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Economia

Secretário diz que mercado determinará permanência dos voos regulares

Aeroportos de Araraquara e São Carlos terão voos para Campinas e Ribeirão Preto, respectivamente

| ACidadeON/Araraquara

Voos regulares no aeroporto de Araraquara terminaram em 2014 (Foto: Arquivo/Felipe Turioni/G1)

O anúncio de que os aeroportos de Araraquara e São Carlos passarão a ter voos comerciais com rotas mais regionais (de Araraquara para Campinas, e de São Carlos até Ribeirão Preto) agradou, mas também levantou desconfiança sobre a permanência deste serviço aéreo. O trabalho começa a partir de setembro e se eles darão certos ou não, só o tempo dirá. A aceitação do mercado, o volume de passageiros e a lucratividade por parte das empresas nortearão um serviço deixado de lado no passado por baixa demanda.

A informação é do secretário estadual de desenvolvimento regional, Marcos Vinholi. O ACidadeON ouviu especialistas e pessoas que utilizam o transporte aéreo que temem também uma divisão dos voos saindo de Araraquara e São Carlos. Para o secretário, as empresas áreas foram as responsáveis por definirem quando e onde irão operar. Elas também que decidiram (Azul, em Araraquara, e Passaredo, em São Carlos) o destino.

A prática é simples: o mercado determinará se vale ou não manter. A ideia é que aeroportos menores sejam utilizados para levar os passageiros de um lado e outro aumentando a conectividade. Ou seja, o passageiro, ao invés de sair de Araraquara para ir até Campinas, e, de lá, embarcar para outro destino, poderia sair da cidade de origem, chegar ao Aeroporto de Viracopos e seguir ao destino final. O mesmo valeria para o Leite Lopes, em Ribeirão. O valor, é claro, fica mais caro que ir de carro, mas o tempo pode ser uma vantagem.

Muito também se fala sobre reformas. O secretário reconhece que o Aeroporto de Araraquara deixou de operar com voos regulares em 2014, mas, apesar do tempo ocioso, ou seja, apenas com voos particulares, as adaptações serão absorvidas pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR). Ainda serão definidos quais serão esses reparos. Outros investimentos mais graúdos - serão em uma segunda fase com um pedido de privatização.

Araraquara

Sem voos regulares desde 2014, o Aeroporto Bartholomeu de Gusmão, de Araraquara, voltará a operar com uma rota da Azul Linhas Aéreas a partir de 1º de setembro. Mas, o modelo será semelhante ao já adotado no passado e cancelado, na época, por baixa demanda. A aeronave pousará em Araraquara uma vez ao dia e seguirá para Campinas, base da Azul no Estado. Depois, o passageiro poderá pegar outro voo até São Paulo, ou demais destinos. A medida frustrou alguns internautas que sonhavam em uma linha direta com a Capital Paulista.
 

São Carlos

O Aeroporto Mário Pereira Lopes de São Carlos vai receber seis voos por semana da Passaredo Linhas Aéreas a partir do segundo semestre deste ano. Os voos têm saídas de Ribeirão Preto e serão operados pelas aeronaves ATR 72-500, com capacidade para até 68 passageiros. Atualmente, o aeródromo de São Carlos é utilizado pela Latam para deslocamento das aeronaves que passam por serviços de manutenção, reparo e revisão de componentes aeronáuticos no centro de manutenção que a empresa mantém na cidade.
 
Aeroporto de São Carlos
Privatização

Os aeroportos de Araraquara e São Carlos estão na lista dos 20 ligados ao Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) que podem ser privatizados. O anúncio foi feito em janeiro. Os projetos serão desenvolvidos pela Agência Reguladora de Transportes (Artesp) e pelo Daesp. Os dois órgãos elaborarão estudos de viabilidade técnica e econômica. "Temos 20 aeroportos que serão repassados à iniciativa privada em regime de concessão. Já orientamos a equipe para preparar a concessão de todos os aeroportos", destaca o governador João Dória.

Sem voos regulares desde 2014, o Aeroporto de Araraquara é utilizado para movimentações privadas. No ano passado, foram mais de 4.400, segundo o Daesp. O Bartholomeu de Gusmão foi reinaugurado em dezembro de 2013, na época, pelo ex-governador Geraldo Alckmin. O novo terminal de passageiros vinha com a pompa do voo comercial pela Azul Linhas Aéreas o que não durou muito. Para tanto, foram investidos R$ 7,4 milhões em obras para a construção do novo terminal, adequação da pista e implantação de sistema viário.

O terminal de passageiros passou de 210 m² para 1.600 m², oito vezes o tamanho antigo. Passou a comportar salas de embarque e desembarque, área para check in e espaços comerciais para lojas e locadoras de veículos. A obra foi iniciada em fevereiro de 2012 e concluída quase um ano depois. Mas, o espaço virou uma ótima obra para ser vista e não ser utilizada pela população.

Em dezembro de 2014 a Azul deixou de operar em Araraquara. Na época, a empresa alegou baixa demanda, mas a não aprovação de medida provisória que cria o Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional é o que pesou na decisão. A companhia teria benefícios fiscais caso fosse aprovada e ela mantivesse os voos na cidade. Sem isso, os voos regulares deixaram de existir e o espaço se tornou praticamente privado.

Programa

Araraquara entra neste pacote do programa de incentivo da malha aérea paulista. Franca e Barretos já tinham entrado nesta lista a partir da desoneração fiscal do combustível de aviação. Lançada há pouco mais de dois meses, a iniciativa consiste na redução da alíquota do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 25% para 12% sobre o querosene usado para abastecer aeronaves em São Paulo.

De acordo com o Governo, a despesa das empresas aéreas com combustível chega a até 40% de todo o custo operacional de cada voo. Com o barateamento do ICMS cobrado sobre o querosene de aviação, o Governo paulista pediu contrapartidas para aumentar o fluxo de pousos e decolagens nos aeroportos do estado, principalmente em cidades que ainda não eram atendidas por linhas comerciais regulares.

Pelo acordo, o setor aéreo se comprometeu a criar 70 novos voos e 490 partidas semanais, aumentando a oferta de destinos em todo o País. Ao todo, as novas frequências vão atingir aeroportos de 38 cidades em 21 estados. A desoneração tributária terá efeito a partir de 1º de junho e será compensada pelo impacto econômico gerado pelas contrapartidas.

Novo horário

A partir de 1º de maio, os 20 aeroportos administrados pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (DAESP), entre eles, o de Araraquara, vão mudar seus horários de operação de pousos e decolagens de aeronaves comerciais ficando das 6 horas à meia-noite. Ainda hoje, o espaço de Araraquara é utilizado para voos privados.

O novo horário adotado segue o já praticado pelo aeroporto de Congonhas, em São Paulo.Fora do novo horário, os aeroportos poderão receber voos desde que agendados e autorizados pelos órgãos competentes. A nova medida é uma das ações que fazem parte de um programa de otimização de gestão do DAESP que vem se preparando para desestatizar seus aeroportos.



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