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Exclusivo: Azul adia início e não prevê mais data para voos regulares em Araraquara

Anúncio da nova data dependerá das adequações necessárias, diz a empresa aérea

| ACidadeON/Araraquara

Aeronave ATR-600, que será usada novamente em Araraquara, não tem mais data para operar no Bartholomeu de Gusmão
Quem se animou com a possibilidade de viajar de avião, seja para trabalho ou lazer, a partir do Aeroporto Bartholomeu de Gusmão, de Araraquara, vai precisar ajustar sua agenda. A promessa de um voo regular saindo da cidade com conexão no aeroporto de Viracopos, em Campinas, estava marcada para iniciar no dia 1º de setembro, mas, por ora, nada feito. A Azul Linhas Aéreas confirmou com exclusividade ao ACidadeON Araraquara que a operação foi adiada e ainda não existe uma data para novo anuncio.

A notícia tinha sido feito pelo governador João Dória, do PSDB, como uma das novidades do programa de incentivo ao desenvolvimento e ampliação da malha aérea paulista, o "São Paulo Pra Todos". O avião usado seria o ATR-72 com 70 lugares [o mesmo que pousava aqui, em 2013, quando houve voos regulares da companhia por um determinado período e deixou de operar pela baixa demanda]. De Viracopos, em Campinas, o passageiro poderia se deslocar para outros 60 destinos, segundo a Secretaria de Turismo do Estado.  

Passageiros desembarcam no Aeroporto de Araraquara, em 2013 (Marcos Leandro/Tribuna Impressa)
Ao ACidadeON, a Azul Linhas Aéreas informa que "em razão da necessidade de ajustes na infraestrutura aeroportuária, a Azul irá adiar a data de inauguração de suas operações no aeroporto de Araraquara. O anúncio da nova data dependerá das adequações necessárias." A data é incerta, mas a reportagem apurou que será improvável algum voo neste ano. A empresa não informa quais adequações seriam essas, mas é fácil chegar ao consenso com base na declaração de um relatório pré-operação, após visita técnica feita no dia 10 de maio.

Na ocasião, o assessor da presidência da empresa aérea, Ronaldo Veras, já tinha adiantado as pendências: a questão da cerca patrimonial, que precisa ser reforçada, para evitar as invasões na área aeroportuária [lembrando que moradores do Jardim das Hortênsias cortam a pista arriscando a segurança do espaço], além da parte de combate a incêndio, raio X, inspeção de passageiros e melhorias na pavimentação da pista de pouso e decolagem. Por ora, nenhuma obra está orçada para sanar os ajustes.  

 
Em nota, o Departamento Aeroviário de São Paulo (DAESP) confirma o cancelamento e informa apenas "que tem trabalhado na criação das condições necessárias para atender os requisitos da regulamentação vigente para o setor, para disponibilizar novos voos, ampliar a malha aérea e conectar os municípios do interior. Neste sentido, e no caso específico do aeroporto de Araraquara, o Departamento esclarece que mantém conversas constantes com a empresa aérea para que seja possível atender a população o quanto antes."

A lista dos ajustes no Bartholomeu de Gusmão ainda prevê um processo de certificação pelo órgão fiscalizador, que será emitida após um check list nos planos de segurança, planos de inspeção de passageiros e comprovação técnica dos profissionais, entre outros. Passada esta etapa, será emitida a certificação do aeroporto. A assessoria da Azul não confirma como ficarão os pousos e decolagens. A ideia dita no passado era operar de 5 ou 6 voos por semana, com chegada a noite e saída de manhã. Mas, existe outro plano: bate-volta ainda pela manhã.  

 
No passado

Sem voos regulares desde 2014, o Aeroporto de Araraquara é utilizado para movimentações privadas. No ano passado, foram mais de 4.400, segundo o Daesp. O Bartholomeu de Gusmão foi reinaugurado em dezembro de 2013, na época, pelo ex-governador Geraldo Alckmin. O novo terminal de passageiros vinha com a pompa do voo comercial pela Azul Linhas Aéreas o que não durou muito. Para tanto, foram investidos R$ 7,4 milhões em obras para a construção do novo terminal, adequação da pista e implantação de sistema viário.

O terminal de passageiros passou de 210 m² para 1.600 m², oito vezes o tamanho antigo. Sem uso, precisa de novos ajustes. Passou a comportar salas de embarque e desembarque, área para check in e espaços comerciais para lojas e locadoras de veículos. A obra foi iniciada em fevereiro de 2012 e concluída quase um ano depois. Mas, o espaço virou uma ótima obra para ser vista e não ser utilizada pela população.  

 
Em dezembro de 2014, a Azul deixou de operar em Araraquara. Na época, a empresa alegou baixa demanda [e muitos passageiros reclamavam do voo chegar em Campinas e não São Paulo], mas a não aprovação de medida provisória que criava o Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional também pesou na decisão. A companhia teria benefícios fiscais caso fosse aprovada e ela mantivesse os voos na cidade. Sem isso, os voos regulares deixaram de existir e o espaço se tornou praticamente privado.
  
 
Desestatização

Caso seja efetivado, o volume de passageiros é que deve determinar o crescimento e manutenção dos voos regulares em Araraquara. Em abril, o secretário estadual de desenvolvimento regional, Marcos Vinholi, disse que a aceitação do mercado, o volume de passageiros e a lucratividade por parte das empresas nortearão um serviço deixado de lado no passado por baixa demanda. A ideia é que aeroportos menores sejam utilizados para levar os passageiros de um lado e outro aumentando a conectividade. O valor, é claro, será maior.

Ao ACidadeON, o Daesp informa também que deu início aos estudos que vão definir a modelagem - se privatização, concessão ou PPP - dos aeroportos [o de Araraquara está nesta lista]. A previsão é que sejam finalizados em novembro. Executivos e técnicos da IOS Partners, consultoria internacional contratada para fazer este levantamento, e equipes do DAESP estão vistoriando todos os aeroportos. Todo o processo de desestatização dos aeroportos estaduais será concluído no primeiro trimestre de 2020.  

Avião da Azul pousou no Aeroporto de Araraquara em 2013
O Departamento acredita que o capital privado vai ampliar a capacidade dos aeroportos, aumentando a oferta de voos e, consequentemente, criando as condições para o desenvolvimento econômico e social. Por isso, o plano de colocar em prática o uso de pequenas aeronaves nos aeroportos do interior. O plano para uso de aviões de pequeno porte é uma alternativa viável para acelerar a disponibilidade de voos para a população até que todos os aeroportos estejam prontos para receber também as aeronaves maiores.

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