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Economia

Embraer vai transferir montagem final de jatos executivos para Gavião Peixoto

Atualmente, são mais de 2,5 mil funcionários; Sindicato estima que 400 possam ser trazidos no ano que vem para a região

| ACidadeON/Araraquara

Aviões como o Legacy 500 hoje finalizados em São José, passarão a ser montados em Gavião Peixoto (Embraer/Divulgação)

A joint-venture [união de duas ou mais empresas já existentes com o objetivo de iniciar ou realizar uma atividade econômica comum] que criou a Boeing Brasil Commercial, a nova companhia que assumirá a totalidade da planta industrial de São José dos Campos, atual sede da Embraer, e responsável pela produção dos E-Jets e da família Legacy e Praetor, já começou a repercutir para a unidade da Embraer em Gavião Peixoto. E a notícia, por ora, é boa.  

A Embraer confirmou que transferirá para Gavião Peixoto a montagem final de jatos executivos que hoje é feita em São José dos Campos. A data, no entanto, ainda é incerta porque o acordo entre as empresas segue no processo de finalização. Internamente alguns setores projetam um início tímido no segundo semestre com a consolidação em 2020. A montagem final inclui a junção das asas no corpo, além de todo o interior como carpete, banco, marcenaria, pintura e eletrônica, entre outros serviços. Aviões como o Legacy 450 e 500 e o Praetor 500 e 600, hoje, finalizados em São José, passarão a ser montados e entregues em Gavião Peixoto. 

Hoje, por exemplo, a fábrica de móveis já está em Gavião Peixoto. Na prática, ao invés de ir para outra unidade, as peças ficarão por aqui contemplando outros serviços. A unidade já produz o Super Tucano e o cargueiro KC-390 (veja mais abaixo). Também está no mapa da unidade vizinha de Araraquara a produção dos caças Gripen da Suécia. 

Pelo novo modelo criado pela empresa, as montagens das estruturas de todos os aviões da Embraer continuarão sendo feitos em Botucatu. Depois, vem pra cá. Outra parte da produção das aeronaves de negócio da Embraer continuará realizada em Melbourne, na Florida, que é a principal unidade fabril da Embraer nos Estados Unidos. Os escritórios de engenharia da Embraer permanecerão em São José dos Campos, no Distrito de Eugênio de Melo. A Embraer não definiu a data exata da mudança.
 

Interior do Legacy 500; montagem final será em Gavião Peixoto (Embraer/Divulgação)
O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, responsável por acompanhar a Embraer, Herbert Claros da Silva, explica que, atualmente, 400 trabalhadores atuam na montagem final da aviação executiva na cidade [a Embraer de São José tem 13 mil trabalhadores]. Deste total, 120 já aceitaram ser transferidos para Gavião Peixoto. A Embraer não confirma esse número. Para os demais o destino mais provável é a demissão, diz o Sindicato. "A unidade de Gavião é mais nova e o salário é diferente; é menor. Então, os trabalhadores temem ir, ajustar toda a vida para depois serem dispensados."

O Sindicato aguarda o posicionamento da Embraer sobre uma possível data de transferência, pois primeiro é preciso ajustar o parque fabril de um dos setores que representaria cerca de 25% do volume de negócios. Uma aeronave executiva da Embraer custa de 17 a 22 milhões de dólares, dependendo do modelo. A fabricação leva em torno de um ano. "Não sabemos ainda se a empresa vai contratar gente da região de Araraquara ou realocar dentro da própria unidade", diz o diretor do Sindicato.   

A ideia inicial é que haja a transferência de mão-de-obra devido a riqueza de detalhes nas aeronaves. O Praetor 600, por exemplo, acomoda de 8 a 12 pessoas pensando sempre no conforto. Eles tem rede wifi, mesas de trabalho, televisão e telefone conectado via satélite. A internet à bordo é de alta velocidade. Cada detalhe é pensado para aumentar o conforto. A iluminação é controlada pela tela touch screen e pode ser ajustadas para uma luz mais azulada ou branca, perfeita para trabalhar, ou amarelada, mais relaxante. Além disso, o jato tem um mecanismo voltado a redução de turbulência.

Toda essa finalização, em breve, estará pela unidade da Embraer em Gavião Peixoto que opera desde outubro de 2001. A área também conta com uma pista para ensaios em voo. Atualmente, são mais de 2,5 mil funcionários e esse número vem crescendo com a linha de montagem do KC-390. 
 
O caça Gripen será produzido no Brasil pela Embraer. (Foto: Tahiane Stochero/G1)
Gripen

O que também anima a região é que a Embraer confirmou em abril que a entrega do primeiro caça Gripen feito no Brasil será em 2024. A produção será mesmo na unidade de Gavião Peixoto em parceria com a empresa sueca Saab. O projeto da aeronave já está sendo desenvolvido e até 2021 a Força Aérea Brasileira (FAB) receberá o primeiro dos 36 caças encomendados por US$ 4,2 bilhões.

O trabalho de produção dos caças no Brasil será coordenado pela Embraer. O caça é desenvolvido na Suécia desde os anos 1980. A FAB solicitou um display panorâmico, que não existe em nenhuma versão, o que deixou o valor da compra US$ 900 milhões maior.
 
 
KC-390

Além disso, a 'cereja do bolo' da aviação brasileira vem ai. A Embraer se prepara para entregar o primeiro cargueiro KC-390 para a FAB. A aeronave de transporte militar é a maior já fabricada no País [e o centro disso tudo é em Gavião Peixoto]. Os outros 27 do mesmo modelo serão entregues até 2021. A empresa está em conversas adiantadas para vender cinco aviões do modelo KC-390 para Portugal.

Comprados pela FAB para substituir os antigos cargueiros C-130 Hercules, o KC-390 lançou um enorme desafio na indústria aeronáutica nacional, o mais complexo e ousado da história da Embraer, como noticiou este mês a o site especializado AIRWAY. Além de ocupar a vaga dos Hercules brasileiros, a fabricante também propôs um avião melhor e muito mais avançado tecnologicamente.

O KC-390 recebeu a certificado de tipo da ANAC em outubro de 2018, que libera o avião para voar no Brasil. O próximo passo para o KC-390 é alcançar a Capacidade Operacional Final, que atesta a aeronave para todas as missões apresentadas no projeto, iniciado em 2009. O primeiro modelo operacional será entregue à FAB nas próximas semanas. Esta aeronave está voando hoje para a 53ª edição do Paris Air Show Internacional, na França. 
  
A aeronave, de número 004, participará do principal evento da indústria aeronáutica deste ano, que acontece de 17 a 23 de junho, no aeroporto de Le Bourget. Estão agendadas demonstrações aéreas nos dois primeiros dias da feira. Em comum acordo com a FAB, o avião retornará ao Brasil após o evento para dar início ao processo de aceitação e entrega. A Embraer não informou se a entrega será em Gavião Peixoto ou Brasília.
 
"A produção da primeira aeronave que será entregue à FAB marca uma importante mudança na dinâmica da Embraer no mercado", disse o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Jackson Schneider. "O KC-390 é um avião multimissão que tem despertado grande interesse internacional e o Paris Air Show é o evento ideal para exibir a aeronave na configuração que será operada pela FAB, comprovando sua flexibilidade, desempenho e produtividade superiores".

Em missão de transporte, o KC-390 pode transportar um tanque médio ou até um helicóptero Blackhawk. Levando tropas, embarca 80 soldados ou 66 paraquedistas. Também será usado no reabastecimento aéreo de caça, operações de busca e salvamento de longo alcance, combate a incêndios, evacuação médica e transporte de cargas. Em todos esses quesitos, a aeronave supera o Hercules e ainda voa mais rápido e tem maior autonomia em todas as situações.
 
Montagem do KC-390, em Gavião Peixoto (Embraer/Divulgação)
Além de suprir a necessidade da FAB, que encomendou 28 exemplares por R$ 7,2 bilhões, o KC-390 também pode atrair mais clientes pelo mundo, justamente aqueles que também buscam um substituto para o Hercules. O programa do programa KC-390 também foi outra parte negociada no acordo de joint-venture da Boeing com Embraer. A parceria é dividida entre 51% para empresa brasileira e os demais 49%, para a Boeing.

Para o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José, Herbert Claros da Silva, o receio de todos é que o KC-390 seja levado para os Estados Unidos. "Se isso acontecer a unidade de Gavião Peixoto perderá muito." Sobre essa possibilidade, ao AIRWAY, o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, disse que a negociação com a Boeing será positiva para impulsionar o projeto no mercado mundial, mas não descartou a ideia. "Ainda é muito cedo para discutir isso. Se houver necessidade, podemos pensar nisso".

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