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Eu tenho Araraquara inteira dentro de mim, diz Ignácio de Loyola Brandão

Escritor araraquarense é o novo imortal da Academia Brasileira de Letras

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Ignácio de Loyola Brandão é o novo imortal da ABL (Foto: Divulgação)
O araraquarense Ignácio de Loyola Brandão, de 82 anos, foi eleito, por unanimidade, ao Quadro de Membros Efetivos da Academia Brasileira de Letras. Ele ocupará a Cadeira 11, vaga que estava vazia desde 10 de setembro do ano passado, com o falecimento do Acadêmico e Jurista Helio Jaguaribe.

Brandão nasceu em Araraquara, em 1936. Foi jornalista e depois, aos 21 anos, mudou-se para São Paulo e seguiu a carreira em diversos veículos de comunicação. Atualmente segue como colunista do Jornal O Estado de São Paulo.  

LEIA MAIS: Araraquarense Ignácio de Loyola Brandão é eleito para Academia Brasileira de Letras 

A ABL é composta por 40 membros efetivos e perpétuos, e 20 sócios correspondentes estrangeiros.
A Academia Brasileira de Letras (ABL) é uma instituição cultural inaugurada em 20 de julho de 1897 e sediada no Rio de Janeiro, cujo objetivo é o cultivo da língua e da literatura nacionais.

Na manhã desta sexta-feira (15), ele falou com a equipe do Manhã CBN e destacou a emoção deste momento.

Qual é a sensação de ser um imortal?
Ignácio de Loyola Brandão:
Sou imortal há umas 12 horas, então ainda não sei qual é a sensação (risos..), mas para um escritor em determinado momento de sua carreira atingir este lugar é uma alegria, uma honra, um privilégio, um divertimento, um prazer e uma responsabilidade acima de tudo. Responsabilidade de continuar escrevendo e defendendo a liberdade neste País, todo tipo de liberdade.

O senhor esperava ser eleito para a academia?
Ignácio de Loyola Brandão:
Eu esperava porque lutei por isso. Este é um reconhecimento da maior instituição ligada a cultura, artes e literatura do País e o ápice e o sumo. Claro, não pensei nisso a vida toda, mas de uns tempos para cá, alguns amigos me falaram sobre esta possibilidade e no ano passado acabei me candidatando, aí fiz uma espécie de campanha, tem todo um ritual e com 45 livros e 54 anos de trabalho conquistei essa cadeira.

Como o senhor recebeu a notícia?
Ignácio de Loyola Brandão:
Recebei às 17h30, estava no carro, no trânsito do Rio de Janeiro. A cidade estava cheia por causa das manifestações relacionadas ao caso Marielle (a vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco foi assassinada há um ano). Como eu era o favorito pediram para eu estar no Rio e ainda no trânsito, o presidente (Marco Lucchesi) me ligou e me deu a notícia, me vi cercado por aquela multidão, foi emocionante. 

O senhor tem um carinho especial por alguma obra?
Ignácio de Loyola Brandão:
É difícil dizer, mas eu tenho dois livros...o Zero que me lançou nacional e internacionalmente e o Não Veras que foi traduzido em 17 línguas, gosto muito destas obras. Outro que destaco é o Dentes ao Sol, uma obra de ficção que se passa em Araraquara. Na época em que foi lançado foi um fracasso de crítica e de vendas, mas é um livro que eu tenho enorme carinho.
Outro que gosto é Olhos Cegos do Cavalo Louco, que é um livro lírico, sentimental, emocionante para todo público.

Para encerrar, qual a sua maior recordação de Araraquara?
Ignácio de Loyola Brandão:
Neste momento eu queria dizer que é a lembrança de duas professoras Lurdes Prada, que morreu ano passado, e Lurdes Segnini, que ainda está viva. As duas me ensinaram a ler e a escrever. Mas também me lembro da figura do meu pai, de sua biblioteca. Hoje minha mãe disse que indo para igreja e disse que sempre me recomenda para São José. Eu tenho Araraquara inteira dentro de mim.

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