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Irmãos Baldan deixaram suas carreiras pelo negócio da família

Decisão foi tomada após o pai Mliner Baldan planejar fechar o tradicional comércio em frente à Praça da Santa Cruz, ainda nos anos 90

| ACidadeON/Araraquara

A mais famosa rua de comércio de Araraquara é a Rua2 e é nela que está a Baldan (Foto: Amanda Rocha)
 
ESPECIAL VIVA ARARAQUARA 
NAS RUAS DA NOSSA HISTÓRIA


Era 1994. O comerciante Mliner Baldan estava cansado dos longos anos à frente da tradicional loja na Rua Nove de Julho, em Araraquara, e pensava seriamente em fechá-la. Seus dois filhos estavam formados nas áreas de engenharia e de computação e moravam fora da cidade.  

"Posso alugar o prédio e descansar", pensava Mliner Baldan seriamente. Mas não seria fácil abandonar um negócio de 50 anos, que foi fundado pelo seu pai, Fortunato Baldan, bem em frente à Praça da Santa Cruz. Lugar mais central que esse não existe.   

Márcio e Marcelo com o pai, Mliner Baldan (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi então que os dois filhos de Mliner, Márcio e Marcelo, decidiram retornar à cidade. Ambos toparam dar uma pausa em suas áreas de formação e assumir as rédeas do negócio da família. No fim, se apaixonaram pelo ramo e seguem até hoje. 

De lá para cá, a loja cresceu em tamanho e variedade de produtos. Hoje, os dois se revezam na gestão do comércio, que completou 70 anos de existência, sempre ali no mesmo ponto na tradicional Rua do Comércio de Araraquara. 

SUPERANDO AS CRISES
Embora a Baldan seja reconhecida e conte com uma boa quantidade de clientes, as crises sempre apareceram ao longo dos anos. "A vida inteira eu ouvi meu pai falar em crise. Lembre-se dos tantos planos econômicos pelos quais a gente passou", se recorda Marcelo, mas crava: "Mesmo assim, nunca vi algo parecido com esse cenário atual de pandemia [por conta do coronavírus]". 

Apesar das dificuldades, a família busca manter a loja atual e moderna. Não bastou ficar com as portas abertas.  

A Baldan foi se reestruturando e incorporando novos produtos para manter-se competitiva no mercado. "Era uma empresa tradicionalíssima em artigos de pesca e de caça. Tivemos que incorporar artigos de presentes, cutelaria e para camping também", explica Marcelo. 
  

Fortunato Baldan, fundador da loja, na década de 60 (Foto: Arquivo Pessoal)

O FAMOSO JACARÉ
O jacaré na frente da loja já diz tudo. A história que se conta é que em 1952 Fortunato e seu irmão Rugero Baldan estavam pescando próximo à Usina Santa Fé, em Nova Europa, quando acharam ter fisgado um dourado enorme. Ao tirá-lo da água, perceberam que haviam pescado, na verdade, um enorme jacaré. 

Fortunato, que havia aberto a loja dois anos antes, mandou embalsamar o animal e até hoje é ele quem dá as boas-vindas aos clientes.  
Apesar de todas as mudanças ao longo do tempo, a Nove de Julho ainda é forte no comércio popular (Foto: Amanda Rocha)


'É OUTRA RUA 2'
Ao longo das décadas, o comércio na rua Nove de Julho foi deixando de ser familiar e dando cada vez mais lugar às grandes redes e magazines. "Acho que o centro está ficando cada vez mais popular, enquanto o público de maior renda está migrando para outros locais e para a internet", comenta. "Mesmo assim, nossa tradição nos garante sempre um lugar na mente dos clientes de toda a cidade". 

A popular Rua 2 já foi chamada de Rua Santa Cruz ainda nos anos 1800. Depois herdou o nome Rua do Comércio no início dos anos 1900. Ainda há pessoas na cidade que a chama assim. Isso se dá pela grande tradição e história. 

O nome Nove de Julho veio depois da Revolução Constitucionalista de 1932. Muitos araraquarenses participaram do levante paulista contra o governo federal da época. Os considerados heróis são anualmente homenageados. 

No início era uma rua de chão batido, iluminada por lampiões e com poucos carros. Só após os anos 1910 é que a energia elétrica chegou à cidade.  

Hoje são cerca de 230 lojas ao longo dos quarteirões sempre muito movimentados. Araraquara pode crescer e abrir novos corredores comerciais, mas a Rua 2 é e sempre será a Rua do Comércio desta cidade que completa 203 anos de história. 

(edição de texto: Fernanda Manécolo)