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Obra-prima de seu criador, Edifício Morábito é destaque na Rua 4

Além de imóveis icônicos como o do Colégio Progresso, Rua Padre Duarte recebeu o último trabalho do arquiteto Pedro Morábito

| ACidadeON/Araraquara

Edifício Morábito, um dos destaques da Rua Padre Duarte (Foto: Amanda Rocha)
 
ESPECIAL VIVA ARARAQUARA 
RUAS DA NOSSA HISTÓRIA
 

O Edifício Morábito pode não ser o maior da Rua Padre Duarte, a popular Rua 4. Com certeza também não é o mais novo, nem o mais antigo e muito menos o mais movimentado. Mas não dá para negar uma coisa: a sua singularidade e o seu visual bem diferente dos demais. 

Realmente foi essa a ideia do seu idealizador, Pedro Morábito, um dos mais ativos engenheiros e arquitetos da cidade, com história de centenas de imóveis construídos. Já o edifício que leva o seu sobrenome foi o último e é visto como uma de suas obras mais marcantes, ao lado da Prefeitura de Américo Brasiliense e do Tiro de Guerra de Araraquara.  

O projeto do prédio icônico foi rápido, embora a construção tenha durado sete anos. Morábito não gostava de mostrar suas ideias a ninguém, com exceção da esposa, Miriam Hila Morábito. Ela conta que tentou fazê-lo desistir da ideia da fachada no formato irregular. "Por que você não faz as linhas retas", perguntou, ouvindo como resposta. "Porque vai ficar igual aos outros. Quero algo diferente". 
 
Edifício ainda em construção na Rua 4 (Foto: Arquivo Pessoal)

DIFERENTÃO
Miriam lembra que o projeto do seu marido não tem fundo nem frente. Todos os lados são iguais. "Todo mundo achou diferente. É um terreno pequeno onde há estacionamento e oito andares com quatro salas em cada um. É incrível o que ele fez aqui", comenta. "Exatamente por isso ele nunca quis vender". 

No último andar ainda se encontra o escritório do arquiteto. Enquanto estava saudável, no auge dos 88 anos, ia todos os dias até o local. Era ele mesmo quem administrava o imóvel e fazia a relação com os profissionais que alugam as salas comerciais. "Odiava que a gente colasse qualquer coisa na parede. Ele mandava a gente tirar", brinca um dos porteiros. 
 
 
O DESIGN
O elemento arquitetônico ondulado que dá esse diferencial para o edifício se chama brise. A intenção é dar mais conforto e reduzir a incidência de sol no interior do imóvel. "Ele era muito detalhista e não queria que aparecesse cortinas para quem olha do lado de fora", lembra a neta Alice Benassi Morábito, de 25 anos. "É um orgulho quando comentam sobre o prédio porque a gente lembra dele projetando, sempre com muito carinho e dedicação". 
 
Edifício se transformou no Charlie Brown

O visual inusitado também foi destaque recentemente por conta de um desenho do artista Lucas Tannuri. A arte viralizou nas redes sociais. A imagem mostra o prédio se transformando no personagem Charlie Brown, que embora fracasse em muitas de suas ações, é sempre uma criança determinada. 

NOVO E VELHO MISTURADOS
Além de prédios mais novos e modernos, principalmente residenciais próximos ao Parque Infantil, a Rua Padre Duarte ainda guarda vários imóveis antigos, como o do Colégio Progresso, de 1924, e o da Igreja Matriz de São Bento.   

Rua Padre Duarte compõe a região central com uma mistura de prédios novos e clássicos (Foto: Amanda Rocha)

No início era chamada de Rua Formosa, mas depois recebeu o nome do padre que doou terras para a construção da primeira igreja de São Bento. Curiosamente, há pouca referência sobre esse pároco na história da cidade. 

Por conta da manutenção do Bulevar dos Oitis na Rua Voluntários da Pátria, a Rua 4 acabou se tornando uma das vias de maior movimento de carros e pedestres no centro devido a sua grande atividade bancária e comercial. 

Um fato emblemático da história foi o estreitamento de apenas um lado das calçadas para que o asfalto pudesse ser alargado e assim receber mais carros. Melhorou para os automóveis, mas complicou um pouco para os pedestres caminharem por aquele trecho e ainda desviar dos postes de iluminação.  

O fato é que, seja para morar, trabalhar ou ir ao banco, todo araraquarense tem uma ligação com a Rua Padre Duarte, a desde sempre Rua 4. 

(edição de texto: Fernanda Manécolo)