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Economia

Governo anuncia aumento de cota sem taxa na importação de etanol dos EUA

Medida beneficia exportadores estadunidenses, mas, apesar disso, produtores da região comemoram decisão

| ACidadeON/Araraquara

Medida beneficia diretamente exportadores de etanol estadunidense e afeta região de Araraquara.
 

O Governo Federal publicou, em edição extra do diário oficial deste fim de semana, o aumento de 150 milhões de litros da cota de importação de etanol dos Estados Unidos sem cobrança de taxas.  

A medida beneficia diretamente os exportadores de etanol estadunidenses e afeta a região de Araraquara. Agora, os exportadores dos Estados Unidos podem enviar ao Brasil até 750 milhões de litros de etanol sem a alíquota de 20%. O que exceder esse valor terá a cobrança de impostos.  

O acordo tem duração inicial de 12 meses e é a concretização de um pedido feito pelo presidente estadunidense Donald Trump durante visita ao Brasil em março deste ano. 

O país norte americano é o principal exportador de etanol para terras brasileiras. O Brasil, junto com os Estados Unidos, integra a lista dos principais exportadores de etanol do mundo.  

Apesar de a medida parecer não beneficiar os produtores brasileiros, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Única), comemorou a decisão. Isso porque, segundo o presidente Jair Bolsonaro a medida deve ter como retorno a abertura do mercado americano para o açúcar do Brasil. O que ainda não teve sinalização de que irá acontecer.  

A região de Araraquara é uma das principais produtoras de açúcar e etanol do estado de São Paulo, representando cerca de 25% nessa safra, e o estado é um dos mais importantes nessa cadeia.  

Os últimos dados aqui da região são do fim de julho e, até aquele momento, foram mais de 7,1 milhões de toneladas de cana moídas.  

O diretor executivo da Única, Eduardo Leão, explica os motivos de a união ter comemorado o acordo, mesmo anteriormente ter chegado a defender o fim das importações sem tarifa.  

"Eu diria que o curto prazo não imagino que isso represente um impacto importante, porque nós estamos falando de um aumento em relação a situação atual muito pequeno em relação ao nosso consumo total, perto de um consumo de 30 bilhões. Mas, se isso realmente permitir que haja uma ampliação desse comercio, seja de açúcar, seja de etanol dos Estados Unidos, aí sim me parece que no médio e longo prazo nós poderemos colher frutos bastante positivos, particularmente no Estado de São Paulo e Araraquara, obviamente, é um dos centros de produção do nosso Estado", afirma.  

Durante esta safra no Estado de São Paulo, as unidades destinaram apenas 35% da cana para produção de açúcar. E com cerca de 60% da safra concluída, a retração atinge mais de 1,050 milhão de toneladas e indica que, assim como na safra passada, o Brasil reduzirá a oferta de açúcar destinada para exportação.  

Para o diretor da Única Eduardo Leão, um dos fatores para a baixa área destinada ao açúcar são os preços do mercado externo.  

"A gente tem realmente aumentado muito a produção de etanol em função de preço de açúcar bastante reduzido. Hoje há uma série de subsídios e outras políticas distorcivas e vários países produtores e exportadores de açúcar e isso tem feito com que os preços internacionais tenham ficado bastante reduzidos nos últimos dois, três anos. Mas, se a gente conseguir um acordo favorável com os Estados Unidos em relação as nossas exportações acho que vai ser um resultado bastante positivo, porque o preço do açúcar no mercado americano são bem mais elevados do que no mercado internacional", explica.  

Porém, outros fatores afetam a produção. Dados apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) apontam que o rendimento médio da área colhida de abril a julho totalizou mais de 83 toneladas de cana-de-açúcar por hectare, aumento de quase 3% em relação ao valor apurado no mesmo período de 2018.  

Apesar desse crescimento na produtividade agrícola acumulada, a retração é de quase 4% na qualidade da matéria-prima, o que impacta bastante a quantidade total disponível para conversão em açúcar e etanol, fazendo com que a produção de açúcar caia.   

Região é uma das produtoras de etanol e açúcar no País.

E segundo a própria Única, são necessários aproximadamente mais 14 milhões de toneladas de cana-de-açúcar para compensar essa queda disponível para conversão. A diminuição da qualidade não tem causas definidas conhecidas pelos produtores.  

Já sobre o etanol. Os produtores ligados a Única estão na expectativa de que o governo brasileiro feche outro acordo com o estadunidense - o aumento da taxa de etanol presente na gasolina. Atualmente, são permitidos nos EUA 10% de etanol no combustível, porém, os brasileiros querem que esse número aumente para 15%.  

"Os Estados Unidos hoje consomem 50 bilhões de litros de etanol pra uma mistura de 10%. Se eles autorizarem um aumento dessa mistura pra 15% nós estamos falando de um aumento na ordem de 25 bilhões de litros por ano. Nós ganharíamos quase que um mercado brasileiro ao ano nos Estados Unidos somente com uma medida dessa natureza. No Brasil, nós adotamos uma mistura de 27%, então a nossa expectativa é de que os Estados Unidos possam, efetivamente, compreender que é possível trabalhar com misturas de etanol em níveis bem mais elevados que os que praticam hoje", finaliza.  

De janeiro a julho deste ano, o Brasil importou US$ 490 milhões de etanol - o correspondente a cerca de 790 milhões de litros. Os EUA forneceram 93% desse valor.  

No mesmo período, o Brasil exportou US$ 449 milhões - cerca de 700 milhões de litros - de etanol. 66% para os estadunidenses e 17% para a Coréia do Sul, principais mercados. 

Mas porque importar, se nós produzimos? Além dos acordos comerciais, o Brasil importa dos Estados Unidos o etanol produzido do milho, que é considerado menos tecnológico que o produzido da cana, como é feito no Brasil.  

Na contramão da comemoração da Única, estão os produtores de etanol do nordeste. O Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco afirmou que há cerca de dois anos, o governo assumiu o compromisso com os produtores de que a isenção de 600 milhões de litros por ano não seria renovada.

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