ESPECIAL VIVA ARARAQUARA 
RUAS DA NOSSA HISTÓRIA


No dia 1º de fevereiro de 1898, o italiano João Lupo, no auge dos seus 22 anos, foi até a Câmara Municipal de Araraquara realizar o pagamento do primeiro imposto de sua loja de conserto de joias e relógios.  

Ele não imaginava que o seu negócio, aberto em um pequeno prédio com quatro metros de fachada na então Rua do Comércio, iluminada por lampiões a gás e de chão de terra batida, sobreviveria 122 anos e se tornaria, hoje, uma das mais antigas lojas da cidade. 

São nada mais nada menos que quatro gerações da família Lupo se dedicando na produção de óculos. A estimativa é de mais de 600 mil unidades fabricadas ao longo do tempo. Na memória ficaram as lembranças da fabricação artesanal. Hoje tudo está muito mais moderno e digital.   

Poucas lojas se mantiveram ao longo dos anos, mas as óticas Lupo é uma delas (Foto: Arquivo Histórico)

A LOJA MAIS ANTIGA
Ainda falta uma pesquisa histórica para afirmar, sem dúvida, que a Ótica Lupo na Rua Nove de Julho é loja a mais antiga de Araraquara. Há a intenção de entidades do setor em fazer esse levantamento, o que resultaria em mais um título para a família. O que se sabe é que é o alvará mais antigo registrado.  

Betânia Lupo e Antônio Cardoso estão à frente da Ótica Lupo, gerações da família mantém o negócio (Foto: Amanda Rocha)

Muita gente ainda se lembra da dona Maria Lupo. Ela transformou a pequena loja em um prédio grande e espaçoso, inspiração até mesmo para desenhistas e artistas locais. Os rumores indicam que a comerciante mandou construir o edifício atual com muito mais cimento que o recomendado pelos engenheiros da obra. Não à toa segue firme após mais de cinco décadas e ainda é considerado moderno. 

"Já estamos treinando a quinta geração. Filho, nora e neta para seguir o negócio da família", comenta Betânia Lupo Nascimento Cardoso, 68 anos. "Eu vinha muito aqui na minha infância e me apaixonei pelo ramo. Ele tem que continuar".   


 
NOVOS TEMPOS
O segredo para seguir como referência ao longo de mais de um século tem sido a adaptação aos novos tempos. "O comércio ficou muito dinâmico, então foi preciso nos reinventarmos, mas sem perder a qualidade. Foi isso que nossa tia nos ensinou", reitera o comerciante Antônio José Cardoso, 64 anos. 

Para Cardoso, o comércio na Rua 2 foi modificado demais nos últimos anos. Muitas redes nacionais chegaram e muitas lojas tradicionais fecharam as portas. "Muitos filhos e netos resolveram seguir outras carreiras", pontua.    

Ao longo dos anos o perfil das empresas da Rua Nove de Julho mudou, mas continua sendo quase que toda comercial (Foto: Amanda Rocha/ACidadeON)

DO LAMPIÃO AO BULEVAR
Não há como falar em história de Araraquara sem citar a Rua do Comércio, que anos mais tarde passou a se chamar Rua Nove de Julho em homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932. 

Apesar de o comércio de rua ter se desmembrado para outros corredores, a popular Rua 2 segue como a principal concentração comercial da cidade. Esse foi o endereço de lojas como a Eletro Tamoio, Móveis Castelan, Casa Barbieri, Serralheria de Adolpho Luppi, a loja dos irmãos Saba, a Farmácia Internacional (hoje Drogaria Raia), entre tantas outras. 

Se no começo era rua de terra batida e iluminada por lampião, atualmente possui um bulevar e experimentou em 2020, por causa da pandemia de Covid-19, um sistema de drive-thru. A Rua 2 evolui com o tempo, mas segue sendo a Rua do Comércio de Araraquara, com suas mais de 200 lojas. 

(edição de texto: Fernanda Manécolo)